Três medidas para criar portas de saída do Bolsa Família

Bolsa Família

VEJA Negócios

Na reta final da campanha presidencial, os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) intensificaram as tentativas de atrair os votos dos beneficiários do Bolsa Família, programa social que atende a 49 milhões de brasileiros. Segundo a pesquisa BTG/Pactual divulgada na segunda-feira (19), o senador cresceu 6,7 pontos percentuais na intenção de voto entre esses eleitores. Já Lula oscilou 1,3 ponto percentual para baixo.

Na própria segunda-feira, o governo iniciou os pagamentos antecipados dos novos valores do benefício, que recebeu reajuste anunciado um pouco antes do primeiro turno da eleição. No mesmo dia, Daniela Marques, assessora econômica de Flávio, defendeu uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguirem emprego ou aumentarem a renda de outra forma, sem deixar de receber os pagamentos.

A discussão sobre como aprimorar o programa social, portanto, foi incorporada à campanha. O sucesso do Bolsa Família não deve ser medido apenas pelo número de pessoas que deixam de receber o benefício, mas pela capacidade de ajudá-las a construir uma vida que dispense o auxílio. Cortar uma transferência de renda não elimina as condições que fizeram uma família precisar dela. Para transformar proteção social em autonomia, é necessário enfrentar os obstáculos que impedem os mais pobres de estudar, trabalhar e melhorar de vida.

VEJA Negócios aponta três medidas que podem ser adotadas para abrir portas de saída para os beneficiários do Bolsa Família: usar inteligência de dados para conhecer melhor as famílias, conectar a qualificação às oportunidades de emprego e tornar mais segura a transição para fora do benefício.

O ponto de partida é reconhecer o que já funciona. O Bolsa Família aliviou a pobreza e vinculou a transferência de recursos à frequência escolar e ao acompanhamento de saúde das crianças. Também não é correto tratar a permanência no programa como um destino inevitável: seis em cada dez brasileiros que receberam o benefício na infância e na adolescência conseguiram sair do cadastro na passagem para a vida adulta. O desafio, portanto, é acelerar a mobilidade social, não desmontar a rede de proteção.

A seguir estão as três medidas sugeridas, com base nas reportagens:

1- Usar o Cadastro Único para otimizar o atendimento às famílias

A primeira medida é transformar o Cadastro Único em algo mais útil do que uma porta de entrada para benefícios. Um registro detalhado das condições de cada família permitiria identificar não apenas quem precisa de dinheiro, mas quais serviços são necessários para que seus integrantes consigam aumentar a própria renda. Isso exige tecnologia e qualificação dos profissionais da assistência social responsáveis pela coleta das informações.

Como explicou o economista Ricardo Henriques, que chefiou o desenho e a implantação do Bolsa Família em 2003, famílias com renda semelhante podem enfrentar dificuldades inteiramente diferentes. Uma mulher submetida à violência doméstica, um jovem que abandona a escola para cuidar de um irmão e uma família atingida pela dependência de drogas não precisam da mesma combinação de políticas públicas. Tratar essas situações apenas como insuficiência de renda limita o alcance da ação do Estado.

O cadastro aprimorado deve servir para articular assistência, saúde, educação e outras políticas conforme as necessidades de cada núcleo familiar. Para Henriques, o ganho está na coordenação: organizar a oferta a partir do cidadão, e não da divisão administrativa entre secretarias e governos. Sua avaliação é que há espaço para aumentar a eficiência dos serviços existentes sem necessariamente ampliar os orçamentos.

2- Vincular a qualificação profissional a empregos reais

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Governo tira 2,8 milhões de beneficiários do Bolsa Família das bets; 900 mil já saíram voluntariamente

Bets

Um total de 2,8 milhões de brasileiros que recebem Bolsa Família ou o Benefícios de Prestação Continuada (BPC), os dois principais programas de auxílio à pobreza no país, foram bloqueados das plataformas de apostas online, as bets, de acordo com um novo levantamento feito pelo Ministério da Fazenda.

Trata-se de uma medida que segue uma decisão do fim de 2024 do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que o governo implementasse medidas para coibir a participação dos beneficiários de programa social nas plataformas de aposta. O pente-fino feito pela Fazenda vem poucos dias depois do novo conjunto de regras do governo que endurece a publicidade das bets no Brasil. Elas foram publicadas nesta semana e passam a valer a partir de 17 de julho.

O Bolsa Família e o BPC, somados, são pagos a 25 milhões de pessoas. Os beneficiários já são proibidos, desde um conjunto de novas normas feitas pela Fazenda no ano passado, de fazer ou possuir cadastro nas bets. O novo bloqueio diz respeito às 2,8 milhões de contas que ainda permaneciam ativas.

Exclusão voluntária

O Ministério da Fazenda também informa que, além destes, já passou dos 900.000 o número de pessoas, tanto de dentro quanto de fora dos programas, que pediram voluntariamente a sua exclusão dessas plataformas. Isso pode ser feito por meio da plataforma de autoexclusão, lançada pelo próprio ministério no fim do ano passado.

Por meio dela, qualquer pessoa pode pedir que seu CPF fique bloqueado para cadastros nos aplicativos e sites de apostas. A medida alcança todas as plataformas que são regularizadas no país. O período de duração do bloqueio pode ser decidido e administrado pelo próprio usuário. A autoexclusão das bets pode ser feita pela internet, usando a conta gov.br. Atualmente, há 925.000 pessoas com o CPF bloqueado nas bets por meio da plataforma de autoexclusão, de acordo com a Fazenda.

15% do Bolsa Família em bets

Um levantamento feito pelo Banco Central em 2024 mostrou que, em um mês, cerca de 5 milhões pertencentes a famílias beneficiárias do Bolsa Família fizeram alguma aposta online, movimentando 3 bilhões de reais, considerados pagamentos para as apostas feitos apenas por meio do Pix.

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Calendário de pagamentos do Bolsa Família 2026 em fevereiro começa hoje

DISTORÇÃO - Cartão do Bolsa Família: o programa reduziu artificialmente o desemprego

O calendário de pagamentos do Bolsa Família em fevereiro começa a partir de hoje (12), e segue até o dia 27. Os repasses serão efetuados pela Caixa Econômica Federal de acordo com o último dígito do Número de Identificação Social (NIS), de forma que os beneficiários com último dígito 1 recebem primeiro, os beneficiários com dígito 2 recebem no segundo dia do calendário e, assim, sucessivamente. Os beneficiários com dígito 0 recebem por último. As datas dos pagamentos no mês de fevereiro foram ajustadas para garantirem que todas as famílias recebam até o dia 27, já que é um mês mais curto e com o período do Carnaval.

O valor mínimo transferido pelo Bolsa Família é de R$ 600 por domicílio. Mais de 18,77 milhões de famílias em todo o país receberam o benefício no mês de janeiro.

Calendário do Bolsa Família em fevereiro:

  • 12/02: Final do NIS 1
  • 13/02: Final do NIS 2
  • 18/02: Final do NIS 3
  • 19/02: Final do NIS 4
  • 20/02: Final do NIS 5
  • 23/02: Final do NIS 6
  • 24/02: Final do NIS 7
  • 25/02: Final do NIS 8
  • 26/02: Final do NIS 9
  • 27/02: Final do NIS 0

Quem tem direito ao Bolsa Família?

A principal regra do programa é que a renda de cada pessoa da família seja de, no máximo R$ 218 por mês. Ou seja, a renda somada da família não pode exceder esse valor por cada integrante. Caso esteja nesta situação, a pessoa pode receber o Bolsa Família mesmo se trabalhar com carteira assinada, for Microempreendedor Individual (MEI) ou se tiver alguma outra renda.

As pessoas que têm direito ao benefício devem cumprir requisitos como: manter crianças e adolescentes na escola, fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes) e manter as carteiras de vacinação atualizadas.

Como se cadastrar no Bolsa Família?

Os interessados devem realizar o Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal e aguardar uma análise do perfil para saber se enquadra nos requisitos do programa Bolsa Família ou não. O CadÚnico é um instrumento do governo para reunir informações sobre as famílias de baixa renda. Devem estar cadastradas as famílias que ganham até meio salário mínimo por pessoa ou que ganham até 3 salários mínimos de renda mensal ​total. As inscrições no CadÚnico podem ser feitas na unidade do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), mais próxima.

Benefícios do Bolsa Família:

Benefício de Renda de Cidadania (BRC) – R$ 142,00 por integrante da família, destinado a todas as famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família;

Benefício Complementar (BCO) – pago às famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família que receberem, na soma dos benefícios de Renda de Cidadania vinculados à família, valor inferior a R$ 600,00 (seiscentos reais), calculado pela diferença entre esses dois valores;

Benefício Primeira Infância (BPI) – R$ 150,00 por criança, destinado às famílias beneficiárias que possuírem, em sua composição, crianças com idade entre 0 e 7 anos incompletos;

Benefício Variável Familiar (BVF) – R$ 50,00 destinado às famílias beneficiárias que possuam, em sua composição gestantes, nutrizes ou crianças e adolescentes com idade entre 7 e 18 anos incompletos, pago por cada integrante que se insira em uma dessas situações;

Benefício Extraordinário de Transição (BET) – pago exclusivamente às famílias que já eram beneficiárias do Programa em maio de 2023 (primeiro mês de vigência da nova cesta de benefícios), e que tiveram valor total de benefício calculado a menor na folha de pagamentos do mês de junho de 2023. O BET tem a finalidade de garantir que, no momento da migração dos Programas, nenhuma família recebesse valor menor do que recebia anteriormente. Ele será pago enquanto essa condição se mantiver, respeitadas as alterações naturais de valores que possam ocorrer a partir das características de composição familiar e renda das famílias e do cumprimento de todas as demais regras do Programa Bolsa Família.

Calendário do Bolsa Família em 2026:

  • Janeiro: de 19/01 a 30/01;
  • Fevereiro: de 12/02 a 27/02;
  • Março: de 18/03 a 31/03;
  • Abril: de 16/04 a 30/04;
  • Maio: de 18/05 a 29/05;
  • Junho: de 17/06 a 30/06;
  • Julho: de 20/07 a 31/07;
  • Agosto: de 18/08 a 31/08;
  • Setembro: de 17/09 a 30/09;
  • Outubro: de 19/10 a 30/10;
  • Novembro: de 16/11 a 30/11;
  • Dezembro: de 10/12 a 23/12.