Greve da Caixa Econômica trava financiamentos e deixa corretores sem receber comissões

DISTORÇÃO - Fila na Caixa para sacar o FGTS em 2022: uso eleitoral do fundo é recorrente

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal começa a provocar um efeito em cadeia no mercado imobiliário. Financiamentos que aguardam análise, assinatura ou liberação de recursos ficam represados e impedem que o dinheiro chegue a vendedores e incorporadoras. Na outra ponta, corretores que já concluíram as vendas também podem ficar sem receber suas comissões enquanto a operação não é finalizada.

O problema ocorre porque diferentes etapas do financiamento imobiliário ainda dependem da análise ou validação interna do banco. Entre elas estão a aprovação do crédito, a conferência dos documentos do comprador e do imóvel, análises de conformidade, assinatura do contrato e, depois do registro em cartório, a autorização para que os recursos sejam liberados. “Uma greve não significa necessariamente que 100% do processo fique parado; significa que a capacidade de processamento diminui e começa a haver formação de filas justamente nesses pontos de controle”, explica André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), afirma que os efeitos já são percebidos pelos profissionais. Segundo ele, o problema não está restrito a São Paulo e também foi relatado por representantes da categoria em outros estados. “Não está sendo feita nenhuma liberação dos recursos de processos que já estavam aprovados. Não tem como dar entrada em novos processos”, afirma. Segundo Viana, há agências em que a adesão de gerentes à paralisação também prejudica o atendimento presencial.

A paralisação também atinge diretamente a remuneração dos corretores. Viana explica que, em uma venda financiada, o pagamento dos honorários ocorre quando o recurso é liberado na conta do vendedor. Sem o processamento pelo banco, o incorporador ou proprietário não recebe o dinheiro e, consequentemente, não consegue fazer o pagamento ao profissional responsável pela intermediação.  “Está sendo realmente uma grande dificuldade, um baque muito forte, porque mexe direto no nosso faturamento”, diz o presidente do Creci-SP.

A paralisação ganha peso especialmente no Minha Casa, Minha Vida pela concentração dos financiamentos habitacionais populares na Caixa. “O Minha Casa, Minha Vida pode sentir impactos relevantes porque a Caixa possui uma participação histórica muito importante no financiamento habitacional popular e concentra uma grande quantidade de operações desse segmento”, explica Friggi.

A possibilidade de simplesmente procurar outro banco também é menor nesse segmento. Em faixas de renda mais altas, o comprador pode ter mais alternativas de financiamento, enquanto no Minha Casa, Minha Vida a dependência da Caixa é maior.