
Estadão
Ministros de diferentes alas no Supremo Tribunal Federal (STF) aumentaram a pressão sobre o presidente, Edson Fachin, para que seja adiado o julgamento sobre indícios de que Alexandre de Moraes mantinha relação suspeita com o banqueiro Daniel Vorcaro. Fachin não sucumbiu aos apelos dos colegas e manteve a sessão agendada para a esta terça-feira (15).
Os pedidos foram feitos não apenas por aliados de Moraes, mas também por ministros que votariam a favor da abertura de investigação contra o colega. Na avaliação de parte dos integrantes da Corte, o caso vai inflamar ainda mais o ambiente político do País às vésperas das eleições presidenciais. A alternativa seria realizar o julgamento a partir de novembro.
Diante da resistência de Fachin, ministros próximos de Moraes planejam um pedido de vista logo no início da sessão, antes de qualquer ministro proferir um voto. Portanto, a expectativa é que, embora seja um julgamento com potencial para acirrar os ânimos dos ministros em discussões pesadas, o mais provável é que a sessão seja breve.
Mesmo um pedido de vista pode não ser capaz de evitar que a sessão seja palco de discussões ásperas. Isso porque ministros do grupo de André Mendonça podem antecipar os votos – o que pode ensejar a necessidade de contestação da ala oposta.
A pressão contra Fachin foi manifestada em uma guerra de ofícios que tomou conta do tribunal nos últimos dias. Aliados de Moraes pediram acesso à íntegra das investigações sobre o Banco Master, de relatoria de Mendonça. O relator, por sua vez, liberou apenas parte dos documentos. Explicou que a divulgação de todos eles poderia prejudicar as investigações. Em resposta, o grupo de Moraes acusou Mendonça de divulgação seletiva do material.



