UM TOQUE DE SAUDADE

Por Naldinho Rodrigues*

Falaremos hoje de Martha Vieira Figueiredo Cunha, a Martinha. Mineira de Belo Horizonte, Martinha nasceu no dia 30 de junho de 1947. É uma cantora e compositora apelidada de “queijinho de minas” por Roberto Carlos. Ao longo de sua carreira. Iniciada em 1966 e feita no Brasil e no exterior, gravou 23 LPs, que somaram três milhões de cópias vendidas.

Martinha destacou-se na jovem guarda participando de programas musicais e de entrevistas nas mais importantes emissoras de televisão. Seu grande sucesso foi “Eu daria minha vida”, gravado em 1968. A canção também ganhou a interpretação de Roberto Carlos, além de mais  outras 4 mil gravações. Ao longo de sua carreira, iniciada em 1966, alcançou grande êxito na América Latina com canções como “Hoy daria yo la vida”, “Lueve”, “Aqui”, “Água Caliente”, “Secretos”, entre outras.

Ganhou todos os prêmios possíveis no país, e muitos outros no exterior como compositora. Conseguiu grande êxito, tanto com cantores da jovem guarda como com os sertanejos. Martinha é uma celebridade. O nome artístico com o qual vem fazendo fama desde 1967, ela raramente sai de casa e passa boa parte dos dias com a família ou compondo. Quando vai às compras ou comer fora, porém, não escapa dos antigos e novos fãs.

Com apenas 4 anos, Martinha começou os estudos de piano e balé clássico. Aos 19 anos, foi apresentada a Roberto Carlos, que a colocou no meio artístico. A carreira fulminante inclui 20 LPs, 8 deles gravados no exterior. Além de grande sucesso na jovem guarda, Martinha marcou seu nome nos Estados Unidos, Espanha e Venezuela.

Trazida por Roberto Carlos de Minas Gerais se apresentou diversas vezes no programa jovem guarda, gravando o primeiro Compacto em 1966. Seu grande sucesso, “Eu daria minha vida”, foi gravado por Roberto Carlos e incluído em seu LP “San Remo 1968″. Outras composições de Martinha, gravadas por ela mesma, são “Barra Limpa” e “Eu te amo mesmo assim”.

A vida pessoal pacata, porém , não reflete o aspecto profissional de Martinha. Ela participou do projeto jovem guarda, junto com Silvinha (já falecida) e outros da época, ainda faz shows em todo o país e se dedica a outros trabalhos. “Meu forte é compor”. diz.

Com o declínio da jovem guarda, assim como Roberto Carlos, Martinha passou a utilizar em seu repertório músicas românticas. Ao longo da década de 1970 participou de festivais internacionais em vários países da América Latina. Dessa nova fase de sua carreira, destacaram-se as canções “Vai ser assim”, de sua autoria e lançada em 1970, e “Pouco a Pouco”, em parceria com Cesar Augusto, sucesso de 1983.

como compositora teve músicas gravadas por intérpretes como Angela Maria, Moacyr Franco, Wanderley Cardoso, Perla, Leno, Paulo Sérgio e Ronnie Von. Ao longo da década de 1990, passou a compor para duplas sertanejas como Leandro e Leonardo e Chitãozinho e Xororó.

No início dos anos 2000, passou a viver numa granja, na região da grande São Paulo. A cantora atualmente reside na cidade de São Paulo. Foram muitos sucessos, mas o primeiro ninguém esquece…EU DARIA MINHA VIDA.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Inscrições para o Prêmio Palhaço Cascudo, da Secult-PE, foram prorrogadas até a próxima sexta-feira (18)

As inscrições para o Prêmio Palhaço Cascudo de Incentivo às Artes Circenses, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE), foram prorrogadas até a próxima sexta-feira (18), às 17h59. As pessoas interessadas devem ficar atentas: a habilitação para concorrer à premiação deve ser feita exclusivamente pelo Mapa Cultural de Pernambuco. Para se inscrever, é preciso estar com o cadastro na plataforma atualizado e preencher o formulário disponível no link www.mapacultural.pe.gov.br/projeto/889.

Com o novo cronograma do edital (clique Aqui e confira), o resultado final será divulgado no dia 27 de março de 2022. Ao todo, serão 30 premiações de R$ 5 mil cada, totalizando R$ 150 mil.

“O circo é um patrimônio afetivo da cultura do nosso povo e esse prêmio é uma celebração ao artista circense e ao seu processo contínuo de criação, saberes e fazeres”, destaca o secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto.

Segundo Jorge Clésio, assessor de Circo da Secult-PE, “o prêmio tem como objetivo reconhecer e valorizar as práticas artísticas de criação e fruição, de transmissão de saberes e fazeres, de sustentabilidade e preservação da memória de artistas e expressões circenses”

Prêmio  

A premiação está estruturada da seguinte forma: na Faixa 1, serão dez prêmios de R$ 5 mil (totalizando R$ 50 mil) destinados aos circenses com trabalhos artísticos na área da criação e difusão na linguagem do Circo; na Faixa 2, dez prêmios de R$ 5 mil (totalizando R$ 50 mil) destinados aos circenses com trabalhos de formação, pesquisa, mapeamento, ação educativa, repasse do saber e do fazer, na linguagem do Circo.

Já na Faixa 3, serão dez prêmios também de R$ 5 mil (totalizando R$ 50 mil), destinados aos profissionais da área técnica circense tais como: capatazia, barreira, montagem da lona/equipamentos, criação e execução de figurino, maquiagem, iluminação, sonoplastia, segurança dos aparelhos/estrutura física.

Dúvidas ou informações podem ser esclarecidas por meio do Atendimento via WhatsApp (81) 3184.3018 ou pelo e-mail assessoriadeartescircenses@secult.pe.gov.br.

Celebridades esquecidas

Por Maria Lúcia de Araújo Nogueira*

No cemitério São Judas Tadeu, na cidade de Afogados da Ingazeira, não sei onde estão. Só sei que passeando entre covas apertadas, vou olhando cruzes e grades na esperança de ler, numa inscrição de um túmulo qualquer, o nome de antigos moradores da cidade que a memória busca resgatar.

Desmantelo, aquele que andava desmantelado, daí o nome, filho dileto de Antônio Sebinho e que merece uma açucena de lembrança.

Quero por uma vela no chão bruto onde estão os restos mortais de Pedro “Malavaia” (mala velha), aquele que andava com um saco nas costas cheio de catrevagens. Era o terror das crianças.

Onde estão os ossos de Zé Doído? Aquele que era brabo e imprevisível.

Quero adornar a cova de Coqueirão, aquela que em vida foi a mais adornada das mulheres?

Que andava pintada, arrumada, sempre com um girassol em cima do peito esquerdo.

E Dom João, aquele ancião, gordinho, cabelos grisalhos, com uma chapa de ferro na boca, cajado para ajudá-lo a andar, posto que era cego. Para você, afogadense, minhas orações.

Júlio Barrão, onde estão seus ossos, que articulados perambulavam nas ruas da cidade?

E Zé de Filó, também conhecido como “Sovaquinho de Ouro”, apelido que ele não aceitava. Era jogador de futebol. Que Deus o tenha junto D’ele.

E continuando o passeio, onde a vida se cala, procuro pela cova de Lorde, aquele que andava na ponta dos pés? Gostava de água que passarinho não bebe. Será que está em paz?

Para Relógio, dizia-se que era tão feio, que quando passava o relógio parava. O relógio não parou quando ele se foi.

E a velha Da Luz? Negra que botava água nas casas da cidade. Era da época dos escravos. Na velhice ficou demente, por isto sua zanga quando era perturbada por crianças e adultos.

E onde está Zé Pretinho, aquele que subia e descia ladeiras e ruas, falava e gesticula sozinho.

Onde estão tantos conterrâneos esquecidos na nossa memória?

O tempo, às vezes, insiste em nos fazer lembrar de pessoas que passaram por nossa vida e de certa forma fizeram parte dela, talvez na intenção de nos mostrar que devemos por eles orar, pois o lugar onde estão é o único local certo para onde todos nós iremos um dia.

*Maria Lúcia de Araújo Nogueira é Poetisa, Advogada e funcionária aposentada do Banco do Brasil. Escreveu essa crônica em 12 de outubro de 2006.

UM TOQUE DE SAUDADES

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso homenageado de hoje é um dos maiores intérpretes do nosso querido Brasil. Claudio Roberto D’Lasi, conhecido artisticamente apenas como Claudio Roberto. Nasceu na cidade de São Paulo, no dia 9 de setembro de 1944.

Claudio Roberto participou da jovem guarda, e interpretou grandes sucessos, como “Meu coração que te amava tanto”, “Separados”, “Onde está você”, “Como é que eu posso ser feliz sem você” “Que sejas feliz”, “Parabéns, parabéns querida”, entre outras canções.

Claudio Roberto gravou mais de 24 discos, em mais de 40 anos de carreira que somaram aproximadamente seis milhões de cópias vendidas. Foi laureado com os mais importantes troféus da música popular brasileira e recebeu um diploma de “Ídolo da Juventude” no programa Discoteca do Chacrinha. Claudio Roberto estourou nas paradas de sucessos de todo o país com a música Parabéns, parabéns querida, RM 1973.

Em 2006 participou e foi um dos finalistas do programa Rei Majestade do SBT com a interpretação da música “Como vai você” de Antonio Marcos, com quem teve uma amizade forte, e que faleceu em 1992. Claudio Roberto é um daqueles cantores que arrebentam com o coração da pessoa apaixonada. Estilo romântico, sempre esteve no auge gravando músicas que agradaram a grande maioria ligada ao romantismo.

Atualmente, Claudio Roberto mora em São Paulo com a família e concilia a carreira de cantor com a de pintor de quadros, já tendo feito várias exposições no Brasil.

Não precisa se estender muito para falar no talento e na categoria do baixinho, mas um gigante chamado Claudio Roberto, o cantor que conseguiu arrebentar com muitos corações apaixonados nas décadas de 60 e 70.

E foi justamente em 1973 que ele gravou o seu maior sucesso. Curta, goste e mate as saudades da música… Parabéns, parabéns querida.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, do Recife, celebra 20 anos como resultado da transformação social pela cultura

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Por Emannuel Bento/JC

Há 20 anos, uma iniciativa de transformação social pela arte nasceu na Bomba do Hemetério, bairro da periferia da Zona Norte do Recife, que é um celeiro de manifestações culturais. A Orquestra Popular da Bomba do Hemetério nasceu de um amadurecimento do Escola de Música da Bomba do Hemetério, ambos capitaneados por Maestro Forró, nascido e criado por lá. Atravessando duas décadas com formação quase intacta, o projeto celebrará a marca nesta quarta-feira (09), quando também será comemorado o Dia do Frevo, a partir das 19h.

Um show inédito será transmitido pelo canal do YouTube do Paço do Frevo, que também está completando oito anos de inaugurado com uma programação que irá durar todo o mês de fevereiro. Uma comemoração tripla. A apresentação será posteriormente disponibilizada no Youtube do Maestro Forró.

O show especial irá trazer um grande mix do repertório da Orquestra Popular, com músicas de álbuns como “Jorrando Cultura” e “#CabeçaNoMundo”, que ganhou o Prêmio da Música Brasileira em 2013, um dos grandes feitos do projeto, além das participações em eventos como Festival del Caribe, em Santiago, o Brazilian Day, entre outros.

Integram o repertório da live-show canções como “Frevando em Bomba do Hemetério”, “Luanda d’Agora” e “Tô Doidão”, além do lançamento “Pra Tirar Coco”, uma releitura do cearense Messias Holanda. A live contará com participações especiais do compositor Getúlio Cavalcanti, Caniball e o professor e passista Ferreirinha.

“A gente está super feliz e agradecido ao universo por essa trajetória. Chegamos em alguns lugares esperados, mas outros foram uma surpresa, como o Prêmio da Música Brasileira e as viagens por parte do mundo. Somos 27 pessoas e viajamos o Brasil praticamente todo”, diz Maestro Forró. Ele antecipa que a Orquestra realizará outros eventos para comemorar durante o ano.

“Em 2002, o frevo estava virando uma peça de museu, intocável. A orquestra surgiu como resultado de um trabalho de pesquisa, manutenção, releitura e interação, que é a parte que eu mais gosto. Mixar, liquidificar sons. Partimos do princípio que somos filhos de um só universo”, reflete o músico.

Forró acredita que a Orquestra Popular acabou movimentando até mesmo o âmbito mercadológica do frevo. “Isso foi muito positivo, mexer em estruturas, mas sempre com base na educação, na autoformação. A gente começou fazendo laboratórios, porém estudando muito o que iríamos fazer depois. Com muito amor, disciplina e estudo”.

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Prorrogadas as inscrições do 10º Prêmio Pernambucano de Fotografia até sexta-feira (11)

A Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) decidiu prorrogar o prazo final de inscrições do 10º Prêmio Pernambuco de Fotografia 2021 para até esta sexta-feira (11), às 17h59. Cada proponente pode submeter até quatro fotografias (para saber as especificações técnicas, leia o edital na íntegra aqui), porém, só poderá ser premiado por uma única imagem. As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela plataforma do Mapa Cultural de Pernambuco pelo site: mapacultural.pe.gov.br/oportunidade/888.

A premiação vai selecionar e remunerar individualmente em R$ 6 mil um total de 15 fotógrafos, com realização de exposição e edição de catálogo (físico ou virtual) com os trabalhos vencedores.

De acordo com a secretária-executiva de Cultura de Pernambuco, Silvana Meireles, o prêmio, em sua décima edição, tem o objetivo de reconhecer, valorizar e difundir a produção fotográfica amadora e profissional realizada no Estado. “É também uma oportunidade para revelar novos nomes da fotografia que é feita aqui em Pernambuco”, ressalta a gestora.

O tema dessa edição é “O olhar sobre o confinamento”. “Entende-se por olhar o que faz falar as lentes mudas da fotografia do nosso dia a dia e que diferencia uma pessoa da outra, assim como as nossas impressões digitais nos diferenciam como seres humanos. Cada pessoa fotografa com o seu saber, com a sua cultura, construindo uma forma própria de olhar o mundo e interferir sobre ele com o seu olhar. Sendo assim, cada pessoa é capaz de ver e perceber de forma única”, diz o assessor de Fotografia da Secult-PE, Jarbas Araújo Jr., sobre a proposta da premiação.

Falta uma semana para o fim das inscrições no Prêmio Palhaço Cascudo

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Falta uma semana para o fim das inscrições para o Prêmio Palhaço Cascudo de Incentivo às Artes Circenses, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE). O prazo encerra no 11 de fevereiro e a habilitação para concorrer deve ser feita exclusivamente pelo Mapa Cultural de Pernambuco. É preciso estar com o cadastro na plataforma atualizado. Ao todo, serão 30 premiações de R$ 5 mil cada, totalizando R$ 150 mil.

O prêmio tem como objetivo reconhecer e valorizar as práticas artísticas de criação e fruição, de transmissão de saberes e fazeres, de sustentabilidade e preservação da memória de artistas e expressões circenses. A inscrição deve ser feita pelo link www.mapacultural.pe.gov.br/projeto/889.

“O circo é um patrimônio afetivo da cultura do nosso povo e esse prêmio é uma celebração ao artista circense e ao seu processo contínuo de criação, saberes e fazeres”, comentou o secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto, na ocasião do lançamento do edital.

A premiação está estruturada da seguinte forma: na Faixa 1, serão dez prêmios de R$ 5 mil (totalizando R$ 50 mil) destinados aos circenses com trabalhos artísticos na área da criação e difusão na linguagem do Circo; na Faixa 2, dez prêmios de R$ 5 mil (totalizado R$ 50 mil) destinados aos circenses com trabalhos de formação, pesquisa, mapeamento, ação educativa, repasse do saber e do fazer, na linguagem do Circo.

Já na Faixa 3, serão dez prêmios também de R$ 5 mil (totalizando R$ 50 mil), destinados aos profissionais da área técnica circense tais como: capatazia, barreira, montagem da lona/equipamentos, criação e execução de figurino, maquiagem, iluminação, sonoplastia, segurança dos aparelhos/estrutura física.

Em caso de dúvidas ou informações, a pessoa interessada pode entrar em contato por meio do Atendimento via WhatsApp (81) 3184.3018 ou pelo e-mail: assessoriadeartescircenses@secult.pe.gov.br.

05 – DANÇAS BRASILEIRAS – BUMBA MEU BOI

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Hoje vamos de Bumba Meu Boi, fale sobre essa dança.

Papa – Também chamada de Boi-bumbá é uma manifestação cultural que contém representação teatral, musica, desfile e danças. Sua alegoria é diversificada e carrega muitas lendas populares. Originária na Península Ibérica, chegou ao Brasil através dos colonizadores portugueses é praticada em todo Brasil, destaque para regiões norte e nordeste.

O Maranhão é o estado onde é mais difundida. Destaque nas festas alusivas aos santos populares dos meses de junho e julho. Em 2019 a Unesco reconheceu a dança como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Desde o início da segunda década deste século o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), incluiu o Bumba Meu Boi na lista de Patrimônio Cultural do Brasil.

No Festival Folclórico de Parintins ganha maior visibilidade. A festa grandiosa onde a disputa entre o vermelho do “Boi Garantido” e o azul do “Boi Caprichoso” transforma o “Bumbódromo” da cidade às margens do Rio Amazonas, por mais acirrada que seja em um espetáculo, é deslumbrante para o nativo ou para o visitante. Júri composto por pessoas habilitadas define o vencedor após as apresentações das agremiação em ricos desfiles que exaltam temas, lendas e rituais ligados ao folclore regional.

Encerramos este texto com a letra de “Boi de Lágrimas”, de Raimundo Makarra, que a magistral Alcione interpreta com o talento reconhecido: “Sabiá/Já mostrou seu canto/Enfrentou cantor do boi da pindoba/Ê boi/Chegou prenda do Rosário/Beirada nunca viu tanto brilho e clarim – Chiador/Levantou maioba/Chão tremeu, quem fez?/Foi Maracanã – Ê boi, chegou/Batalhão da mata/Enfrenta o contrário no cordão/Ê boi – Zé de França Pereira viu/Esse boi tão pequeno chegar/Madre Deus de São Pedro fez/esse boi chorar – Levanta boi e vai/Que é pro amor ver/Que boi também chora/Também sente dor/Que boi também chora/Também sente dor/Que boi também chora – Lê-Lê-Lê…”.

UM TOQUE DE SAUDADE

Por Naldinho Rodrigues*

Hoje vamos trazer até você leitor, Carlos Gonzaga, o seu nome artístico, mas o verdadeiro é José Gonzaga Ferreira, nascido em Paraisópolis, estado das Minas Gerais, em 10 de fevereiro de 1924, é um cantor brasileiro que fez sucesso nacional com a versão da música Diana que tinha a gravação original de Paul Anka no ano de 1958.

Carlos Gonzaga também fez muito sucesso com suas gravações das versões das músicas Oh Carol, Bat Masterson e Cavaleiros do Céu.

De origem simples, começou cedo a trabalhar em sua cidade. Destaca-se a atividade que mais gostava de fazer, que era carregar as malas dos viajantes que chegavam a cidade, da estação de trem até o hotel central.

Desde criança, já cantava na escola, o que não agradava nada aos seus pais, e aos 15 já era um “astro” entre seus colegas de colégio, devido as apresentações nas festas da escola.

Aos 17 anos ingressou no rádio, cantando PRJ7 Rádio Clube de Pouso Alegre. Depois resolveu mudar-se para São Paulo, para tentar a carreira profissional. Cantando com o nome de José Gonzaga, ficou dois anos participando de programas de calouros em diversas rádios. E após vencer um concurso na Rádio Bandeirantes, acabou contratado na emissora em 1952, onde ficou por seis meses.

Após vencer um novo concurso de calouros, promovido pelos Conhaques Ipiranga, foi contratado pela Rádio Piratininga. Mas o cachê do rádio não era suficiente, e Gonzaga dividia seu tempo trabalhando também em uma fábrica de pratarias.

Foi o Capitão Furtado quem sugeriu ele mudar o nome para Carlos Gonzaga, por já existia no rádio outro José Gonzaga (irmão de Luiz Gonzaga). Além disto, seu nome também era muito parecido com o da também cantora Zezé Gonzaga.

Em 1955, já chamado de Carlos Gonzaga, gravou seu primeiro disco pela RCA Victor, um 78 RPM onde cantava a canção-guarânia Anahí (de Osvaldo Sosa Cordeiro, versão de José Fortuna) e o tango Perdão de Nossa Senhora (de Teddy Vieira e Diogo Mulero, o Palmeira).

Apesar de ter ficado conhecido como um dos pais do rock’ and roll brasileiro, o cantor gravou diversos estilos, de valsas a sambas, incluindo a marchinha de carnaval Tomara que Caia, que fez um enorme sucesso no carnaval de 1956.

Ainda em 1956 gravou Meu Fingimento, versão de The Great Pretender, sucesso na voz dos The Platters. A música, adaptada por Haroldo Barbosa, foi seu primeiro sucesso neste estilo musical, que marcaria sua carreira. Neste mesmo ano foi contratado pela Rádio Record, passando a atuar também na televisão.

Veterano, Carlos Gonzaga foi um dos astros do programa Excelsior a Gogo (1966), exibido pela TV Excelsior, e apresentado por Jerry Adriani. Era uma resposta da emissora ao Programa Jovem Guarda, da Record, onde Roberto Carlos e uma nova geração de cantores despontavam.

Com uma nova geração de artistas, Carlos Gonzaga, recordista de vendas entre 1956 a 1962, foi perdendo destaque na mídia, mas nunca deixou de cantar. Ele ainda gravou muitos discos, e fez diversos shows. Em 1976 voltou as paradas de sucesso graças ao sucesso da novela Estúpido Cúpido.

Carlos Gonzaga reside na cidade de Santo André no Estado de São Paulo desde a década de 1980. E para lembrar dessa voz que marcou décadas no Brasil vamos ouvir DIANA…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passando, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.