Kassio Nunes Marques avalia derrubar o selo de qualidade do TSE para institutos de pesquisa

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, tem dito a interlocutores e em seus discursos públicos que está disposto a conduzir sua gestão no período eleitoral através do diálogo.

No entanto, os ministros da Corte Eleitoral souberam da proposta de criação de um selo de qualidade para institutos de pesquisa somente após o anúncio feito por ele em reunião com representantes de entidades realizada em julho.

Nunes Marques decidiu conversar com os colegas, que reprovaram a sugestão, depois de ter sido criticado por institutos que questionaram a metodologia apresentada. Na prática, o selo seria oferecido às empresas que apresentarem resultados mais precisos diante dos números nas urnas.

Para algumas associações, as pesquisas são um espelho do momento e o resultado a longo prazo é imprevisível. A ausência de precisão nas pesquisas poderia ter influência, portanto, de acontecimentos de última hora.

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa criticou a proposta por considerar que a sugestão parte do princípio incorreto de que os levantamentos seriam previsões ou promessas de resultado. De acordo com a entidade, trata-se na realidade de um instrumento para medir a intenção de voto no momento em que a sondagem ocorre.

Ministros ouvidos sob reserva dizem que Nunes Marques “não tem filtro” e, por isso, costuma “não pensar, mas depois recua” quando consulta seus pares sobre decisões tomadas com urgência.

A tendência é que o presidente do TSE mude de posição e não leve adiante a proposta, que precisaria passar por consulta pública e pelo plenário para antes de ser aprovada uma resolução.