
Foi assim. No dia 05 de junho de 2006, o presidente Luís Inácio Lula da Silva esteve na cidade de Missão Velha, no interior do Ceará, para dar início às obras da Ferrovia Transnordestina, uma estrada de ferro constituída de dois grandes eixos que ligariam o interior do Piauí aos portos de Pecém, na Região Metropolitana do Ceará, e de Suape, na Zona Sul do Grande Recife. Lula acreditava que no segundo mandato que se encerraria em 2010 ele poderia entregar a ferrovia de 1750 quilômetros chegando aos dois maiores portos do Nordeste.
Lula saiu do governo em 2010 e, quando voltou em 2023, deparou-se com um problema que jamais imaginara. Depois que, numa ação articulada pelos governadores Wellington Dias (PI) e Camilo Santana (CE), o Ministério do Interior, no governo Bolsonaro , simplesmente retirou trecho que ligava a ferrovia ao Porto de Suape, sem que o então governador de Pernambuco sequer fosse informado do termo aditivo.
Se Paulo Câmara sabia da articulação, a história mostra que ele não tomou qualquer atitude. Raquel Lyra, que o sucedeu, tomou conhecimento quando, numa de suas viagens ao Brasil, soube da homologação do documento assinado em 22 de dezembro de 2022 pelo Ministério do Interior, pelo Tribunal de Contas e por vários órgãos do governo federal.
Protestos de Raquel Lyra
Raquel Lyra até protestou. Denunciou a articulação e foi pedir ajuda ao presidente, que disse não saber da cisão e lhe prometeu reativar o trecho, como obra pública, com a perspectiva de que, sendo construído, pudesse ser oferecido ao setor privado.
Decorridos quase quatro anos, nenhum dormente foi assentado no lado pernambucano. Embora a governadora tenha esperanças de que ano que vem a Infra S.A., a estatal que sucedeu a Valec, coloque gente no canteiro de obras.
A ferrovia sonhada por Lula virou um case de atrasos, obras se arrastando e uma competente articulação da classe política do Ceará que decidiu ir à luta quando, em 2016, a obra parou por denúncias de irregularidades que duraram até 2022. E quando a assinatura do termo aditivo que excluiu Pernambuco fez a União voltar a colocar dinheiro no projeto.
Dificuldades da CSN
Com a crise e as dificuldades do grupo CSN do empresário Benjamin Steinbruch, a obra deixou de receber recursos públicos via Sudene e do BNB. Embora esta seja uma obra de governo não se pode deixar de reconhecer que a Transnordestina Logística S.A é o resultado de uma construção bem-sucedida da estratégia do empresário.
A primeira cautelar, expedida em 2016, proibiu a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias; o Finor; o FNE; o FDNE; o BNDES; e o BNDESPar a destinarem recursos, a qualquer título, para as obras de construção da ferrovia Nova Transnordestina. A cautelar foi revogada em razão da apresentação dos projetos executivo e orçamentário.


















