Apesar dos deslizamentos, Recife ainda não tem Plano Municipal de Redução de Riscos para orientar ações de mitigação de riscos

Por Fernando Castilho/JC

Apesar de nos últimos cinco anos, como declarou o prefeito Victor Marques, ter executado mais de seis mil intervenções em morros da cidade e consolidado “uma política pública estruturada de prevenção de desastres e proteção à vida”, o município do Recife só assinou o Acordo de Adesão para elaboração do seu Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) através do Projeto de Cooperação Técnica com o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos da União, no final de dezembro do ano passado.

Na Região Metropolitana do Recife pelo menos três municípios (Olinda, Jaboatão e Paulista) não apenas assinaram seus acordos com o Escritório, como já concluíram seus planos e estão habilitados a começar a implantá-los. O que não significa dizer que estão encaminhando todas as soluções propostas. Na mesma data em que o prefeito João Campos assinou a adesão para fazer os estudos no Recife, o prefeito de Camaragibe, Diego da Rocha Cabral, também aderiu ao programa.

Áreas de risco

Olinda, por exemplo, já sabe que no seu território existem 3.130 moradias em áreas de risco médio (R2), correspondendo a 22,34% do total; 6.844 em risco alto (R3), representando 48,88%; e 4.031 em risco muito alto (R4), equivalentes a 28,78%. Ao todo, foram mapeadas 14.005 moradias em áreas de risco no município.

Em Jaboatão dos Guararapes existem 45.147 pessoas morando em áreas classificadas como Risco Médio (28,1%), 60.417 em áreas de risco alto R3 (37,6%), 53.638 em áreas de risco muito alto R4 (33,4%) e 1.314 em setores sem acesso (0,8%), totalizando 160.516 moradores expostos. Um contingente que representa aproximadamente 25% dos 644.037 habitantes totais do município. O total é de 53.513 moradias mapeadas em áreas de risco.

Paulista com plano

Em Paulista, o levantamento identificou aproximadamente 10.238 imóveis e 40.966 pessoas situadas em áreas classificadas com diferentes graus de risco, sendo este risco Muito Alto (R4), risco Alto (R3) e risco Médio (R2).

O estudo detalhou que 60 setores, sendo 54 classificados como risco alto e seis como risco médio, estão associados a processos hídricos. Os bairros com maior incidência são Nossa Senhora da Conceição, Jardim Paulista, Pau Amarelo, Maranguape I e II, Fragoso I e II, Engenho Maranguape, Jardim Maranguape e Paratibe.

Redução de Riscos

Ler mais

Com menor efetivo de guardas municipais e sem plano de segurança, Prefeitura do Recife fecha praça no Derby

Blog Manoel Medeiros

Numa estratégia que lembra a de tapar o sol com a peneira, a gestão do PSB no Recife decidiu fechar, sem prazo para reabertura, uma praça na área central da cidade, em pleno bairro do Derby, para evitar que pessoas em situação de rua usassem o espaço público.

Essa é a situação da Praça Jenner de Souza, que está completamente cercada por tapumes metálicos desde a sexta-feira de Carnaval, 13 de fevereiro, ainda na gestão do ex-prefeito João Campos (PSB).

Segundo a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), responsável pela zeladoria do município, “o fechamento da Praça Jenner de Souza foi realizado como medida preventiva, em razão da ocupação recorrente do espaço por pessoas em situação de rua, que passaram a utilizar o local para pernoite, o que vinha gerando preocupações relacionadas à segurança, conservação e uso adequado do equipamento público pela população. Dessa forma, optou-se pela instalação de tapumes e pelo fechamento temporário de 100% da área, como forma de preservar o espaço público até que sejam iniciadas as intervenções previstas”.

A medida pode maquiar a situação de forma imediata, mas demonstra a deficiência, ou até mesmo falência, da estratégia de segurança da Prefeitura do Recife, que usa expedientes extremos, como o impedimento do uso público de uma área, em vez de atuação conjunta da guarda municipal na proteção de praças e parques, da atuação do sistema de videomonitoramento, reforço na iluminação pública e, principalmente, atendimento/acolhimento social dessa população. Outro ponto levantado é a deficiência relacionada à política de habitação do município.

A principal missão da Guarda Municipal é garantir a preservação de espaços e equipamentos públicos do patrimônio municipal, como a Praça. Atualmente, existem apenas 1,6 mil guardas municipais em atividade, com parte deles ocupados na atuação de organização e disciplinamento do trânsito (via CTTU).

De acordo com documento da própria Prefeitura obtido pelo Blog Manoel Medeiros, não há prazo para sua reabertura, que dependerá da conclusão de um projeto de requalificação, da sua licitação e da realização do serviço. Ou seja, embora se diga aos moradores que a praça foi fechada para ser requalificada, ainda não há nem projeto nem licitação para tal e o fechamento foi de fato motivado para evitar que cidadãos a usassem.

A inutilização de um espaço público em meio a um bairro privilegiado da capital pernambucana chama atenção para a falência do sistema de proteção patrimonial e de segurança de patrimônio público, responsabilidade da própria Prefeitura. A gestão do ex-prefeito João Campos (PSB) deixou Recife com o menor contingente de guardas municipais dos últimos nove anos, não realizou concurso, não valorizou os servidores efetivos da Guarda e também negligenciou outras questões relacionadas à prevenção do sistema de segurança pública, como a iluminação, que teve uma redução de orçamento executado de R$ 17,5 milhões em 2025 comparando com 2024.

De polo comercial ao abandono: o desafio de revitalizar a Rua Imperatriz no Recife

Por Maria Clara Trajano/JC

Antes conhecida como o grande polo de compras da capital pernambucana, a Rua Imperatriz Teresa Cristina hoje estampa um cenário desolador.

Onde antes mal se conseguia transitar devido à multidão, o que se vê agora é um corredor esvaziado, marcado por imóveis de portas fechadas, andares superiores desocupados e fachadas que evidenciam o abandono da região central.

“Antigamente, o movimento por aqui era imenso; a gente quase não conseguia transitar durante o dia, principalmente em épocas de festa, de tão importante que essa rua era para o centro da cidade”, relembra o aposentado Carlos de Vasconcelos.

O colapso do comércio diurno e a insegurança

A deterioração estética e comercial não aconteceu da noite para o dia. O comerciante Josemir Dias, que atua na via há 47 anos, lembra que o declínio começou quase uma década antes da pandemia.

“Naquela época, a Imperatriz era um espetáculo de gente; era tanta gente que as pessoas tinham até dificuldade de transitar pela rua. Todo mundo queria alugar um ponto, havia disputa e ganância pelos lugares, porque todo mundo ganhava dinheiro aqui. Era uma rua espetacular, mas hoje ela se encontra nessa calamidade de falta de pessoas”, relata.

“Quando eu era jovem, eu via essa rua aqui como uma maravilha, sabe? Era tudo muito movimentado. Mas, infelizmente, hoje ela está entregue às baratas. O que a gente vê agora é o comércio fechando as portas; o comércio de rua está acabando e a Rua Imperatriz está ficando cada vez mais vazia, sem lojas. Infelizmente, não existe mais aquele movimento de antes aqui nesta rua; é essa a realidade que eu vejo hoje”, explica Norma Silva, frequentadora da região.

A sensação de insegurança, o avanço do comércio ambulante e a falta de policiamento sistemático afastaram a clientela que antes lotava a via.

“É uma junção de vários problemas que afetam o comércio, começando pela falta de clientes, que deixam de vir para o centro por causa da falta de segurança e de policiamento, que é algo raro de se ver por aqui. Além disso, as paradas de ônibus ficam muito distantes e o próprio comércio nos bairros acaba segurando o pessoal por lá”, observa o segurança patrimonial Paulo Alexandre.

Ler mais

Do Litoral ao Sertão: rodovias conectam o desenvolvimento social e econômico em Pernambuco

No Litoral Sul, região estratégica para o turismo, a PE-060 está recebendo R$80 milhões em obras

Por Isabelle Barbosa/Folhape

Quando um caminhão deixa o Sertão carregado de frutas, um turista chega ao Litoral Sul em busca de praias cristalinas ou uma indústria escolhe Pernambuco para se instalar, há um elemento comum sustentando essas ações: as estradas.

As rodovias que cortam o estado, mais de 13 mil quilômetros, entre vias estaduais e federais, são estruturas vitais para o desenvolvimento social e econômico. Elas conectam regiões, pessoas e bens. Possibilitam o tráfego logístico essencial para a manutenção de todas as cadeias importantes.

“Estrada é desenvolvimento”, resume o secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura, André Teixeira Filho. Segundo ele, cerca de 80% da malha rodoviária de Pernambuco está sob administração do estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o que reforça a responsabilidade e a necessidade de investimentos contínuos.

“É por meio da estrada que as produções locais podem ser escoadas, e uma rodovia requalificada e em bom estado garante fluidez e segurança no trajeto, além de diminuir o tempo de deslocamento. Fábricas, centrais de distribuição e a indústria como um todo ganham a partir disso”, afirma o secretário.

Doutor em engenharia, professor da Universidade Católica de Pernambuco, Maurício Pina, membro da Academia Nacional de Engenharia, lembra que Pernambuco se destacou historicamente como pioneiro em pavimentação no Nordeste, impulsionado pela chamada “batalha da pavimentação”, na gestão de Agamenon Magalhães, que defendia: “Primeiro as estradas, o resto elas darão”.

Para Maurício, a frase continua atual. O especialista reforça que as rodovias são o modo predominante de transporte no Brasil – 95% dos passageiros e mais de 60% das cargas circulam por elas no país.

“Precisamos ampliar mais rodovias. Apesar de ser o modo de transporte predominante do Brasil, temos poucas. Precisamos expandir nossa malha e mantermos a boa qualidade dela”, destaca o professor Maurício Pina, detalhando que a maioria das rodovias pernambucanas possui pista simples, com duas faixas. Pistas duplas são menos comuns e pistas triplas, raríssimas, de acordo com ele.

O secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura alerta para o fim dos incentivos fiscais nos próximos anos e destaca que os estados que desejarem manter competitividade precisarão oferecer infraestrutura sólida.

Ler mais

Abandonada, praça na Torre, no Recife, vira “ringue” para lutas clandestinas

Por Jamerson Mendes/LeiaJá

Entre golpes que cortam o ar e um amontoado de espectadores que cercam um ringue improvisado, o bairro da Torre, no Recife, tem servido de palco para a realização de lutas clandestinas. Os combates são divulgados nas redes sociais e vêm atraindo um público expressivo de curiosos.

Os torneios ocorrem à noite, em diferentes pontos do bairro. Em um dos vídeos publicados, que já soma mais de 10 mil visualizações, a luta ocorre dentro da quadra da Praça Professor Barreto Campelo. As imagens mostram um espaço cercado por fita de isolamento e gradis, com piso emborrachado improvisando o ringue. Os lutadores usam luvas de boxe, enquanto o público se aglomera ao redor.

Quando o “juiz” dá início ao combate, a sequência de socos é acompanhada pela vibração dos espectadores. Não há, porém, qualquer estrutura médica visível, como ambulância ou equipe de socorro, ausência que reforça o caráter clandestino do evento.

A reportagem do LeiaJá esteve no local onde ocorrem os torneios. Segundo relatos de moradores que preferiram não se identificar, as lutas noturnas reúnem pessoas de outras regiões e também envolvem apostas em dinheiro.

“Isso ocorre uma vez na semana. Um tira o sangue do outro, todo mundo fica filmando e apostam valores altos, como R$ 1.000, R$ 1.500 para quem derrubar primeiro”, relatou uma das moradoras que optou por resguardar a identidade.

Segurança e riscos

Procurado pela reportagem, o presidente do Conselho Regional de Educação Física da 12ª Região (CREF12/PE), Lúcio Beltrão, afirmou que o órgão desconhecia a realização de lutas na Torre e não havia recebido denúncias formais. Segundo ele, qualquer evento do tipo precisa cumprir exigências legais e de segurança.

“É necessário cumprir a Lei Geral do Esporte, Estatuto do Torcedor e demais disposições legais, como ter médico responsável presente, ambulância no local, equipamentos de primeiros socorros, treinadores registrados no CREF, regras, arbitragem e equipamentos de proteção. São requisitos esportivos, administrativos, de segurança e profissionais”, explicou.

Ao longo dos anos, diversos acidentes em competições semelhantes ganharam repercussão nacional. Um dos casos que mais chocaram o país ocorreu em Teresina (PI), quando um lutador amador de 34 anos morreu após sofrer traumatismo craniano decorrente de um nocaute.

Situações como essa evidenciam os riscos de impactos repetidos na cabeça, comuns em combates sem a devida estrutura de segurança. Em entrevista à Folha de São Paulo, o neurologista e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mário L. Melo, alertou que esse tipo de trauma pode provocar desde concussões até lesões cerebrais graves.

“Impactos de golpes na cabeça podem gerar tonturas, perda de consciência e também traumas mais importantes, como fraturas do crânio, contusão cerebral e hematomas“, afirmou.

Em um dos vídeos que mostram o preparo de outros atletas antes de entrarem no ringue montado na quadra da Praça Professor Barreto Campelo, um dos lutadores utilizava protetor bucal, equipamento indispensável para a proteção dentária durante o combate. No entanto, como o adversário não fazia uso do item, a aclamação de uma parte do público foi para que não fosse utilizado por nenhum dos combatentes.

Ler mais

Sudene articula avanços para conclusão do trecho da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco

A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) intensificou a articulação institucional para garantir a retomada e a conclusão do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina. Em reunião com gestores da Infra SA, empresa vinculada ao Ministério dos Transportes, responsável pela obra, foi assegurado que os lotes para a construção da ferrovia em Pernambuco serão licitados até o fim de 2026, reafirmando o compromisso do Governo do Brasil com a consolidação de um dos mais estratégicos corredores logísticos do Nordeste.

O encontro, com participação do superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, e o diretor de Empreendimentos da estatal, André Ludolfo, reforçou o alinhamento entre as instituições federais para assegurar o cumprimento do cronograma e a retomada efetiva das frentes de obra no estado.

“A Sudene está acompanhando de forma permanente o andamento da execução da obra da ferrovia em Pernambuco, atuando como instância de articulação entre os órgãos federais e reforçando o compromisso do Governo do Brasil com a retomada e a conclusão desse empreendimento estruturante para o desenvolvimento regional”, destacou Francisco Alexandre.

Nos últimos dias, duas publicações no Diário Oficial da União sinalizaram avanços importantes no trecho Salgueiro–Suape da Transnordestina. Foi publicado, por exemplo, aviso de licitação para contratação de empresa de consultoria técnica especializada para prestação de serviços de supervisão e apoio à fiscalização das obras de implantação do Lote SPS 04, ligando os municípios de Custódia e Arcoverde, além da elaboração do Projeto de Recuperação/ Manutenção Ferroviária e supervisão dos serviços nos Lotes SPS 01, SPS 02 e SPS 03, que vão de Salgueiro a Custódia.

Também foi divulgado o comunicado que confirma a conclusão do processo de transferência da Licença de Instalação ambiental do trecho SPS, anteriormente sob responsabilidade da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), para a Infra S.A. Vale ressaltar que a abertura do edital do primeiro trecho a ser retomado, entre municípios de Custódia e Arcoverde, com 73 quilômetros de extensão, deverá ser publicado no início de março.

As medidas representam um avanço institucional relevante, tanto na dimensão técnico-executiva quanto na regularidade ambiental, reforçando a estruturação do projeto e a segurança jurídica necessária para sua continuidade.

Para a Sudene, a retomada da Transnordestina em Pernambuco é estratégica para ampliar a competitividade regional, integrar cadeias produtivas e impulsionar o desenvolvimento econômico do Nordeste.

Estado lança edital de mais de R$ 64 milhões para obras de ampliação do Hospital da Restauração

Governo de Pernambuco lançou o edital de licitação para a contratação da empresa que vai realizar obras de reforma, requalificação e ampliação da infraestrutura física da área construída do Hospital da Restauração Governador Paulo Guerra (HR), no Derby, na área central do Recife.

Segundo o governo, o investimento estimado é de R$ 64.231.608,94. A publicação saiu  no Diário oficial. Essas obras complementar os serviços que já estão sendo feitos na unidade, a maior da rede pública de Pernambuco.

Os serviços incluem a requalificação dos pavimentos do térreo ao nono andar, e a implantação das torres de circulação vertical central e norte com novos elevadores e escadas de emergência.

Ainda segundo o estado, estão previstas a instalação do bloco técnico, da central de gases medicinais e da casa de bombas, além de diversas guaritas de serviço, acessos e saídas para ambulâncias, e a requalificação dos estacionamentos público e privativo.

A intervenção contemplará, ainda, a infraestrutura externa do complexo, incluindo drenagem urbana, redes de água e esgoto, reservatórios de retenção de águas pluviais, pavimentação, acessos, estacionamentos, paisagismo, iluminação e sinalização.

“Com a publicação do edital, teremos esses investimentos para garantir ainda mais assistência à população”, explicou a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti.

Conheça a unidade

Administrado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), o HR fica em um terreno de aproximadamente 20.376 metros quadrado. O prédio tem área construída de 25.596,02 metros quadrados, distribuída do pavimento térreo ao 9º pavimento.

Na unidade funcionam setores essenciais como emergência geral, centro de diagnóstico por imagem, hemodinâmica, unidades de terapia intensiva, bloco cirúrgico, central de material esterilizado (CME), enfermarias, além de áreas administrativas, técnicas e de apoio. A execução das obras será feita em etapas para garantir a continuidade das atividades assistenciais e a integridade dos sistemas críticos. As novas intervenções vão ampliar e modernizar setores essenciais, reorganizando fluxos internos e adequando a edificação às normas técnicas vigentes

“O projeto contempla intervenções tanto sobre a edificação existente quanto sobre áreas externas e blocos de apoio, incluindo demolições pontuais, novas construções e implantação de infraestrutura técnica de 844,24 m².

Após a execução das obras, o hospital deve atingir 26.148,42 metros quadrados de área construída”, afirma o diretor-presidente da Cehab, Paulo Lira.
O prazo previsto para a execução dos serviços é de nove meses a partir da data de emissão da ordem de serviço.

O edital e seus anexos já estão disponíveis no site da Cehab (cehab.pe.gov.br) e no sistema do Portal de Compras Públicas (portaldecom-praspúblicas.com.br).

Abertura das propostas da Transnordestina é adiada e volta a atrasar reativação das obras em Pernambuco

A sessão de abertura das propostas da licitação que deveria destravar a retomada das obras da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco, marcada para esta quinta-feira (08), foi oficialmente adiada. A Infra S.A., responsável pelo processo, publicou no Diário Oficial da União que o dia 3 de março é a nova data. Não houve explicação detalhada para a postergação, apenas a comunicação da alteração do cronograma.

O adiamento impacta o reinício da ferrovia em Pernambuco, que está paralisada há dez anos. Com a mudança de data, também se torna improvável a previsão inicial do Ministério dos Transportes, Renan Filho, de retomar o trecho no Estado ainda no primeiro trimestre de 2026.

Trecho inicial da retomada

O edital em vigor prevê a implantação de 73 km de infraestrutura ferroviária entre Custódia e Arcoverde, trecho que está com cerca de 37% de execução. Os serviços contratados incluem terraplenagem, adequação do leito ferroviário, estruturas básicas e preparação da base para futura colocação dos trilhos.

O valor máximo estimado para o contrato é de R$ 415 milhões, financiados pela União por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A Infra S.A. classifica o lote como Salgueiro/Porto de Suape (SPS) 4, que também engloba intervenções nos municípios de Sertânia e Buíque, além dos dois principais pontos do trecho.

Trecho Salgueiro/Suape

O projeto da Transnordestina em Pernambuco prevê 544 km de extensão entre Salgueiro e o Porto de Suape. As obras começaram em 2006 e atingiram cerca de 33% de execução, com 179 km concluídos. Desde então, sucessivas interrupções e reprogramações fragmentaram a construção, deixando trechos isolados e sem utilidade operacional.

Ler mais

Recife e municípios de Pernambuco buscam avanço no saneamento, mas universalização ainda é desafio

A edição de 2025 do Ranking ABES da Universalização do Saneamento revela que o Brasil ainda percorre um longo caminho para atingir as metas de atendimento pleno à população. O estudo, que avalia 2.483 municípios (cerca de 80% da população brasileira), utiliza cinco indicadores fundamentais: abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, além da coleta e destinação adequada de resíduos sólidos. No panorama nacional, a maioria esmagadora das cidades (74,22%) encontra-se na categoria “Empenho para universalização”, evidenciando que, embora existam esforços, a infraestrutura básica ainda é insuficiente para a maioria dos brasileiros. A capital pernambucana foi classificada na categoria “Empenho para universalização”, com uma pontuação total de 396,29.

Entre os indicadores, o Recife apresenta um desempenho robusto na gestão de resíduos sólidos, com 98,39% de cobertura de coleta e 100% de destinação final adequada. No entanto, o gargalo principal reside no esgotamento sanitário: apenas 41,59% da população conta com rede coletora de esgoto. O abastecimento de água atinge 82,01% dos habitantes, enquanto o tratamento do esgoto (referido à água consumida) alcança 74,30%.

Essa precariedade na infraestrutura reflete-se diretamente na saúde pública. Recife registrou uma taxa de 64,97 internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI) para cada 100 mil habitantes em 2023. O estudo da ABES reforça que, nacionalmente, quanto menor o acesso ao saneamento, maior a incidência dessas internações, que incluem diarreias e hepatite A.

O cenário nos municípios de Pernambuco

No Estado, o cenário é de predominância na categoria intermediária de desempenho. Entre as cidades de grande porte (acima de 100 mil habitantes), nomes como Olinda (375,15), Caruaru (384,67) e Paulista (359,34) também figuram em “Empenho para universalização”. Outras cidades importantes como Jaboatão dos Guararapes (324,41) e Petrolina (317,40) apresentam pontuações mais baixas dentro da mesma faixa. No extremo inferior do grupo de grande porte no Estado, encontram-se Camaragibe (269,79) e Igarassu (275,21).

Já entre os municípios de pequeno e médio porte, os destaques positivos em pontuação são Fernando de Noronha (415,63) e Exu (413,19), ambos em “Empenho para universalização”. Por outro lado, algumas localidades ainda dão os “Primeiros passos para a universalização”, categoria com pontuação abaixo de 200, como Casinhas (189,12), Betânia (199,63) e Santa Cruz (197,47).

Panorama Nacional

Ler mais

Após atrasos e reajustes, Ponte Giratória será entregue hoje e deve melhorar mobilidade no Centro do Recife

Após 807 dias interditada, a Ponte 12 de Setembro – conhecida como Ponte Giratória -, que liga o Bairro do Recife ao bairro de São José, será reinaugurada pela Prefeitura do Recife nesta terça-feira (23). A solenidade, marcada para ocorrer às 18h, contará com a presença do prefeito João Campos.

“Havia uma previsão para entregarmos a Ponte Giratória somente no ano que vem, mas estamos antecipando a reinauguração”, pontuou João Campos. Após cobranças, ele explicou a necessidade de realizar uma obra mais complexa para a recuperação do equipamento público.

“A ponte estava passando por uma requalificação (em 2023), que fazia parte do projeto de requalificação das pontes do Recife. E, durante a execução das obras, quando chegou no último terço, ao quebrar o concreto para colocar uma nova armadura, um novo aço, foi identificado que havia um problema, até então desconhecido, que era as cordoalhas de aço da construção, da década de 1970, que estavam rompidas”, esclareceu.

Segundo João Campos, a descoberta durante a fase de execução das obras serviu para evitar uma tragédia. “Havia um risco real de a ponte ter caído ou de não ter uma solução de reconstrução do tabuleiro, que é a parte de cima da ponte. Os projetistas imediatamente pediram para suspender a execução da obra e interditar a ponte para uma nova análise. Diante da identificação desse problema, foram feitas novas análises nesse período. E tivemos de fazer um novo projeto para essa obra; por isso que teve esse diferença de prazo da entrega”, contou o gestor municipal.

Atrasos e custos

Considerada uma das pontes mais históricas da capital pernambucana, a Ponte Giratória recebeu um aporte volumoso de investimentos. A necessidade de estudos adicionais e o surgimento de problemas estruturais não previstos, segundo a Prefeitura do Recife elevaram o custo. Os custos passaram de R$ 9,4 milhões para R$ 26,14 milhões, somando-se o contrato inicial de R$ 9,47 milhões, em 2022, mais serviços extras e excedentes que totalizaram R$ 16,67 milhões em um segundo contrato assinado em 2024.

O prazo de entrega foi estendido para dezembro de 2025, após uma “antecipação”, já que a PCR ainda contava com a possibilidade do término da intervenção ser apenas em 2026. A expectativa inicial era de que a obra durasse apenas quatro meses.

Melhoria do trânsito

Ler mais

Prefeitura do Recife contesta levantamento do TCE e aponta apenas três obras municipais paralisadas

Após a divulgação de um levantamento do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que apontava que o Recife tinha 24 contratos com indícios de paralisação, a gestão municipal contestou os números.

Em nota, a Prefeitura indicou que “mais de 46% dos serviços e obras citadas foram entregues, como é o caso da Ponte do Rio Morno, indicada como paralisada no relatório, porém entregue no último mês, assim como a semaforização, já plenamente instalada e cujo contrato já foi encerrado”.

De acordo com o município, também já foram entregues obras na área de saúde, educação e urbanização, como as intervenções das margens do Tejipió, do Canal do ABC e do Canal Santa Rosa, a readequação do prédio da CSURB e as cobertas de mercados de Afogados e Nova Descoberta.

Das obras citadas no relatório do TCE, estão paralisadas apenas três, segundo a Prefeitura do Recife.

São elas:

  • Complementação das obras do Canal Parnamirim, devido à judicialização de desapropriação de um imóvel;
  • Feira Livre do bairro da Várzea, a pedido do MPPE;
  • Um lote do Calçada Legal, cujos projetos estão sendo revistos;
  • Os contratos somam mais de R$ 4,44 milhões, dos quais R$ 1,72 mi já saíram dos cofres públicos.

“A Prefeitura do Recife preza por assegurar transparência e bom uso dos recursos públicos investidos em serviços e obras para a sociedade e se coloca à disposição dos órgãos de controle”, indica a nota.

Feira Livre da Várzea e histórico de abandono

Ler mais

Entre o cartão-postal e o abandono, problemas estruturais marcam o litoral de Pernambuco

Lazer de moradores e visitantes e fonte de renda para milhares de famílias, o litoral de Pernambuco reúne 187 quilômetros de praias que ajudam a projetar a identidade do estado para o mundo.

Apesar do potencial turístico e econômico, grande parte da orla convive com poluição, falta de infraestrutura, erosão costeira e fiscalização precária. De Carne de Vaca, em Goiana, a São José da Coroa Grande, as demandas são acumuladas e a beleza contrasta com o abandono.

Os problemas vão de lixo, esgoto e falta de saneamento à falta de estrutura para lidar com o avanço do mar.

Na espera por um espaço que atenda às demandas do lazer e da economia locais, milhões ainda convivem com o esquecimento e o adiamento de soluções concretas do calçadão à areia.

Com a chegada do verão e das férias escolares, o desejo é que as medidas minimizem os danos e promovam um ambiente digno para todos.

Lixo e esgoto a céu aberto

Em trechos do litoral sul, o lixo e o esgoto ainda desaguam no mar. Praias como Porto de Galinhas e São José da Coroa Grande expõem banhistas e comerciantes à falta de saneamento adequado, com riscos de doenças e perda da fonte de renda das famílias.

No caminho para o mar, muitas vezes, é necessário driblar dejetos e poças com mau odor. “É um descaso e uma irresponsabilidade. A prefeitura fecha os olhos para isso”, desabafa o ator Deyvison Diógenes, em Porto de Galinhas, cartão-postal do estado.

Em Tamandaré, a gestão municipal realiza trabalhos de conscientização com os visitantes. “Estamos com um problema sério em relação ao lixo aqui na praia, então a Secretaria de Turismo, através do governo municipal, teve essa iniciativa de começar um trabalho de conscientização ambiental”, explica Cícero José dos Santos, secretário do Turismo da cidade.

Mais adiante, em São José da Coroa Grande, o secretário de governo do município, Emerson Barbosa, explica que a demanda é uma das prioridades da gestão. “A gente luta pelo saneamento da cidade porque é uma obra de grande porte. Esses pontos são controlados pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH)”, pontua.

Ler mais

Pernambuco tem mais de R$ 1 bilhão em obras de mobilidade urbana paralisadas em todo o Estado

Mais uma vez, a mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife foi a área mais prejudicada pelo descompasso da gestão pública em concluir as obras de infraestrutura. Por mais um ano, essa foi a constatação de um levantamento do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que aponta um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos somente com obras de corredores de transporte público – como o Sistema BRT pernambucano – que estão paralisadas ou com indícios de paralisação em 2024.

Considerando outras obras de infraestrutura, como abastecimento d´água, urbanismo, educação e recursos hídricos, por exemplo, o prejuízo para a população pernambucana chega a R$ 4,9 bilhões. Além disso, o levantamento 2024-2025 identificou um aumento de quase 5% no número de obras paralisadas ou com indícios de paralisação, em comparação ao período anterior (2023-2024).

Os maiores valores estão distribuídos entre as áreas de mobilidade urbana (R$ 916 milhões), abastecimento d’água (R$ 609 milhões), educação (R$487 milhões), recursos hídricos (R$ 430 milhões) e infraestrutura urbana (R$ 355 milhões). Some-se aos valores, pendências com requalificação de rodovias e ligações urbanas.

E, novamente, apesar da retomada pelo governo de Pernambuco de alguns projetos, um corredor de BRT previsto para a BR-101 e os corredores do Sistema BRT do Grande Recife – Norte-Sul e Leste-Oeste – lideram o ranking negativo do órgão de controle. Os três corredores, inclusive, deveriam estar prontos desde 2013 (ainda para a Copa do Mundo no Brasil de 2014) e, por isso, integram o levantamento do TCE-PE desde a primeira edição, ainda em 2014.

O que mais representou prejuízo aos cofres públicos é a adequação viária para construção de um corredor de BRT na BR-101, conectando os Terminais Integrados da Macaxeira (Recife) e de Cajueiro Seco (Jaboatão dos Guararapes), mas que depois foi engavetado pelo governo – ainda sob gestão do PSB – devido ao sistema de gás que existe sob o canteiro central da rodovia. Na sequência vêm os Corredores Norte-Sul e Leste-Oeste, que estão sendo finalizados pela atual gestão estadual, mas ainda têm muito o que avançar.

A reabilitação do pavimento e adequação da capacidade viária da BR-101, além da implantação do corredor de BRT, aparece com um contrato no valor de R$ 226 milhões. em seguida vêm o Corredor Norte-Sul (R$ 186 milhões) e o Leste-Oeste (R$ 168 milhões).

Ler mais

Novo secretário diz que a missão é acelerar entregas de obras de infraestrutura por todo o Estado

JC

O novo secretário de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco, André Teixeira Filho, no cargo há menos de 48 horas, garantiu que o governo de Pernambuco está atento aos problemas de infraestrutura do Aeroporto de Fernando de Noronha, que tem provocado vexame ao Estado com sequenciados afundamentos de aeronaves na pista de pouso, refeita recentemente.

O novo secretário detalhou o plano do governo para enfrentar esse desafio e argumentou que, apesar dos problemas, o aeroporto nunca tinha recebido a reforma que recebeu na gestão da governadora Raquel Lyra (PSD).

“Mesmo sendo uma “joia da coroa” de Pernambuco e do Brasil, a Ilha de Fernando de Noronha nunca havia passado por uma reforma de tamanha magnitude em seu aeroporto. Após uma paralisação dos voos a jatos em outubro de 2022, o projeto foi refeito, licitado e os voos de grandes aeronaves retomados no início deste ano. Isso precisa ser destacado”, afirmou.

André Teixeira esclareceu que os recentes afundamentos de duas aeronaves aconteceram em áreas que ainda não tinham recebido a obra principal. “A parte da pista de pouso e decolagem das aeronaves, que foi finalizada em março e possibilitou a retomada dos voos de grandes aeronaves, está funcionando normalmente e não apresenta problemas. Os incidentes aconteceram nas áreas de baliza e estacionamento, longe da pista principal”, pontuou.

No último domingo (29), um avião da GOL atolou após o asfalto ceder quando se preparava para decolar. Uma semana antes, em outra posição no mesmo pátio, uma aeronave da Azul já havia enfrentado problema semelhante, também prestes a decolar. Ambos os episódios levantaram questionamentos sobre a segurança operacional do aeroporto.

Segundo o novo secretário, o período chuvoso (abril, maio e junho) provocou a paralisação das obras, mas medidas emergenciais foram tomadas imediatamente. “Desde a semana retrasada, o primeiro buraco foi fechado com concreto, e o segundo está sendo fechado agora. Temos quinze toneladas de material, incluindo asfalto, que estão sendo embarcados para a ilha com o objetivo de realizar mais de 2.000 m² de serviços emergenciais”, garantiu.

A previsão é que esses trabalhos emergenciais comecem a ser realizados na segunda ou terça-feira (07 ou 08) e garantam a segurança das áreas afetadas até a sexta-feira (11). A obra principal do aeroporto será retomada a partir da segunda quinzena de julho, quando as chuvas reduzirem. A área do pátio deve ser finalizada entre 30 e 60 dias, com previsão de conclusão em setembro. A expectativa é que toda a obra planejada para a ilha seja finalizada entre março e abril de 2026, incluindo o início da obra do terminal em paralelo.

Ler mais