
Por Emannuel Bento/JC
Há 20 anos, uma iniciativa de transformação social pela arte nasceu na Bomba do Hemetério, bairro da periferia da Zona Norte do Recife, que é um celeiro de manifestações culturais. A Orquestra Popular da Bomba do Hemetério nasceu de um amadurecimento do Escola de Música da Bomba do Hemetério, ambos capitaneados por Maestro Forró, nascido e criado por lá. Atravessando duas décadas com formação quase intacta, o projeto celebrará a marca nesta quarta-feira (09), quando também será comemorado o Dia do Frevo, a partir das 19h.
Um show inédito será transmitido pelo canal do YouTube do Paço do Frevo, que também está completando oito anos de inaugurado com uma programação que irá durar todo o mês de fevereiro. Uma comemoração tripla. A apresentação será posteriormente disponibilizada no Youtube do Maestro Forró.
O show especial irá trazer um grande mix do repertório da Orquestra Popular, com músicas de álbuns como “Jorrando Cultura” e “#CabeçaNoMundo”, que ganhou o Prêmio da Música Brasileira em 2013, um dos grandes feitos do projeto, além das participações em eventos como Festival del Caribe, em Santiago, o Brazilian Day, entre outros.
Integram o repertório da live-show canções como “Frevando em Bomba do Hemetério”, “Luanda d’Agora” e “Tô Doidão”, além do lançamento “Pra Tirar Coco”, uma releitura do cearense Messias Holanda. A live contará com participações especiais do compositor Getúlio Cavalcanti, Caniball e o professor e passista Ferreirinha.
“A gente está super feliz e agradecido ao universo por essa trajetória. Chegamos em alguns lugares esperados, mas outros foram uma surpresa, como o Prêmio da Música Brasileira e as viagens por parte do mundo. Somos 27 pessoas e viajamos o Brasil praticamente todo”, diz Maestro Forró. Ele antecipa que a Orquestra realizará outros eventos para comemorar durante o ano.
“Em 2002, o frevo estava virando uma peça de museu, intocável. A orquestra surgiu como resultado de um trabalho de pesquisa, manutenção, releitura e interação, que é a parte que eu mais gosto. Mixar, liquidificar sons. Partimos do princípio que somos filhos de um só universo”, reflete o músico.
Forró acredita que a Orquestra Popular acabou movimentando até mesmo o âmbito mercadológica do frevo. “Isso foi muito positivo, mexer em estruturas, mas sempre com base na educação, na autoformação. A gente começou fazendo laboratórios, porém estudando muito o que iríamos fazer depois. Com muito amor, disciplina e estudo”.







