Pernambuco tem R$ 41,7 bilhões em obras mapeadas pela CNT, com prioridade para transporte sobre trilhos e rodovias

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) mapeou uma carteira de 99 projetos estratégicos para modernizar a infraestrutura de transporte de Pernambuco. Reunidas no Plano CNT de Transporte e Logística 2026, as propostas somam R$ 41,73 bilhões em investimentos estimados, sendo 87 Projetos de Integração Nacional e 12 Projetos Urbanos, distribuídos entre rodovias, ferrovias, portos, hidrovias, aeroportos, terminais logísticos e mobilidade urbana.

A maior fatia dos investimentos está concentrada na infraestrutura ferroviária, sobretudo no transporte urbano sobre trilhos, e reforça a posição de Pernambuco como um dos principais polos logísticos do Nordeste, impulsionado pelo Complexo Industrial Portuário de Suape e pela conexão entre os corredores de transporte da região.

O Plano prevê a construção de 777,8 quilômetros de novos trechos ferroviários, com investimento estimado em R$ 6,9 bilhões, além da implantação de 87,8 quilômetros de monotrilhos, Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e aeromóveis, que juntos concentram outros R$ 11,4 bilhões. Também prevê a recuperação de 139 quilômetros de malha ferroviária já existente.

“A lógica por trás da priorização regional das propostas do Plano CNT mostra que o desenvolvimento da infraestrutura de transporte precisa ser pensado de forma estratégica e de longo prazo, considerando as necessidades e as potencialidades de cada região”, afirmou a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.

A carteira de projetos mapeados pela Confederação também reserva espaço expressivo para obras rodoviárias. Estão previstas a adequação de 1.310,4 km de rodovias; a recuperação do pavimento em 1.145,6 km; a duplicação de 221,4 km; a pavimentação de 93,4 km; e a construção de 76 km de novos trechos. Na mobilidade urbana, o levantamento destaca ainda 104,6 km de sistemas de priorização para o transporte coletivo, corredores e faixas exclusivas que aceleram o deslocamento de ônibus nas áreas mais congestionadas, e 10 km de novas vias urbanas, com foco na melhoria da circulação de passageiros na RMR.

A infraestrutura portuária ocupa outra posição de destaque no mapeamento. O plano reúne propostas para a melhoria dos acessos aquaviários em 1,3 milhão de m³ e em 28 áreas portuárias, além da construção de dois novos terminais portuários e de dez terminais logísticos, somadas a intervenções em hidrovias e aeroportos. As propostas dialogam diretamente com o peso do Complexo de Suape e da infraestrutura portuária pernambucana na movimentação de cargas, na cabotagem e no comércio exterior do estado.

A CNT aponta que os números do levantamento reforçam o papel estratégico de Pernambuco na logística nacional, destacando que o Estado tem PIB de R$ 270,5 bilhões, população superior a 9 milhões de habitantes e 7.108,2 quilômetros de rodovias pavimentadas.

Conta ainda com duas malhas ferroviárias (FCA e FTL) e dois portos organizados, responsáveis pela movimentação de 25,7 milhões de toneladas de cargas em 2025, além de sete aeroportos que transportaram 10,6 milhões de passageiros e movimentaram 65,3 mil toneladas de cargas no mesmo período.

O recorte estadual faz parte de um esforço mais amplo da CNT. O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 reúne, no total, 2.837 projetos distribuídos por todas as modalidades de transporte no País, com estimativa de R$ 2,03 trilhões em investimentos.

Segundo a entidade, a carteira nacional é capaz de impulsionar a competitividade, reduzir custos logísticos e ampliar a capacidade de movimentação de pessoas e cargas em todas as regiões, reunindo projetos em diferentes estágios de maturidade, de propostas e estudos até obras já em execução, construídos a partir da atualização de iniciativas mapeadas pela CNT, de demandas do setor transportador e de programas estruturantes dos governos federal e estaduais.

“Mais do que um diagnóstico, o plano funciona como instrumento de planejamento para orientar decisões do poder público e da iniciativa privada. É esse o raciocínio que sustenta o mapeamento estado a estado, incluindo o de Pernambuco”, afirma Fernanda Rezende. “Ao cruzar a leitura regional com a nacional, conseguimos identificar as oportunidades de investimento, público e privado, e contribuir para subsidiar decisões que podem aumentar a eficiência logística, reduzir custos e fortalecer a competitividade do País”, reforça.