Empresário pernambucano apresenta agropecuária do estado em seminário na China

Seminário sobre Construção das Infraestruturas nos Países de Língua Portuguesa foi realizado entre os dias 7 a 26 de setembro, na província de Fujian, na China

O setor agropecuário pernambucano esteve presente no Seminário sobre Construção das Infraestruturas nos Países de Língua Portuguesa, realizado na província de Fujian, na cidade de Fuzhou, no Sudeste do país asiático. O evento é uma iniciativa de intercâmbio e cooperação econômica realizada na China e em articulação com plataformas como o Fórum de Macau, com foco no financiamento e desenvolvimento de projetos de infraestrutura.

A convite do Consulado da China em São Paulo, o empresário pernambucano Renato Buarque de Gusmão, da Agropecuária Dois Irmãos, participou do evento e teve a oportunidade de apresentar, no penúltimo dia de atividades, um panorama da agropecuária em Pernambuco, destacando a produção de cana-de-açúcar, a pecuária de corte, a distribuição regional das atividades e os desafios de abastecimento do estado.

“A China hoje vem fazendo parcerias em diversas áreas com países que foram colônias de Portugal, assim como também com Portugal. Tivemos bastante troca entre os países convidados de língua portuguesa. Então, a gente pôde fazer uma troca de experiências de como é a atividade em cada país”, relatou o empresário.

Números

Em sua apresentação, o empresário detalhou o setor da agricultura e cana-de-açúcar, principal lavoura de Pernambuco, representando 34,5% da produção agrícola estadual em 2024 (R$ 2,75 bilhões em valor). Para a safra 2026/27, a Conab projeta uma produção de 13,6 milhões de toneladas de cana, com geração estimada em 910 mil toneladas de açúcar e 390 milhões de litros de etanol, gerando de R$ 4,0 a R$ 4,4 bilhões por ano.

Além disso, Renato Buarque demonstrou os subprodutos valiosos gerados pela cadeia, como bagaço (R$ 150 milhões a 250 milhões) e melaço (R$ 100 milhões a 200 milhões) e outras vocações produtivas do estado como milho, feijão, mandioca, frutas e hortaliças. O empresário falou, ainda, sobre o setor da pecuária de corte, que se concentra no Sertão e no Agreste de Pernambuco e o desafio do déficit de abastecimento.

“Com uma população estimada em 9,58 milhões de habitantes para 2026 e consumo anual de 33,6 kg de carne por habitante, a demanda estadual é de cerca de 322 mil toneladas por ano. A produção local cobre apenas 39,7% desse consumo, exigindo que 60,3% (cerca de 194.204 toneladas ou 1,30 milhão de bois de 20 arrobas) venham de fora do estado”, detalhou o empresário.

Impacto do setor

Renato Buarque detalhou em sua apresentação as vocações produtivas de Pernambuco em cada região, com a produção histórica da cana-de-açúcar na Zona da Mata; a pecuária leiteira e de corte, além da agricultura familiar no Agreste e pecuária extensiva e fruticultura irrigada no Sertão, destacando as inovações que contribuem com a produção como a mecanização, irrigação tecnificada no Sertão, softwares de gestão e tecnologias de rastreamento animal.

Tais atividades produziram, em 2024, um impacto de R$ 288,67 bilhões (+4,9%) no PIB de Pernambuco. “Embora a agropecuária represente 5% do PIB estadual (atrás de serviços com 75% e indústria com 20%), o setor cresceu 11,5% em 2024, impulsionado pela pecuária, consolidando-se como o de maior dinamismo recente”, detalhou.

“Apresentei os números, a evolução que a gente tem tido com relação à comercialização, principalmente da carne bovina na China, e eu tive um retorno muito bom com relação aos números que foram apresentados e a perspectiva que o setor tem com essa abertura do comércio para a China”, comemorou Renato Buarque de Gusmão.

O Seminário 

Com a meta de promover o intercâmbio técnico, a conectividade e novas oportunidades de financiamento para obras públicas e projetos estratégicos entre a China e países de língua lusófona, o Seminário sobre Construção das Infraestruturas nos Países de Língua Portuguesa reuniu especialistas e empresários do Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal e Guiné-Bissau e Cabo Verde.