Cultura

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso espaço de hoje será preenchido para Élcio Neves Borges, conhecido popularmente como Barrerito. Um cantor brasileiro de música sertaneja que ganhou destaque por integrar a segunda formação do Trio Parada Dura. Nascido em 22 de outubro de 1942, em São Fidélis (RJ) o mesmo faleceu em 12 de agosto de 1998, em Belo Horizonte, aos 55 anos.

Barrerito foi cantor, violonista e violeiro e iniciou sua carreira nos anos 60, fazendo dupla com Flor da Índia, Baianito, Cirolo e Cleone, este último com quem formou o conjunto sertanejo Trio Parada Dura, a partir de 1976, ao lado de Mangabinha. Em 6 de setembro de 1982, um acidente de avião na cidade de Espírito Santo de Pinha, interior do estado de São Paulo, deixou Barrerito paraplégico. Seu irmão, Parrerito, assumiu o lugar no trio durante o período em que esteve ausente e, posteriormente, foi oficializado na vaga em 1987.

Barrerito iniciou carreira solo como o “Cantor das Andorinhas”, em 1987, quando gravou seu primeiro LP, intitulado ‘Onde estão os meus passos’, com destaque para a faixa-título. Barrerito gravou 9 LPs, ganhou 19 discos de ouro e 8 de platina, sempre com a ajuda de Nilza Carvalho, com quem viveu maritalmente até 1990. Com ela teve 2 filhos, o cantor gospel Barrenito Barbosa e Carlos Eduardo que adotaria o nome artístico de Barrerito Jr.

Barrerito foi o único artista que gravava um disco (LP) em apenas 24 horas, o que causava surpresa nos técnicos da gravadora. Apesar de ser paraplégico, o cantor era muito vaidoso, usava anéis e colares de ouro, além de cortes de cabelo incomuns. Em 1991, chegou a ser preso por ter atirado para o alto, assustando um frentista, que riu de sua aparência.

No ano de 1998, Barrerito fundou o Trio Alto Astral, juntamente com Voninho e Cleone, com quem voltou a formar uma dupla sertaneja. Chegaram a lançar um CD, intitulado ‘Dor de Cotovelo’, e a fazer aparições em alguns programas de Tv, mas o trio não durou, pois Barrerito acabou falecendo neste mesmo ano, vítima de infarto, aos 55 anos.

Diz a sabedoria popular que uma andorinha só não faz verão, mas nos últimos anos, quem tenta  ser exceção a esta regra e a cantora sertaneja Eliane Barrerito, cujo sobrenome já faz alusão à história dela. Viúva do cantor e compositor Barrerito, Eliane organiza gravações inéditas de autoria do ex-integrante do popularíssimo Trio Parada Dura, que devem ser lançadas. As gravações estavam junto ao acervo que o artista deixou, acrescido com quase uma centena de letras de músicas, também inéditas. O baú ainda contém discos de ouro, prata e platina, referentes aos sucessos de venda, e figurinos. Não bastasse, há uma curiosa placa na fachada da residência do casal, na região sudoeste de BH. Quando cai a noite, é a própria Eliane quem acende a sinalização com o nome “Barrerito”, escrita com luzes coloridas e idealizada por ele mesmo.

Segundo a viúva do cantor, devido a uma lesão que sofreu no acidente de avião em 1982, nas capas dos discos do Trio Parada Dura, ele só aparece de meio corpo, ou outros  componentes do trio tinham preconceito  pela condição dele e quando Barrerito saiu do trio, fez o “Barrerito, o cantor das andorinhas”. Aí, pôde mostrar quem era. 

Para relembrar essa eterna celebridade da música sertaneja nada melhor do que curtir um dos maiores sucessos de Barrerito, “Onde estão os meus passos”.  

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Nada mais apropriado para nós, que todas as quintas-feiras lembramos aqui de personagens da música popular brasileira, e suas histórias em vida; é que pretendo hoje lembrar daquele que mais honrou o nome do tradicional ritmo das festas juninas no Nordeste, a exemplo do forró, o baião, o xaxado, o xote, etc. São João e São Pedro são festas reverenciadas pelo povo nordestino, é mês que lembra Luiz Gonzaga do Nascimento.

Ou Luiz Gonzaga, que nasceu em Exu, no Sertão de Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Foi um compositor e cantor brasileiro, conhecido como o Rei do Baião, considerado uma das mais completas, importantes e criativas figuras da música popular brasileira.

Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou para todo o país a cultura musical do Nordeste, como o baião, o xaxado, o xote e o forró pé de serra. Suas composições também descreviam a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o Sertão nordestino.

Admirado pelos mais diversos artistas, Luiz Gonzaga ganhou notoriedade com as antológicas canções Asa Branca (1947), Seridó (1949), Juazeiro (1948), Forró de Mané Vito (1950) e Baião de Dois (1950).

Luiz Gonzaga nasceu numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara povoado do Araripe, a 12 km da área urbana do município de Exu, extremo noroeste do estado de Pernambuco, cidade localizada a 610 km de Recife. Foi o segundo filho de Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento, conhecida na região por ‘Mãe Santana’, e oitavo de Januário José dos Santos do Nascimento. O padre José Fernandes de Medeiros o batizou na matriz de Exu em 5 de janeiro de 1920.

Seu nome, Luiz, foi escolhido porque 13 de dezembro é o dia da festa de Santa Luzia, Gonzaga foi sugerido pelo vigário que o batizou, e Nascimento por ser dezembro, mês em que o cristianismo celebra o nascimento de Jesus.

A cidade de Exu fica no sopé da Serra do Araripe, e inspiraria uma de suas primeiras composições, Pé de Serra. Seu pai trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão; também consertava o instrumento. Foi com ele que Luiz aprendeu a tocar o instrumento. Muito jovem ainda, já se apresentava em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sudeste do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião. A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, composta em 1947 em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.

Antes dos dezoito anos, Luiz teve sua primeira paixão: Nazarena, uma moça da região. Foi rejeitado pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, que não o queria para genro, pois ele não tinha instrução, era muito jovem e sem maturidade para assumir um compromisso. Revoltado com o rapaz, ameaçou-o de morte. Mesmo assim Luiz e Nazarena namoraram às escondidas por meses e planejavam se casar.

Antes de ser o rei do baião, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. A partir daí começou a se interessar pela área musical.

Depois da baixa do exército, estando decidido a se dedicar à música. No Rio de Janeiro, então capital do Brasil, começou tocando em bares, cabarés e programas de calouros. Nessa época, tocava músicas de Manezinho Araújo (emboladas), Augusto Calheiros (valsas e serestas) e Antenógenes Silva (xotes e sambas). Apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Até que, em 1941, no programa de Ary Barroso, foi aplaudido executando Vira e Mexe, com sabor regional, de sua autoria. O sucesso lhe valeu um contrato com a gravadora RCA Victor, pela qual lançou mais de cinquenta músicas instrumentais. Vira e Mexe foi à primeira música que gravou em disco.

Veio depois sua primeira contratação, pela Rádio Nacional. Lá conheceu o acordeonista catarinense Pedro Raimundo, que usava trajes típicos da sua região. A partir de então, surgiu à ideia de apresentar-se vestido de vaqueiro, figurino que o consagrou como artista. Em 11 de abril de 1945, gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: a mazurca Dança Mariquinha, em parceria com Miguel Lima. Entre 1951 e 1952 a marca Colírio Moura Brasil celebrou um contrato de teor promocional com o cantor, custeando-lhe uma excursão por todo o país, fato este registrado por Gilberto Gil.

Luiz Gonzaga sofreu de osteoporose por anos. Em 2 de agosto de 1989, morreu vítima de Parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa de Pernambuco, em Recife e posteriormente sepultado em seu município natal.

Um Rei do Baião nos brinda nesse período junino com uma música que traduz a festa mais popular do Nordeste brasileiro. Olha pro céu…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

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O São João é uma das principais festas comemoradas no Nordeste. Seja no interior ou nas capitais, o mês de junho reúne simbolismos e tradições que recontam anualmente a história desse festejo, quem tem suas origens numa festa pagã, como conta a doutora em História Moderna e Contemporânea e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Cibele Barbosa.

“A origem do São João remete a uma festa pagã. O crescimento do Cristianismo, principalmente na Europa, numa forma muito eficaz de adesão dos grupos e das comunidades populares europeias rurais, iniciou a substituição desses festejos, que existiam em comemoração a vários deuses. As populações passaram a aderir às figuras religiosas cristãs, nesse processo de assimilação dos antigos cultos pagãos europeus, substituídos por festas dedicadas aos santos”, explica Cibele. 

O interior de Pernambuco é uma das regiões onde a época de São João representa, historicamente, colheita e celebração. Além das comidas típicas, outro tradicional ponto da festa, as quadrilhas, também sofreram alterações pela impossibilidade de aglomeração – o que impediu a apresentação dos grupos. Para quem dança nesta época do ano, o São João vai ser diferente. O servidor público Vandré Cechinel (foto), que se apresenta com a Quadrilha Raio de Sol há 13 anos, diz que é uma alegria participar do grupo. 

“Danço na Raio desde 2006. A quadrilha foi fundada por Alana Nascimento, mãe de Leila Nascimento, minha namorada à época; atualmente somos casados e temos uma filha de 2 anos. Leila é a noiva mais linda que já vi! Participar da quadrilha era uma forma de estar mais perto dela e de fazer uma atividade artística. Fiquei encantado com a Raio desde a primeira vez que assisti, em 2003”, recorda emocionado.

Dançar na quadrilha, que virou um símbolo de amor não só ao grupo, também reflete a alegria que Vandré tem nessa época do ano. “É a festa de que mais gosto. É uma celebração muito associada à memória afetiva, às comidas preparadas de forma coletiva, à fertilidade, à chuva, ao friozinho. Adoro o cheiro de fogueira, de milho assado, de fogos, as músicas… Tudo isso remete muito à minha infância, que passei em Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú. Isso fortaleceu meus laços com esses costumes”, conta.

Sem apresentações este ano, Vandré relembra o misto de responsabilidade e diversão que é fazer parte do grupo. “Nessa época, estamos sempre com aquele frio na barriga, perto de estrear um espetáculo novo. Quem assiste a uma apresentação de 25 minutos de uma quadrilha não imagina o quanto batalhamos. Sinto falta da mobilização que fazemos para que tudo dê certo. Quadrilha é, acima de tudo, união”, comenta.

JORGE FARIAS/PREFEITURA DE CARUARU

Na música Olha Pro Céu, gravada em 1951, o pernambucano Luiz Gonzaga eternizou as festas juninas – tradição no Nordeste – cantando sobre os balões, o baião, o xote e dizendo que até o céu entra em festa na noite de São João. Em 2020, essa festividade não será realizada em função do distanciamento social, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como forma mais eficaz de reduzir a transmissão do novo coronavírus. 

Nascida no estado de São Paulo, a professora Cristina de Lélis, de 40 anos, vive desde os 3 anos de idade na cidade de Caruaru, conhecida como Capital do Forró, no Agreste pernambucano. Há mais de 30 anos, ela sempre aguarda a chegada do São João e vive a festa com intensidade. “Estamos órfãos desse festejo aqui em Caruaru porque não se resume só ao dia 24, a festa começaria em 30 de maio e iria até o último final de semana de junho. Teríamos festa quase todos os dias, em vários lugares da cidade. É um ritual que a gente espera o ano inteiro. Concordo que não acontecer neste ano foi a decisão mais acertada, mas estou bem triste de não poder estar vivendo esta tradição fora de casa”, afirma.

De acordo com a secretaria de saúde de Caruaru, o município tinha, no dia 18 de junho, 1.396 casos confirmados da covid-19, dentre os quais 100 foram a óbito. Além desses, foram registrados 8.758 casos de síndrome gripal, dos quais 1.452 estão em isolamento domiciliar. 90% dos leitos (73) dos sistema público de saúde de Caruaru estão ocupados.

Em função desse quadro, a cidade adotou um funcionamento de distanciamento social, seguindo as recomendações estaduais, para evitar aglomerações. Por isso, esta será a primeira vez em 40 anos que a festa pública do São João não será realizada no município.

Para Caruaru, o prejuízo econômico pela não realização do São João, que anualmente atrai pessoas do Brasil todo, será de R$200 milhões, valor arrecadado aos cofres municipais nas festividades do ano passado. De acordo com a prefeitura de Caruaru, em 2019, cerca de 3 milhões de pessoas circularam pelos 24 polos do São João durante mais de 30 dias de festa. A movimentação gerou 6 mil empregos diretos e outros 12 mil indiretos.

Atenta ao impacto, a Prefeitura está promovendo, há um mês, a campanha São João Caruaru Solidário (www.saojoaocaruarusolidario com.br), para arrecadar donativos de alimentação e higiene. “Estamos tendo uma boa adesão de empresas e da população de Caruaru e de outras cidades. Por meio desta campanha, já atendemos quase 4 mil pessoas da cadeia produtiva do São João de Caruaru. Além disso, criamos um delivery de alimentação para tentar impulsionar o comércio de comidas típicas neste ano, mesmo que de forma menos expressiva”, afirma o presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru.

Além de Caruaru, no Agreste, outro município de Pernambuco com festa de São João de grande expressividade que também vai ser afetada pela pandemia é Arcoverde, no Sertão. A cidade se intitula a “Capital do São João” e, nos últimos anos, tem sido alternativa de destino neste período do ano. 

A cidade utiliza a estratégia de barreiras sanitárias para reduzir a circulação de pessoas de fora no município. Até o momento, foram abordados 881 carros.

“O São João é a nossa vitrine cultural, porém esse ano toda a atenção do nosso governo foi voltada à preservação das vidas. Estamos seguindo as recomendações de isolamento e o decreto do governo estadual. Sabemos o quanto isso impacta em nossa economia, mas a população de Arcoverde entendeu que o momento é de cuidados com a saúde e aceitou com muito respeito e atenção o cancelamento do evento. Confiamos que tudo isso vai passar e logo retomamos nossa movimentação, com a nossa cidade em ordem e as pessoas livres dessa pandemia”, afirmou a prefeita de Arcoverde, Madalena Britto. Continue lendo

Foi um elogio de Luiz Gonzaga à versão de Asa branca adaptada pelo Quinteto Violado ainda nos anos 1970 que fez o grupo pernambucano criar uma relação afetiva com a canção. Quase 50 anos depois, a banda revisita o sucesso para criar um projeto musical intitulado Asa branca – A voz do Nordeste. A iniciativa reúne músicos da região em um videoclipe colaborativo gravado à distância em tempos de isolamento social. O lançamento será amanhã, às 20h, nas redes sociais (@quintetoviolado) e em plataformas digitais como YouTube e Spotify.

Participam do vídeo os pernambucanos Geraldo Azevedo, Lenine, Anastácia, Banda de Pau e Corda e Sandro (flautista que participou da gravação original da versão), os paraibanos Chico César e Elba Ramalho, os maranhenses Zeca Baleiro, Flávia Bittencourt e Nosly, a potiguar Marina Elali, o sergipano Mestrinho e o piauiense Chambinho do Acordeon. “Convidamos artistas que admiramos para levar uma mensagem de amor, esperança e união aos nordestinos”, explica o tecladista Dudu Alves, filho de Toinho, um dos fundadores do Quinteto Violado, em 1970. Atualmente, o grupo é liderado pelo vocalista e violonista Marcelo Melo, único remanescente da formação inicial, e tem ainda Ciano Alves (flauta e violão), Roberto Medeiros (percussão e voz) e Sandro Lins (contrabaixo).

Os artistas cantam de casa trechos de Asa branca, clássico composto em 1947 por Gonzagão e Humberto Teixeira. “Este ano nos pegou desprevenidos, está sendo totalmente fora do esperado. Nos tempos difíceis em que vivemos, aproveitamos para fazer produções primárias e nos familiarizar com o processo audiovisual, o que acabou dando a ideia de nos unir virtualmente”, conta Dudu, responsável pela direção musical do projeto, cuja identidade visual, com um olhar moderno à xilogravura, foi realizada pelo coletivo Marcianas. O projeto vai alavancar outras ações além do videoclipe.

“Pensamos muito em criar um festival de música nordestina”, adianta o músico. “Embaixadas brasileiras em países como Turquia, Cabo Verde, Alemanha, Estados Unidos e Noruega estão divulgando o nosso projeto e já em contato para novas ações destinadas ao público de lá”, garante. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

A homenagem de hoje é destinada a Elson Rodrigues da Silva, mais conhecido como Elson do Forrogode.  Elson foi um cantor e compositor brasileiro de samba. Nasceu no dia 20 de março de 1942, o nome artístico de Elson do Forrogode já anunciava a mistura  sonora  que o artista  procurou emplacar a partir de 1987, promovendo no álbum Forrogode (1987) a fusão do forró – genérico, gênero musical que designava vários ritmos nordestinos, dos quais o cantor sempre gostou, como pagode que conquistara o Brasil a partir de 1985 e que gerou ídolos como Zeca Pagodinho, a rigor, a mistura não emplacou. Tanto que o maior sucesso de Elson, Talismã.

Era em essência uma canção de amor que o intérprete gravou com toque de samba. O estouro de Talismã foi a ápice de uma carreira cujas origens remontam ao início dos anos 70, quando Elson defendeu músicas nas duas últimas edições do Festival Internacional da Canção em 1971 e 1972.

O primeiro álbum, Desafio da Navalha, foi lançado em 1975 com repertório que incluiu música dos primórdios da obra de Milton Nascimento, e a Gente Sonhando, composta entre 1962 e 1963. O último, Me Leva (canta Agepê), foi lançada 40 anos depois, em 2015, com repertório dominado por músicas gravadas pelo cantor Agepê, falecido em 1995.

Entre um disco e outro, Elson gravou álbuns como Ímã em 1990 e Amor na Palma da Mão em 2002, além de ter feito shows pelo Brasil e na África no rastro do estouro de Talismã, música regravada pela dupla sertaneja Leandro & Leonardo em 1991 com sucesso que jamais tirou o efeito da gravação original de  Elson do Forrogode.

Em 1995, fez participação no CD Você não me Pega – musical infantil de Rildo Hora e Martinho da Vila, na canção “Tá com Medo, Chama o Pai”. Elson também participou espetáculos com o Grupo Nosso Campo.

Elson faleceu no dia 2 de novembro de 2017, aos 75 anos, vítima de complicações decorrentes de diabetes e insuficiência renal, e foi sepultado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.

Elson foi daqueles sambistas que dava prazer ouvi-lo, principalmente numa situação de roedeira após uma briguinha besta com o parceiro(a). O gingado, a voz e a sua categoria cantando samba, fez muito sujeito(a) se afogar no mar da marvada pinga.

Vamos curtir o maior sucesso de Elson Forrogode, relembrando-o e curtindo um samba que quanto mais à gente escuta, mais sente prazer de ouvi-lo. Um samba que quanto mais velho fica se torna um vinho saboroso: Talismã.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Provavelmente, quando você pensa na história da música brasileira, é inevitável não lembrar nos Novos Baianos. Consequentemente, também lembramos, com muito carinho, de uma das almas por trás do grupo: Moraes Moreira.

Além de tudo, multitalentoso, Antonio Carlos Moreira Pires, nome de batismo do astro, não só foi uma das vozes dos Novos Baianos, como também um dos seus grandes compositores. Além disso, as músicas mais populares do grupo, certamente tem parte da autoria reservada a ele.

Moraes Moreira também está no imaginário popular como um dos rostos da tropicália, movimento brasileiro de vanguarda que unia inovações estéticas com elementos de tradição brasileira.

Moraes Moreira nasceu em 8 de julho de 1947, no município de Ituaçu, na Bahia. A paixão pela música nasceu bem cedo, uma vez que desde pequeno aprendeu a tocar instrumentos musicais. O astro morreu em abril de 2020, aos 72 anos. Ele faleceu sozinho em casa quando teve um infarto fulminante enquanto dormia.

Na adolescência, aprendeu a tocar violão, ao mesmo tempo, ele fazia curso de ciências em Caculé, Bahia. Tudo começou tocando sanfona de 12 baixos em festas de São João e outros eventos em Ituaçu. A virada aconteceu mesmo quando Moraes Moreira se mudou para Salvador, capital baiana. Lá, ele conheceu Tom Zé, outro astro da música popular brasileira. Sua carreira estava perto de começar.

Em Salvador, Moraes Moreira conheceu também Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão. Esse encontro realmente ia mudar sua vida. Com eles, formou o grupo Novos Baianos. Moraes Moreira integrou os Novos Baianos de 1969 a 1975.

Ao lado de Luiz Galvão, ele compôs quase todas as canções do grupo. Criou o álbum ‘Acabou de Chorar’ e, o mais popular. Ele foi considerado pela revista Rolling Stone Brasil o melhor álbum entre os 100 melhores álbuns da história da música brasileira, divulgado em 2007.

Moraes saiu o grupo Novos Baianos em 1975. Seguiu carreira solo por anos, com grandes músicas de sucesso. Ele voltou a se juntar com os Novos Baianos duas vezes após sua saída, para gravar shows especiais. Moraes Moreira era realmente um homem afeto às palavras.

Em 1976, já em carreira solo, foi o primeiro cantor a unir a voz ao som de um trio elétrico ao lado de Dodô e Osmar, abrindo caminho para muitos artistas que se consagraram no Carnaval de Salvador. Ele foi um artista que soube dosar a tradição do forró, do frevo, do samba, da baianidade, o verdadeiro axé com o rock, com a modernidade. Em sua carreira solo gravou 29 álbuns, um sucesso atrás do outro.

Moraes Moreira deixou três filhos: Davi Moraes, Maria Cecilia e Ari Moraes.

Sempre costumo dizer que quando morre um cantor, a nossa música popular brasileira fica mais pobre. Até porque, não surgem mais artistas talentos como antigamente, concordam? E com Moraes Moreira não poderia ser diferente.

Rubro Negro de coração, quando Zico (o Galinho de Quintino) se transferiu para a Udinese, clube italiano, ele compôs uma música em homenagem ao craque do Flamengo. Aliás, duas músicas, uma quando Zico partiu e outra pedindo a volta do seu maior ídolo e amigo.

Moraes Moreira foi realmente um colecionador de grandes sucessos. Acho que o que mais o identificou foi “Pombo Correio”. Concordam comigo?

Então, vamos curtir juntos tentando aliviar a grande saudade desse maravilhoso baiano…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

A homenageada desta semana, a escolhida foi Carmen Francisca Silva de Jesus, ou simplesmente Carmen Silva. A Pérola Negra, como foi conhecida durante sua trajetória artística, nasceu no dia 22 de março de 1945, em Veríssimo, nas Minas Gerais.

Carmen Silva foi uma cantora e compositora brasileira, vinda de uma família humilde, abandonou os estudos adolescente, e começou a trabalhar como babá e empregada doméstica. Apesar de todas as dificuldades, seu sonho era se tornar  cantora. Começou a frequentar programas de calouros. No fim da década de 60, em mais uma de suas tentativas, venceu o concurso “Um cantor por um milhão, Um milhão por uma canção”, da Tv Record.

Gravou seu primeiro compacto para a gravadora Cantagalo, mudou-se para a gravadora Copacabana, e finalmente para a RCA Victor, onde gravou “Adeus Solidão”, que ficou em primeiro lugar absoluto durante várias semanas em 1970. Ganhou os prêmios Roquete Pinto e Chico Viola.

Viajou o mundo inteiro em apresentações musicais, fazendo muito sucesso no exterior. No início de sua carreira sofreu pressão para gravar sambas, mas fez prevalecer sua vontade, que era o gênero romântico. Os principais sucessos de Carmen Silva foram “Adeus Solidão”, “Fofurinha”, “O destino os Separou”, “Sapequinha”, “Espinho na Cama”, “Fotografia”, “Amor com Amor se Paga”, “Ser tua Namorada”, “Meu velho Pai” e “Segura na mão Deus”, etc.

Veríssimo, terra natal de Carmen Silva, é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, distante apenas 43 km de Uberaba no triângulo mineiro. Com sua tonalidade de voz suave a cantora Carmen Silva, ou Pérola Negra conquistou o Brasil, tocando e ficando sempre no topo das paradas de sucesso, por vários anos. Provavelmente uma das maiores  cantoras, da linha romântico, seresteira, na verdade, uma vasta colocação para Carmen Silva, que ainda tem uma legião de fãs em todo Brasil.

Na década de 90, sua carreira começou a entrar em declínio e, com isso, passou a enfrentar crises de depressão. Divorciada e morando sozinha, seus filhos moravam nos Estados Unidos, onde estudavam e trabalhavam há alguns anos, e Carmen Silva sentia-se muito sozinha, o que piorava seu estado de ansiedade e tristeza.

Nessa época, viajou para os Estados Unidos, para passar uma temporada com os filhos, e passou a frequentar cultos evangélicos, que seus filhos já frequentavam, e então, se converteu à religião. Se batizou nas águas e voltou ao Brasil decidida a cantar músicas em louvor a Deus.

Em 2001, Carmen Silva assinou com a gravadora Graça Music e lançou três discos de música gospel, fazendo muito sucesso. Seu último disco lançado foi “minhas canções na voz de Carmen Silva”, em 2008, cujas composições são de R.R. Soares.

A cantora Carmen Silva, faleceu aos 71 anos, no dia 26 de setembro de 2016, em São Paulo. Ela estava internada desde o dia 14.  E a causa da morte foi por insuficiência cardíaca por conta de uma embolia pulmonar.

Eu, Naldinho Rodrigues, acho que alguém jamais irá duvidar  do talento da Pérola Negra e do seu maior sucesso, cantado até hoje pelos brasileiros:

ADEUS  SOLIDÃO.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8h da manhã.

Foto: Reprodução/ TV Jornal

Em um ano atípico, provocado pela pandemia do coronavírus que tem se interiorizado no País, o São João de algumas cidades pernambucanas, que tradicionalmente comemoram a data com festividades, não terá fogueira que “acende o coração” dessa vez. É o que determinam os decretos publicados pelas prefeituras das cidades agrestinas de Pesqueira e Bezerros, proibindo o acendimento de fogueiras no mês de junho, enquanto perdurar o período de calamidade pública. Entretanto, a Prefeitura de Pesqueira informou que o decreto precisou ser revogado pela falta de um parecer de infectologista e pneumologista, mas será novamente publicado.

O decreto da Prefeitura de Pesqueira, publicado no domingo (31), que ainda não está válido, visa evitar a possível superlotação de hospitais públicos ou privados devido a intoxicações por fumaça ou por acidentes com fogos pelos 67.395 moradores da cidade (segundo estimativa do IBGE), além das aglomerações presentes no período junino provocadas pelas celebrações e, por sua vez, fogueiras, em espaços públicos e privados. A decisão recomenda ainda que não sejam utilizados, durante o período de festas juninas, fogos de artifícios em espaços públicos ou privados por conta da possibilidade de incidentes.

Já os 60.798 bezerrenses estão passíveis de responder judicialmente caso acendam fogueiras, de acordo com o Código Penal 268, que trata de crime contra a saúde pública. O decreto municipal, publicado na sexta-feira (29), que proíbe fogueiras também determina que haverá fiscalização para o cumprimento, mas não trata sobre a proibição de fogos de artifícios. De acordo com o Secretário de Governo, Marconi Andrade, a guarda municipal, o departamento de trânsito e a polícia militar irão fazer rondas preventivas nos dias das festividades pelas principais ruas, periferias e núcleos urbanos da zona rural para evitar infrações. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa recordação desta quinta-feira é de Milton Santos de Almeida, conhecido como Miltinho, que nasceu no dia 13 de janeiro de 1928, no Rio de Janeiro. Cantor e pandeirista iniciou sua carreira na década de 1940, integrando o conjunto amador Cancioneiros do Ar, com o qual participou do programa de calouros de Ary Barroso na Rádio Tupi do Rio de Janeiro.

Em 1946, passou a integrar a segunda formação do conjunto vocal Namorados da Lua, atuando também como pandeirista, ao lado do cantor Lúcio Alves. Com esse conjunto acompanhou a cantora Isaura Garcia na gravação do samba De Conversa em Conversa, de Lúcio Alves Haroldo Barbosa.

Em 1948,  fez parte do conjunto Anjos do Inferno, como qual viajou pelo Brasil e pelo exterior,  passando pela Bolívia, Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile e México, onde permaneceu por dois anos, gravando e atuando em um programa de rádio dedicado ao Brasil. Viajou ainda pelos Estados Unidos, acompanhando a cantora Carmen Miranda. Voltou ao Brasil em 1951, e foi aprovado em um concurso para o Ministério da Fazenda, em razão do qual ficou impossibilitado e excursionar durante muito tempo.

Ingressou então no conjunto Quatro Ases e Um Coringa, como cantor e pandeirista. Miltinho autuou ainda  como crooner na Orquestra Tabajara de Severino Araújo, em boates no beco das garrafas, na Boate Vogue e no conjunto Milionários do Ritmo, e foi com os Milionários do Ritmo que fez suas primeiras gravações lançadas em 1958, como: Lamento, Recado e Nosso Samba.

Desses discos de 78 RPM surgiu o convite para lançar seu primeiro LP solo, Um Novo Astro, pela gravadora Sideral. Em 1966 foi contratado pela gravadora Odeon, onde gravou entre 1967 e 1969, três LPs ao lado de Elza Soares e mais quatro, entre 1970 e 1973, ao lado de Dóris Monteiro.

Entre seus discos solos destacaram-se Samba+Samba=Miltinho (1966), Samba & Cia (1969), Novo Recado (1971) e Miltinho  (1974). Após longo hiato de gravações, foi lançado o CD Em Tempo de Bolero, em 1996, e Miltinho Convida, em 1997, com participações de  artistas como João Bosco, Luiz Melodia, João Nogueira e Chico Buarque.

Com a música “Mulher de Trinta”, Miltinho ganhou o reconhecimento do público, recebeu vários prêmios, participou dos principais programas de televisão da época. No total, gravou mais de cem discos, mas na década de 70, com o declínio do seu gênero musical, saiu de cena nas grandes capitais, concentrando suas apresentações em cidades do interior. O sambista também animou carnavais com marchinhas como “Nós os Carecas”, no aniversário de 70 anos.

Miltinho chegou a gravar também com Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Ed Motta. Como intérprete, lançou João Nogueira e Luiz Ayrão. O Rei do Ritmo, como era chamado, participou de filmes e de acordo com a sua filha, ele parou de fazer shows quatro anos antes de sua morte, quando foi diagnosticado com princípio do mal de Alzheimer.

Em 2008, Miltinho foi tema do curta “No Tempo do Miltinho”, que venceu como o melhor curta brasileiro no festival de documentários É Tudo Verdade, em 2009. Foi lançado em sua homenagem uma coletânea em comemoração aos 60 anos de carreira o cantor, com o lançamento de 12 LPs de Miltinho, e 1960 a 1965, em CD.

Miltinho faleceu em 7 de setembro de 2014 aos 86 anos vítima de uma parada cardíaca, no Hospital do Amparo, zona norte do Rio de Janeiro. O cantor deixou uma prole de canções, que montam o grande legado do samba no Brasil.

E para matar as saudades do Rei do Ritmo, escolhemos a música que talvez tenha se tornado o seu maior sucesso: Mulher de Trinta…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Era para ser uma época de preparativos para a festa mais nordestina do ano. Mas em 2020 não haverá fogueiras nas ruas, nem o arrasta-pé que embala multidões. Não haverá o brilho das quadrilhas, o som dos traques de massa, nem a decoração com bandeiras coloridas que anuncia a chegada do São João. Com a pandemia do novo coronavírus, as festividades foram suspensas no Estado. Para quem faz a festa acontecer, o pesar pela situação ainda divide espaço com as dificuldades enfrentadas por quem vive de atividades relacionadas ao período festivo.

Pelo calendário, o ciclo pré-junino para as quadrilhas deveria ter iniciado no dia 1º de maio, mas as atividades foram canceladas pela Federação de Quadrilheiras Juninas e Similares de Pernambuco (Fequajupe) devido às restrições impostas pela pandemia. “A situação está bastante complicada. Hoje todas as quadrilhas e fazedores de cultura estão parados. Muitos tiveram gastos com os trabalhos, como confecção de figurino, mas infelizmente entendemos que é por uma boa causa. Para o governo, a prioridade é a pandemia neste momento, o que é correto”, afirma Michelly Miguel, presidente da Fequajupe.

Conhecida como a Broadway do São João pernambucano, a quadrilha Lumiar, do Pina, estava bastante adiantada para o ciclo junino de 2020 antes da pandemia. “Em janeiro, fizemos o lançamento do tema e vínhamos estudando o repertório. Já tínhamos o piloto do figurino e havíamos feito, inclusive uma exibição no Teatro Barreto Júnior”, conta o presidente e marcador Fábio Andrade. O figurino do espetáculo Luz de Tieta seria confeccionado em Fortaleza, no Ceará, e era lá que o presidente estava dois dias antes do isolamento social ser decretado. “Voltei muito assustado. Pedimos que todos os materiais fossem guardados e paramos tudo o que estava sendo produzido”, conta. Segundo Fábio, os preparativos para a temporada 2020 estão cancelados e, para não perder o trabalho realizado até agora, o tema deverá ser utilizado em 2021. A Lumiar tem cerca de 200 integrantes, entre os quadrilheiros e equipe de execução.

O ano de 2020 seria especial para a Rainha Sertaneja, do município de Arcoverde, no Sertão pernambucano. Criada em 2015, ela paralisou as atividades nos últimos dois anos e faria a reestreia neste São João. “Já estávamos com ensaios e figurinos encaminhados e tudo parou. Todo nosso trabalho é feito a partir de doações e ficamos sem saber o que fazer em um primeiro momento, até para dar alguma resposta para quem nos ajudou”, conta Wilton Freire, presidente da quadrilha. A solução encontrada por eles foi a de finalizar toda a produção quando a pandemia acabar e gravar um DVD com a apresentação. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso homenageado de hoje é Gilberto Alves Martins, para os fãs, Gilberto Alves. Que nasceu no Rio de Janeiro em 15 de março de 1915 e faleceu em Jacareí, interior de São Paulo, em 04 de março de 1992, aos 77 anos.

Gilberto Alves  foi criado no subúrbio  de Lins de Vasconcelos. Aos 12 anos, fugiu de casa com o irmão mais velho e arranjou emprego de carregador de marmitas, passando a viver desse serviço. Depois, começou a trabalhar como carregador de sapatos, até que aprendeu o ofício de sapateiro, ao qual passou a dedicar-se por conta própria.

Paralelamente, cursava o secundário e iniciava-se em música, reunindo-se com amigos para serestas nas ruas de Lins de Vasconcelos e Meyer. Conheceu Jacó do Bandolim, então garoto, que viria a ser seu grande amigo, e  depois dos 16-17 anos começou a frequentar os cabarés da Lapa e o Café Nice, travando conhecimento com Grande Otelo e Silvio Caldas.

Por volta de 1953, as serestas  começaram a ser proibidas, e a guarda noturna dissolvia os grupos de seresteiros que encontrava. nessa época, conheceu Almirante, que, depois de ouvi-lo cantar, o convidou para se apresentar na Rádio Clube do Brasil. Começou a cantar naquela emissora, mas sem contrato, recebendo apenas cachê. Passou, depois, a apresentar-se na Rádio Guanabara, programa de Luiz Vassalo, para onde foi levado pelos compositores Cristóvão de Alencar e Nássara, que conheceu numa seresta em Vila Isabel.

Cantou ainda na Rádio Educadora, programa dos irmãos Batista (Marília e Henrique), atuando paralelamente em outras emissoras. em 1938 gravou seu primeiro disco, com os sambas “Mulher Toma Juízo” e “Favela dos meus Amores”, na gravadora Columbia. Conheceu então Roberto Martins e Mario Rossi, gravando seu segundo disco com uma música dessa dupla de compositores, “Mãos Delicadas”, além de “Duas Sombras”.

Daí em diante gravou vários sucessos da dupla Roberto Martins e Mário Rossi, entre os quais seu primeiro êxito em disco, Trá-lá-lá, em 1940, pela Odeon. A este seguiram-se outros sucessos, como “Natureza Bela”, em 1942, “A Marcha Cecilia”, no carnaval de 1943, e no ano seguinte o “Fox Adeus”. Ainda em 1944 gravou “Despedida; Algum te direi; Sinfonia dos Tamancos e Capital do Samba”.

Em 1949, casou com Jurema Cardoso. No ano seguinte, transferiu-se para a Rádio Tupi, onde permaneceu até 1970, quando se aposentou. Os maiores sucessos de sua carreira foram Pombo Correio, Agora é Tarde, Recordar é Viver, De lanterna na mão, Louca pela Boemia, além de Cecília e Natureza Bela.

Nos últimos anos de sua vida apresentava-se em churrascarias e na televisão, ao lado de cantores da chamada Velha Guarda. Gilberto Alves se estivesse vivo estaria com 105 anos. Um motivo mais que especial para lhe homenagear através de suas belas interpretações. Escolhemos para você relembrar o Rei da Voz, Gilberto Alves, a música:

Algum dia te Direi…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo

A Federação de Quadrilhas Juninas e Similares de Pernambuco (Fequajupe) está empenhada em uma ação de solidariedade aos brincantes desta tradição nordestina. A campanha Pau de Arara está arrecadando alimentos e kits de higiene, para ajudar aos quadrilheiros e quadrilheiras a enfrentarem esse momento de pandemia, bem como a seus familiares e comunidades. A campanha já doou mais de 200 cestas básicas e pretende arrecadar ainda mais nessa rede de colaboração. 

A Pau de Arara foi dividida em três etapas e deve durar até o começo do mês de julho. Neste sábado (16), o fim da primeira fase da campanha marca a doação de 220 cestas básicas. Inicialmente, o projeto acolheu 300 famílias de toda a Região Metropolitana do Recife mas, para as demais fases, outras serão contempladas com os alimentos e kits de higiene arrecadados. O objetivo da Fequajupe é arrecadar outras 600 cestas até o fim da campanha. 

 Os interessados em colaborar podem fazer sua doação através da conta bancária de número 5821662-6; Agência: 2811-8 do Banco do Brasil; CNPJ: 05.821.662/001-46. A presidente da Fequajupe, Michelly Miguel, falou sobre a ação. “Esperamos conseguir alcançar (a meta) com o apoio de toda a população, e empresas que puderem nos ajudar. A Fequajupe vai até  você  e recolhe a doação, ou pode ser doado via conta bancária. Estamos em busca de ajudar nossos quadrilheiros”. 

Por Naldinho Rodrigues*

A música brasileira, em especial o seresteiro, chora a partida de Carlos José Ramos dos Santos. Carlos José, foi um cantor e compositor, nasceu em São Paulo em 22 de setembro e 1934, filho e um funcionário público e irmão do violonista Luiz Claudio Ramos, em 1939 transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro, indo morar no bairro de Santa Teresa.

Interessado por música desde criança, aos 11 anos aprendeu a tocar violão com a mãe. Carlos José estudou nos colégios Menino Jesus, Santo Inácio e Andrews, ingressando mais tarde, na Faculdade de Direito, no Catete. Durante todo esse tempo sempre esteve ligado a grupos musicais amadores. Aos 13 anos participou do programa de calouros Papel Carbono, na Rádio Clube, classificando-se em 1º lugar.

Sua carreira profissional começou em 1957, quando ainda cursava Direito. Numa das festas da faculdade, apresentou-se  com um conjunto e foi ouvido por Flávio Cavalcante, que o convidou para participar de seu programa Um Instante Maestro, na TV Rio. Na televisão, conheceu o compositor Alcir Pires Vermelho, por meio de quem gravou um 78 RPM, pela Polydor, que incluía a música (Ouça) de Maysa e foi à noite de Tom Jobim e Newton Mendonça.

Essa gravação deu-lhe o título de cantor revelação do ano, concedido pelos cronistas do Rio de Janeiro. O sucesso levou-o a abandonar a advocacia para dedicar-se somente à música entre seus maiores sucessos, destacam-se Esmeralda, Lembrança, Queria Guarânia da Saudade e Oração a Mãe Menininha.

Carlos José atuou muitos anos na sede da Socimpro, no Rio de Janeiro, aonde chegou a ser  presidente, marcando-se  como defensor dos direitos autorais dos compositores e intérpretes brasileiros. Considerado um grande seresteiro, atuou em várias capitais o País, consolidando o repertório tradicional da Música Popular Brasileira.

Do seu casamento com a jornalista e produtora Maria D’Ajuda, nasceram dois filhos.

Carlos José lançou sua última produção, Musa das Canções, em 2015, ao lado do irmão o Maestro Luiz Carlos Ramos. Em 1957, o mundo perdeu um advogado e ganhou um cantor quando o paulistano Carlos José Ramos dos Santos foi eleito uma das revelações musicais daquele ano após aparição em programa de TV apresentado por Flávio Cavalcante.

Carlo José faleceu no último sábado, dia 09 de maio de 2020, aos 85 anos, vítima de Covid-19, no Hospital São Francisco na providência de Deus, na Tijuca, zona note do Rio de Janeiro, onde estava internado com problemas respiratórios.

Carlos José deixou a esposa, dois filhos e dois netos. Os eternos românticos e seresteiros vão se lembrar por muito tempo desse enorme talento da música brasileira, Carlos José. E para os nossos leitore(a)s ter uma noção de como ele cantava, acompanhe essa maravilha musical… Esmeralda.

Um dos seus maiores sucessos.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Uma campanha nas redes sociais incentiva a compra e a venda da arte de artesãos pernambucanos durante a pandemia. Para participar, os profissionais devem cadastrar o produto em uma plataforma online. A iniciativa, uma espécie de vitrine virtual, conta com o apoio de artistas como Lenine, Hermila Guedes e Caco Ciocler.

A campanha oferece a divulgação gratuita para os artesãos na internet. Segundo Márcia Souto, diretora de Promoção da Economia Criativa, essa é uma forma de promover a ponte entre os consumidores e profissionais.

“Estamos recebendo todos os dados dos artesãos que participam do Programa de Artesanato de Pernambuco. Eles mandam um material de divulgação com os materiais disponíveis para compra e nós fazemos divulgação nas redes com contribuição dos artistas que abraçaram a causa”, explicou.

O convite é estendido para todo o estado. Ainda de acordo com Márcia, são mais de 11 mil artesãos que participam do programa e podem participar da campanha.

“Para participar é só acessar nossas redes sociais, preencher um formulário e enviar o material com fotos do produto, com uma foto própria e contatos de como fazer a compra. O comprador entra em contato direto com o artesão”, instruiu. O link do formulário está no Instagram do Centro de Artesanato (@centrodeartesanatodepe).

Considerada a maior feira de artesanato da América Latina, a Fenearte tinha data marcada para acontecer: entre o dia 1º e 12 de julho, no Centro de Convenções de Pernambuco. Mas, segundo Márcia, porém, não é possível confirmar que o evento irá acontecer, por causa da pandemia. Continue lendo