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O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o ato de campanha em São José do Rio Preto (SP), neste sábado (05), para tentar alavancar a campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. O presidente usou boa parte do discurso para pedir votos para o candidato petista e direcionou críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal adversário no estado.
Durante o ato, Lula afirmou que pedirá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer um Pix quando se reunirem em Nova York, ainda neste mês, durante a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). A fala é em referência às críticas adotadas pelo governo americano ao meio de pagamento. Lula disse que implementou um “governo digital” e que milhões de pessoas acessam o portal GovBR.
— O exemplo disso é que o presidente dos Estados Unidos quer acabar com o Pix. Mas agora eu vou para a ONU, vou encontrar com o Trump e vou dizer para ele: “Trump, faça um Pix que você vai ver o quanto será bom”, declarou.
Ao longo do evento, Lula e seus aliados presentes, Geraldo Alckmin (PSB), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB), ignoraram a crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aproveitaram para fazer críticas ao bolsonarismo.
O ato, batizado de “SP Pronto para Mais”, reuniu candidatos aos Legislativos estadual e federal e outras lideranças da aliança. A ofensiva contra o bolsonarismo começou nos discursos dos aliados e avançou sobre Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, o Banco Master e a gestão de Tarcísio.
Haddad foi um dos mais incisivos. Ao criticar a queda de São Paulo no ranking do ensino médio durante os governos Doria e Tarcísio, o candidato petista atacou diretamente Flávio, citando a compra de imóveis em dinheiro vivo e uma negociação envolvendo recursos para um fundo da família.
— Não tem nada bom no Flávio. O que eu sei é que ele comprou 50 imóveis em dinheiro vivo. O que eu sei é que ele comprou uma mansão milionária no Lago Sul de Brasília. O que eu sei é que ele foi fazer tricô na casa do Vorcaro para pedir R$ 130 milhões para ser depositado no fundo da família dele nos Estados Unidos. É isso que eu sei do Flávio, afirmou.
Haddad também dedicou parte de seu discurso ao Banco Master e classificou o caso como resultado da atuação de uma “máfia”. Ele associou o banco a integrantes de governos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
— O Banco Master nasce, cresce e se desenvolve durante a gestão do presidente do Banco Central nomeado por Bolsonaro. (…) Isso não é coincidência. Três ministros, o presidente do Banco Central, o candidato a governador de São Paulo e o candidato à Presidência da República, todo mundo pôs o dinheiro do Master. Isso é uma máfia, disse.
Lula, por sua vez, concentrou seu discurso em temas como segurança pública, educação, economia e inteligência artificial. Ao falar sobre os celulares roubados, defendeu o bloqueio imediato dos aparelhos pelo programa Celular Seguro e afirmou que a medida poderia enfraquecer o mercado de telefones furtados.
Na educação, o presidente citou a expansão de universidades e institutos federais e apresentou o investimento no setor como uma aposta no futuro. Também defendeu que o Brasil desenvolva inteligência artificial em português para não depender de outras potências.
— Nós queremos inteligência artificial em português. Eu não quero ficar dependente nem da China e nem dos Estados Unidos, afirmou.
Sobre a disputa ao governo de São Paulo, Lula pediu que os eleitores avaliem a trajetória dos candidatos e fez uma defesa explícita de Haddad. Na sequência, reforçou o pedido de voto no ex-ministro da Educação.
— Conheço pouca gente no país com a capacidade de se preparar para tratar da educação e da verdade como o Haddad. Por isso ele merece ser governador de São Paulo, afirmou.
O presidente reforçou que considera inadmissível que o eleitor paulista prefira Tarcísio, “um cara do Rio de Janeiro, um tenente do exército que não sabia sequer a escola que iria votar”, a Haddad, “um companheiro formado na USP, prefeito da cidade, ministro da Fazenda, da Educação”.
— Não posso me conformar, como cidadão que só tem um curso primário e um curso de mecânico, de ver a elite desse país, inclusive uma parte da elite intelectual, votar em uma outra pessoa e não votar no Haddad para governador do Estado, disse.
STF de fora do discurso
O Supremo Tribunal Federal (STF) ficou fora do discurso de Lula e dos principais aliados no palanque em São José do Rio Preto, que preferiram ignorar o tema. A ausência ocorre justamente em meio à crise provocada pela divulgação de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que indicam uma relação próxima dele com o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo relatório da Polícia Federal, Vorcaro chegou a perguntar a Moraes se deveria deixar o país antes de ser preso.
As mensagens também mencionam encontros entre o ministro e Vorcaro e um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes.
Bolsonarismo na mira
Tebet também elevou o tom contra o bolsonarismo. A candidata ao Senado afirmou que a campanha será uma “guerra” contra o grupo político e criticou a família Bolsonaro pela condução da pandemia. Ao abordar as tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump, disse que Lula é quem “defende o trabalhador”, a indústria e o agronegócio brasileiro.
A senadora ainda pediu votos para Haddad e defendeu a eleição de duas mulheres para representar São Paulo no Senado. Ela disputa uma das vagas ao lado de Marina Silva.
Marina, por sua vez, afirmou que a campanha terá como desafios a defesa da democracia e da soberania nacional. Também atacou Tarcísio e respondeu à declaração do governador de que sua candidatura seria “fácil de derreter”.
— Ninguém derrete o coração de um povo, afirmou Marina.
Márcio França, candidato à vice de Haddad, também direcionou sua fala ao governador. Ele afirmou que Tarcísio deveria “dobrar a língua” ao fazer comentários sobre lideranças mais velhas, em referência a Lula e à apresentadora Ana Maria Braga. França ainda mencionou uma série de “escândalos” que atribuiu à gestão estadual e pediu votos para Lula, Haddad, Marina e Tebet.
O vice-presidente Alckmin, por sua vez, citou o escândalo do Banco Master ao atacar o bolsonarismo. Ele afirmou que aqueles que têm “vocação para dar golpe de Estado” acabam envolvidos em casos como o que classificou como o “maior escândalo de corrupção” do banco.



