43 – SEXTOU POÉTICO – As Quatro Velas… – Dedé Monteiro

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el –  Hoje o brilho fica mais intenso, vamos trazer para galeria o genial Dedé Monteiro.

Papa – José Rufino da Costa Neto (Dedé Monteiro), nasceu no dia 13 de setembro de 1926 no sítio Barro Branco, de Tabira (PE), é reconhecido com merecimento como um dos maiores nomes entre os poetas nordestinos. Extraímos duas árvores abaixo da rica floresta poética do nosso “Papa da Poesia’, “Patrimônio Vivo de Pernambuco” e “Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)”. Os sonetos “As Quatro Velas” e “Soneto de Revolta” podem integrar qualquer obra que mencione este estilo. Uma particularidade de Dedé Monteiro é, com absoluta certeza, o poeta que mais li e declamei.

 

Quatro velas ardiam sobre a mesa,

E falavam da vida e tudo o mais.

A primeira, tristonha: “Eu sou a Paz,

Mas o mundo não quer me ver acesa…”

 

A segunda, em soluços desiguais:

“Sou a Fé! Mas é triste a minha empresa:

Nem de Deus se respeita a Realeza…

Sou supérflua, meu fogo se desfaz…”

 

A terceira sussurra, já sem cor:

“Estou triste também, eu sou o Amor…

Mas perdi o fulgor como vocês…”

 

Foi a vez da Esperança – A Quarta Vela:

“Não desiste ninguém, que a vida é bela!

E acendeu novamente as outras três!

 

Que culpa tenho de ser diferente?

Amar as artes, por ventura, é crime?

Tudo é mutável , e o irreverente

Não se acostuma com qualquer regime.

 

Contra a vontade rude e indiferente,

Eu sou amante do sagrado time

Que empresta a alma, sofre, cria e sente,

E se sente nojo do poder que oprime.

 

Aprendam isso: gente não doma.

Pichem meu nome, rasguem meu diploma…

Aceito tudo com tranquilidade.

 

Se acharem pouco, cubram-me de lodo,

Cortem meu riso, me excomunguem todo,

Mas não me toquem na dignidade!