Cultura

Por Naldinho Rodrigues*

Nesta quinta-feira vamos relembrar de um dos grandes astros da música popular brasileira. Vamos falar sobre Agnaldo Timóteo Pereira, ou Agnaldo Timóteo, que nasceu em Caratinga, Estado das Minas Gerais em 16 de outubro de 1936, e faleceu no Rio de Janeiro, no dia 3 de abril de 2021. Agnaldo como todos sabem foi um cantor, compositor, escritor e político brasileiro.

Passou toda a sua infância em sua terra natal, Caratinga. Desde pequeno se interessou por música e se apresentava nos circos que passavam pela cidade. Foi lá onde ele conheceu o cartunista Ziraldo, seu conterrâneo. Iniciou sua carreira como intérprete de versões de sucessos internacionais. Teve grande popularidade nas décadas de 1960 e 1970, foi recordista de vendas de discos e foi agraciado com vários prêmios ao longo de sua carreira.

Aos dezesseis de idade, saiu de Caratinga e foi para Governador Valadares, no mesmo estado, e iniciou seu trabalho como torneiro mecânico, fabricando peças para veículos que eram usados nas construções de estradas e rodovia. Lá trabalhou na oficina de italianos “Lambertucci Retifica”, no Bairro Prado, que era vizinha de uma casa onde se ouvia muita música. Agnaldo largava o trabalho para ouvir “Adeus, Querido”, sucesso da cantora Ângela Maria.

Os anos cinquenta foram marcados pelas viagens em busca de oportunidades para gravar e cantar. Mudou-se para Belo Horizonte, onde não obteve muito êxito, embora fosse reconhecido pelas rádios da cidade como o “Cauby mineiro”. Era chamado para “defender” as canções do niteroiense e até se fazer passar por ele, pois o mesmo viajava muito e não podia comparecer a todos os convites e compromissos, ele era chamado para imitá-lo nas rádios. Com a ajuda de Aldair Pinto cantou nas rádios Inconfidência, Itatiaia, Mineira e Guarani. Teve a oportunidade de conhecer Ângela Maria em um show que ela realizou em Belo Horizonte e ela deu-lhe o conselho para ir para o Rio de Janeiro, onde, provavelmente, teria mais chances e oportunidades.

No Rio de Janeiro, passou por hospedarias e casas de parentes, passando pelo Lins de Vasconcelos, onde conheceu o cantor Roberto Carlos, que na época havia buscado a capital pelo sonho de virar cantor. Agnaldo revelou em um programa de televisão que eles costumavam ir a pé do Lins à Cinelândia para as Rádios Nacional e Mayrinck Veiga em busca de oportunidades, pois não tinham dinheiro sequer para pagar o bonde.

Neste período, não encontrando as oportunidades que buscava, pediu trabalho para Ângela Maria, que tinha um automóvel e não sabia dirigir. Em 1961, indicado pela sua patroa, aconteceu sua estreia em disco: um 78 rotações com “Sábado no Morro” e “Cruel Solidão”, para o selo Caravelle, onde gravou também no ano seguinte a marcha “Na Base do Amendoim”. Nada aconteceu.

Pela Phillips, gravou o compacto duplo “Tortura de Amor” de Waldick Soriano, um trabalho mais bem elaborado e fiel ao seu estilo romântico. A gravadora, no entanto, não acreditou no sucesso e as 180 cópias foram vendidas de mão em mão pelo próprio artista.

Lançou no início de 2017 o álbum “Obrigado, Cauby” em tributo ao cantor falecido no ano anterior. Agnaldo perpassa vários sucessos da carreira do ídolo, tais como “Conceição” (em dueto póstumo com o homenageado), “Bastidores” e “Ninguém é de ninguém”. O cantor saiu em turnê pelo país com show homônimo. No mesmo ano foi lançado nos cinemas o documentário “Eu, Pecador”, retratando a vida musical, pessoal e política do artista.

Em 2018 gravou o álbum Reverências, ao vivo no Teatro Itália (SP), em que presta tributo a ídolos e artistas do seu tempo que influenciaram sua obra como Elis Regina, Gonzaguinha e Tim Maia. No mesmo ano grava um show para o programa Todas as Bossas da TV Brasil apresentando seus recentes trabalhos e participa de álbuns coletivos em homenagem a outros artistas, tais como Luiz Vieira e Martinha, as apresentações musicais foram registradas em disco. Também participou ao lado de grandes artistas nacionais do projeto especial em homenagem ao centenário da cantora Dalva de Oliveira e saiu em turnê na companhia de Claudete Soares, Eliane Pittman e Márcio Gomes com pelo país para a divulgação do trabalho. Junto destes artistas gravou um especial em 2019 em tributo à Dalva que foi transmitido pela TV Brasil no programa Todas as Bossas.

No ano de 2019 o cantor sofreu um AVC quando se preparava para uma apresentação no interior da Bahia. O cantor ficou hospitalizado por 59 dias e ao longo do ano foi recuperando sua saúde; retornou aos palcos em dezembro do mesmo ano. Seu grande retorno se deu no programa Conversa com Bial, onde conversou sobre sua vida e carreira com o apresentador e interpretou alguns sucessos.

Após dezessete dias internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Casa São Bernardo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, morreu em 3 de abril de 2021, aos 84 anos, de complicações decorrentes da Covid-19.

E para relembrar a voz que se tornou imortal em nossas mentes nada melhor que escutar a música: “Ninguém é de Ninguém”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 horas da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa homenagem nesta quinta-feira, 29 de abril, vai para Almir de Souza Serra. Almir Guineto foi um sambista e compositor brasileiro. Um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal, foi considerado um dos maiores representantes do samba raiz. Além disso, Almir inovou ao introduzir o banjo adaptado com um braço de cavaquinho (o banjo-cavaquinho). Destacou-se também pelo modo extremamente  original de executar o instrumento, afinando-o à moda das últimas cordas do violão e palhetando-as velozmente, fazendo-as tremular conforme o suingue do repique de mão e do tantã.

Entre seus principais sucessos, destacaram-se “Caxambu”, “Conselho”, “Jiboia”, “Lamas na Ruas”, “Mel na Boca” e “Coisinha do Pai”. O Guineto de seu apelido é uma derivação da palavra magnata, que evoluiu para magneto e, então, Guineto.

Almir Guineto foi um dos mais versáteis e fiéis artistas do samba brasileiro. Nasceu em 12 de julho de 1946, no morro do Salgueiro, subúrbio carioca. Criado em meio a músicos de primeira linha como Geraldo Babão, Antenor Gargalhada e muitos outros, Almir cresceu influenciado pela veia sambista de seu pai, Iraci de Souza Serra, respeitado violonista e integrante do grupo Fina Flor do Samba, e de sua mãe, Nair de Souza Serra – a “Dona  Fia”, costureira do morro Salgueiro e figura ancestral do samba.

Desde muito jovem, Almir Guineto já mostrava seu diferencial musical. Dono de uma voz inconfundível, única, rascante, o cantor, músico e compositor ingressou aos 16 anos no grupo Originais do Samba, fundado pelo seu irmão mais velho, Francisco de Souza Serra – o “Chiquinho”, onde tocou por dez anos. Sua primeira composição foi Bebedeira do Zé, gravada justamente  pelos Originais do Samba.

O rei do pagode, apelido que conquistaria na década de 1980, conduziu a bateria do Salgueiro por 15 anos e ao sair deixou o posto para seu irmão mais novo, o lendário “Mestre Louro”, destacado violonista – comparado a Baden Power por Beth Carvalho – e cavaquinista, Almir Guineto frustrava-se por ser pouco ouvido, nas rodas de pagode do bloco carnavalesco Cacique de Ramos. No final dos anos 70, em meio à alta sonoridade dos couros de tantãs e pandeiros da época. Foi aí que, acompanhado do músico e humorista Mussum, adaptou o banjo – instrumento utilizado na música country americana – ao samba. Cabe lembrar inclusive, uma frase do cantor Zeca Pagodinho: “banjo no samba só existem dois: Almir Guineto e Arlindo Cruz”.

Apoiado por Beth Carvalho, Almir Guineto oficializou em 1980 a fundação do grupo Fundo de Quintal, ao lado dos parceiros Neoci, Jorge Aragão, Sombrinha, Bira, Ubirany e Sereno. Após a gravação do disco “Samba é  no Fundo do Quintal”, Almir deixaria o conjunto para cantar, a partir de 1981, em carreira solo.

Ao longo da década de 80, Almir Guineto destacou-se cada vez mais no cenário musical brasileiro como intérprete e compositor, sendo gravado, além de todos os grandes sambistas do país, por artistas como Elba Ramalho, Nelson Gonçalves, Elymar Santos e muitos outros. De lá pra cá, Almir Guineto colecionou 13 discos próprios e outras tantas participações em CDs e DVDs de nomes como Chico Buarque de Holanda, Beth Carvalho e Martinho da Vila.

Nos últimos meses de vida, Almir Guineto lutava contra problemas renais crônicos, o que o impossibilitou de assumir compromissos em shows e apresentações. o sambista Almir Guineto morreu, aos 70 anos, no dia 05 de maio de 2017, no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Rio de Janeiro.

Almir participou ainda de dois filmes: Natal da Portela e Chico e as Cidades. Almir Guineto deixou seu nome na história da cultura brasileira, como um dos mais versáteis e fiéis artistas do samba brasileiro. Relembre o talentoso Almir Guineto no samba: CONSELHO

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

O homenageado escolhido de hoje será um pernambucano autêntico, José Accyoli Cavalcante Neto, ou simplesmente Accyoli Neto, nasceu em 11 de julho de 1950 na cidade de Goiânia, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Accyoli Neto foi um cantor e compositor de música popular brasileira. Iniciou sua carreira artística como vocalista de grupo no Rio de Janeiro.

Ao longo de sua carreira participou de diversos festivais de música e lotou casas de espetáculos principalmente no nordeste cantando grandes sucessos de sua composição interpretados por cantores de renome, como, Fagner, Flávio José, Elba Ramalho, Fábio Junior, Roberta Miranda, Nando Cordel entre outros.

Em 1981, casou-se com Teresa, produtora musical, com quem teve uma filha, Talitha. Em 1991, voltando de Maceió para Recife, sofreu um grave acidente na estrada, que lhe deixou sequelas, enfrentando um período de forte depressão. Ainda assim, continuou compondo.

Seu primeiro CD “Lembrança de um Beijo” lançado em 1995 teve a música homônima interpretada magistralmente por Fagner e por outros grandes cantores. Accyoli Neto foi radicado  no Recife desde os dois anos de idade, foi o caçula de uma família de 12 filhos. Aprendeu a tocar violão aos oito anos, observando os seresteiros amigos de suas irmãs mais velhas.

Chegou a passar no vestibular de Medicina, mas desistiu do sonho que era da sua família para seguir a paixão pela música. Na estrada, fez grandes amigos e se  firmou nacionalmente como compositor. Cantava a política, os temas sociais, o amor, os sentimentos dos sertanejos, dos nordestinos, dos brasileiros.

A década de 80 foi grandiosa para Accyoli Neto, que foi finalista de importantes festivais, como o MPB 81, com a música “No nosso é refresco”, firmando o seu nome como cantor e compositor. O cantor Jessé (falecido) gravou várias composições suas, com destaque para “Paraíso das Hienas”.

Nos anos 90, após sofrer o grave acidente (já citado acima), Accyoli Neto se dedicou principalmente às composições, foram cerca de 800 músicas compostas , 300 delas cantadas por artistas de todo o Brasil. “Lembrança de um beijo e Espumas ao Vento” acabaram se tornando sucessos nacionais na voz de Fagner. Sua primeira música com repercussão foi “Severina Cooper”, fez parte da primeira cantoria da música nordestina, em 1978, e foi gravada por Paulo Diniz, o que rendeu o primeiro contrato de Accyoli Neto com uma gravadora.

Teve também duas músicas como parte das trilhas sonoras dos filmes “Lisbela e o Prisioneiro” e “A Máquina”. Em 1980, a cantora Vanusa gravou “Mulher Maravilha”. Em 1981 teve a música “Primavera” numa parceria  com Carlos Alexandre  gravada pelo próprio, já falecido. Em 1987, teve a sua música “Dodói”, gravada por Roberta Miranda.

Em 29 de outubro de 2000, aos 50 anos, Accyoli Neto sofreu um aneurisma cerebral e faleceu, no Recife, deixando uma enorme obra, que foi e continua sendo gravada e divulgada por diversos artistas no Brasil e no mundo.

Vamos recordar esse grande talento pernambucano com um de seus maiores sucessos, interpretado por ele mesmo: Lembrança de um Beijo

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Toando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingo das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Poucos conhecem ou já ouviram falar em Oswaldo Freire de Oliveira. Pois bem, Oswaldo Oliveira ou simplesmente Vavá da Matinha, foi um renomado cantor paraense, nascido em Belém do Pará no dia 23 de outubro de 1935.

Oswaldo Oliveira iniciou sua carreira na década de 1950 praticamente junto com Ary Lobo, até hoje considerado o maior cantor de forró que o Pará já produziu e que teve fulgurante carreira de brilho nacional. Oswaldo Oliveira passou pelo forró e foi grande. Gravou sambas de matuto com Abdias e foi enorme, mas seu charme mesmo, sua grande invenção, foi o brega romântico e altamente dançante.

Considerado um dos percursores da música brega paraense, começou a carreira cantando forró, mas foi com o bolero, que para muitos é o embrião do brega, que o artista conquistou a fama na década de 1970. Oswaldo Oliveira vendeu milhares de discos e teve várias de suas canções gravadas por gente como Jackson do Pandeiro, Bezerra da Silva e o forrozeiro Abdias. “Vavá da Matinha” foi também o primeiro cantor a gravar no Brasil um merengue com letra, a canção “A deusa do mercado São José”, que como tudo que ele gravou na época se transformou em um grande sucesso.

Em 1959, ele mudou-se para o Rio de Janeiro. Na bagagem, levava uma carta de recomendação do amigo Edyr Proença para a Rádio Tupi. Já no ano seguinte, gravou duas músicas numa coletânea. O trabalho fez tanto sucesso que, pouco tempo depois, Vavá ganhou seu próprio 78 rotações.

O primeiro LP da carreira recebeu o título de “Eternas lembranças do Norte”. Tinha apenas quatro composições e a maioria das músicas em ritmo de forró. Nessa época, fazia sucesso no cenário musical brasileiro artistas como o “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga, e Vavá da Matinha, que, no Rio, fazia sucesso com seu nome de batismo, tinha espaço de destaque entre eles. Seu sucesso na gravadora continental lhe rendeu um contrato com uma das maiores gravadoras da época, a CBS. Só para se ter uma ideia era a mesma gravadora de Roberto Carlos. 

Depois de Vavá, as grandes gravadoras passaram a investir em cantores como Reginaldo Rossi. Foi pela CBS que ele lançou um dos  maiores sucessos “Só Castigo”. Um fato pouco mencionado em sua vida pessoal e de artista: Vavá deveria ter morrido no dia 14 de março de 1970. Ele integrava o famoso grupo chamado de “Caravana do Forró”, criado pelo produtor musical Abdias Filho, e do qual também faziam parte, artistas como Marines e sua gente, Jacinto Silva, Coronel Ludugero, Abdias, Jackson Do Pandeiro, Otrópe e Dona Filomena, Messias Holanda, Trio Nordestino, Elino Julião, entre outros.

A caravana do forró havia se apresentado em São Luiz do Maranhão, e parte do grupo tomou um avião rumo a Belém. Naquela noite, porém, Oswaldo Oliveira caiu nos braços, e na cama, de uma garota (Goipeba), perdendo o voo 903. Chovia muito naquela manhã e, na aproximação, o piloto despencou, atolando a aeronave na Baía de Guajará.

Morreram quase todos os 39 ocupantes. O desastre foi tão dramático que, alguns corpos, dentre eles o de Coronel Ludugero, “Luiz Jacinto”, só foram encontrados no dia 30. O corpo do Coronel Ludugero foi sepultado em sua terra, Caruaru, Pernambuco, no dia seguinte. Só três pessoas sobreviveram. Otrópe, Irandir Costa, também morreu naquele dia.

Em 45 LPs, e 4 CDs gravados, estão grandes sucessos: “Salada em Família”, “O canto do galo”, “Ninguém segura o nosso amor”, “Bairros de Belém”, “Zé dos Santos”, “Voltei Sonhando”, “É hoje que a muda fala”, “Só vou de Mulata”, “Minha Companheira Solidão” e tantos outros.

Oswaldo Oliveira faleceu no dia 31 de março de 2010, com disfunção  múltipla de órgãos. Vavá da Matinha teve um AVC, pneumonia e problemas cardíacos.

Vavá fez grande sucesso popular nos anos 50,60 e 70. Foi um dos percursores do brega e é considerado, com justiça, o responsável pela abertura de caminhos para cantores e grupos musicais como a Banda Calypso, Wanderley Andrade, Carlos Santos E Roberto Vilar (O Papudinho).

Depois de ter contado um pouco de sua biografia, talvez? Alguém ainda desconheça a fera Oswaldo Oliveira. Mas para matar as saudades desse famoso paraense, vamos recordar o seu maior sucesso: “Só  Castigo”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Meu caro leitor(a), ainda consternado com a partida do meu amigo, irmão e parceiro do programa “Tocando o Passado” apresentado aos domingos pela manhã, na Rádio Afogados FM, sinto-me na obrigação hoje, de passar através do Blog PE Notícias, que tenho a honra de colaborar com crônicas musicais todas as quintas-feiras, um pouco do que foi José Tenório Cavalcante, o Tenorinho, como era chamado carinhosamente pelos amigos mais íntimos, e que deixou seu respeitado nome por onde passou.

No rádio, começou a brilhar nos anos 60 e 70. Convidado pelo então radialista já consagrado, na época, Waldecy Xavier de Meneses, o mestre Tenorinho se encaixou como uma luva na radiofusão sertaneja. Brilhou tanto que chegou a ser comparado com o próprio Waldecy, o maior sucesso do rádio naquele momento.

José Tenório fazia sucesso no programa “Paradas de Sucesso” e às vezes dividia seu talento apresentando o seu show ao lado de Waldecy na apresentação do programa “Alma Sertaneja”. Também apresentou, e com bastante brilho, programas como: Parabéns pra Você, No Terreiro da Fazenda e Sertões do Fazendeiro.

No palco, também brilhou ao apresentar com bastante categoria o programa Domingo Alegre. No auge do rádio, Tenorinho resolveu mostrar seu talento mais adiante. Foi tentar sua sorte em São Paulo, de início, tentou rádio, mas em um dos testes realizados, se destacou e foi elogiado pela cantora Aracy de Almeida, no dia fazendo parte da comissão julgadora. Ficou em segundo lugar e só existia uma vaga para ser preenchida.

Aracy de Almeida, porém, fez severas críticas à escolha e em tom grosseiro falou de sua decepção em não terem escolhido por merecimento o José Tenório. Chateado pelo arrumadinho, Tenorinho foi tentar sua sorte em outro setor e se deu bem. Trabalhou no Clube Monte Líbano Paulista por um bom tempo. Mas o seu destino estava marcado para se destacar por aqui mesmo em nossa região.

Voltou ao Rádio Pajeú para novamente sacudir o coração do ouvinte com o badalado programa “Comunica Show”, das 13 às 15 horas de segunda a sábado. O sucesso foi tão grande que surpreendeu até mesmo o próprio apresentador que passara quase 8 anos fora dos microfones. Acontece que naquela época (hoje é um pouquinho melhor), radialista não recebia uma boa remuneração, e Tenorinho teve que deixar aquilo que ele mais amou: fazer rádio, ser locutor, passar emoção para o ouvinte, dividir bons momentos com a galera.

Foi quando surgiu o concurso da Companhia de Eletricidade de Pernambuco (Celpe – na época). Não deu outra, com poucos meses o homem da voz mais educada do rádio interiorano deixava aquilo que mais gostava para tentar oferecer uma vida melhor à sua família, e conseguiu. Tanto que terminou se aposentando na Celpe.

Aposentado, ainda tentou continuar trabalhando no comercio em Nova Petrolândia, também no Sertão de Pernambuco. Mas ele próprio sentia que sua história teria que terminar aqui mesmo, em Afogados da Ingazeira, fazendo o que mais teve prazer, rádio. Foi quando voltou para nossa cidade, tentou retornar ao Rádio Pajeú, e apresentar um programa nas noites. Porém, o seu passado, tudo aquilo que ele construíra naquela emissora não foi reconhecido e alguém negou como se tirasse uma balinha da boca de uma criança.

E ele, triste, decepcionado, disse-me: acabou o sonho de voltar a fazer rádio. Sentindo como se fosse na pele a decepção do amigo companheiro, tentei lhe convencer a ingressar na Rádio Transertaneja FM, o que não aceito pelo Tenorinho.

Passaram-se alguns meses, e eu não perdia as esperanças de vê-lo ao meu lado, cara a cara, apresentando um programa. Foi quando me veio à ideia de fazer um programa diferente, uma coisa que despertasse o ouvinte. Criei a ideia de lançar o programa “Tocando o Passado”. Conversei com a direção da emissora, falei do meu projeto e foi aceito no ato (agradecimento a Wellington Rocha – Diretor da Rádio Afogados FM).

Inicialmente o programa foi apresentado por mim durante 4 domingos. Pensei, agora é só questão de tempo. E foi justamente o que aconteceu, domei a fera e ela veio ao meu encontro. Ficamos mais de três anos juntos, e Tenorinho ainda de quebra teve a genial ideia de convidar outro mestre da música, o meu amigo Hiltinho que chegou para reforçar o time e aumentar a audiência. Tanto que o programa aumentou de duas para três horas, das 5 às 8 da manhã.

O sucesso foi e está sendo tão enorme que Hiltinho e eu resolvemos continuar com o programa. Confesso aos amigos, de coração, que o Tocando o Passado jamais será o mesmo sem Tenório. Mas vamos tocar o barco pra frente.

Para o sucesso continuar precisaremos do apoio dos ouvintes, com elogios, críticas e sugestões.

José Tenório Cavalcante nasceu em 29 de julho de 1946 e nos deixou no dia 1º de abril de 2021. Descanse em paz, Tenorinho. E as perguntas que eu te fiz e que você não respondeu, é só uma: Questão de Tempo. Música na voz de Moacyr Franco.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Vamos homenagear hoje o paraense Alípio Martins. Que nasceu em Belém do Pará, no dia 13 de junho de 1944. Alípio Martins foi um cantor, compositor e produtor musical brasileiro. Foi um dos expoentes da lambada e brega, ritmo latino que se tornou febre no Brasil nos anos 80, junto com Beto Barbosa, Odair José, Reginaldo Rossi, Altemar Dutra, Adelino Nascimento, José Augusto, Carlos Alexandre, Nilton Cesar, Paulo Sergio, Wando, Sidney Magal, Ovelha, Waldick Soriano, Amilton Lelo, Agnaldo Timóteo, Moacyr Franco, José Ribeiro, Anísio Silva, Bartô Galeno, Fernando Mendes, Antonio Marcos, Sandro Lucio, Julio Nascimento, Lairton e seus Teclados, entre outros.

Desde a adolescência, Alípio Martins sonhava em se tornar músico profissional e fazer sucesso. Aos 15 anos, fugiu de casa sem dinheiro e viajou de navio, como passageiro clandestino, para o Rio de Janeiro, em uma  viagem de  aproximadamente 30 dias. Na viagem, foi descoberto pelo cozinheiro do navio, porém, conseguiu chegar a um acordo com a tripulação ao confessar seu sonho.

Alípio Martins acreditava ser melhor produtor musical do que cantor. Vários artistas que gravaram com Alípio recordam-se das histórias e das técnicas utilizadas por ele durante as gravações. Entre seus principais sucessos, destacam-se “Garota”, “Lá vai ele”, “Onde andará você”. “Vem me amar” e “Pra mim você morreu”. Como compositor escreveu grandes sucessos como “Quero Você”, “Ei você, Psiu”, “Menina do interior”.

Durante sua carreira recebeu 12 discos de ouro, 8 de platina, 1 de platina duplo, mais 5 discos de ouro por produções, com vendas de discos, CDs e fitas totalizando quase 5 milhões de unidades.

Alípio Martins gravou seu primeiro disco (Compacto simples) em 1969. Fez sucesso nos anos 1970 com diversas músicas no chamado estilo brega, muitas delas com forte teor humorístico. Pouca gente sabe, mas o saudoso cantor e produtor musical Alípio Martins teve uma relação muito forte com a cidade de Macaíba (RN), através de sua esposa, a macaibense  Mirian Martins. Era ela quem fazia a composição das músicas de maior sucesso da carreira do cantor, assinando  com o pseudônimo de Marcelle.

Alípio Martins foi um dos precursores da música e ritmos brasileiros, entre eles o carimbó, lambada e brega, nos anos 1980 e 1990.

Alípio Martins faleceu em 24 de março de 1997, vítima de câncer no estômago.

Para reviver um pouco a carreira deste artista, vamos curtir uma das músicas de maior sucesso de Alípio Martins: Onde andará você…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Poucos conheceram e ouviram falar em Humberto Miranda Neto, conhecido artisticamente por Beto Mi. Foi um cantor, compositor, produtor musical e arranjador brasileiro (muita bagagem). Muito cedo percebeu-se o seu interesse pela música. 

Beto Mi nasceu no dia 04 de julho de 1958 em Guaratinguetá, no estado de São Paulo. Filho dos funcionários públicos Arthur de Miranda e Maria  Luzia Carvalho Casale de Miranda, que tocavam acordeom e piano. Primo dos músicos Sérgio, Geraldo, Marcelo, Tetê e Alzira Espíndola. Sobrinho dos trigêmeos de maracatu (Aécio, Haroldo e Marcelo Miranda), pianistas da área erudita.

Na década de 70, mudou-se para São Paulo, para ingressar no instituto musical de São Paulo, onde  cursou alguns períodos da Faculdade de Música e Educação Artística. Nessa época, frequentou bailes de estudantes e a noite paulista e foi convidado a participar do Teatro Experimental Universitário (TEU), atuando como diretor musical do grupo. Em seguida, começou a participar de festivais de MPB, vencendo alguns. foi chamado de o “Rei da Afinação” e de “Divino” pela cantora Ângela Maria. Em 1982, após vencer o festival de Ubá, com a música “Ói u Trem”,  onde recebeu o prêmio das mãos do compositor Alcyr Pires Vermelho, que o comparou a Chico Buarque de Holanda.

No início de carreira foi convidado por diretores da gravadora RCA Victor, a gravar seu primeiro disco, um  compacto que foi distribuído somente no estado de Minas Gerais. No ano seguinte, Beto Mi assinou um contrato com a gravadora, acima mencionada, e lançou seu segundo compacto, desta vez com distribuição em todo território nacional. Em seguida lançou o seu primeiro LP, intitulado “Beto Mim”, que chegou a vendagem de 100 mil cópias se destacando o grande sucesso “Pra não dizer que não falei do verso”. Seu primeiro LP foi muito elogiado pela crítica e foi considerado um clássico da MPB, levando a trabalhar com personalidades como Sá & Guarabira, Flávio Venturini, Vanusa, Ivan Lins, Ronnie Von, Rosemary e Peninha.

Em 1986, Beto Mi lançou seu segundo LP “Espelhos” com destaque para a música-título “Um tempo pra sonhar”, terceiro álbum do cantor, foi lançado em 1989. Este trabalho obteve um grande sucesso nacional, com as músicas “Espanhola” e “Sonho de Primavera”, sendo executado em todas as rádios do país. Com o resultado deste sucesso, Beto Mi  ganhou um videoclipe e conquistaria o Prêmio Sharp de Música de 1990. em 1995, Beto Mi gravou o seu sexto disco (o primeiro CD) na carreira, “Andarilhos da Luz”. Este CD teve a produção do próprio Beto Mi e a participação especial de sua filha Thais Miranda, na época, com 11 anos de idade. o sétimo disco “16 anos de Beto Mi” foi lançado em 1999 em comemoração aos 16 anos de carreira do cantor.

Em 2005, Beto Mi foi indicado e nomeado Secretário da Cultura de Guaratinguetá, onde desenvolveu um trabalho em prol dos projetos culturais da cidade e região. 3 anos depois, foi indicado e eleito diretor de comunicação do Fórum dos Dirigentes Culturais do Estado de São Paulo (Fecult).

Em 2009, Beto Mi lançou o CD “25 Anos”, uma coletânea composta dos maiores sucessos do cantor, como “Pra não dizer que não falei do verso”, “Anjo da Guarda”, “O ano que virá”, “Ói u Trem”, “Espelhos”, “Espanhola”, “Sonhos de Primavera”, “Volto Já” e outras músicas inéditas.

Em 2017, Beto Mi  lançou seu primeiro DVD, além de fazer um show em comemoração aos 35 anos de carreira artística.

Beto Mi faleceu no dia 10 de junho de 2019 vítima de um infarto fulminante na cidade de Guaratinguetá, sua cidade natal.

E para matar as saudades desse gênio que um dia foi comparado ao poeta Chico Buarque De Holanda, e chamado de Divino pela cantora Ângela Maria, vamos curtir o seu maior sucesso: Pra não dizer que não falei do verso

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Alguém recorda de Ademar Marques Rataiesky? Claro que não. Mas se eu modificar a perguntar e disser: alguém já ouviu falar em Ademar  Silva? Agora sim, muitos vão recordar com carinho do cantor, compositor e acordeonista. Nasceu em 15 de novembro de 1943 no município de São Lourenço do Sul, mas morava na cidade gaúcha de Pelotas. Iniciou sua carreira aos 15 anos como acordeonista.

Ademar Silva foi o primeiro gaiteiro de Teixeirinha, e com ele apresentou-se em festas e eventos no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina. Ademar Silva também chegou a  acompanhar, por pouco tempo, o cantor José Mendes. Gravou 18 discos, e interpretou diversas músicas de sucesso como “Gaúcho Forasteiro”, “Oito de Maio”. “Noite Escura”, “O Amor que eu Sonhei”, “Homenagem ao Papai”, “Chuva do Bem”, “Rei dos Pampas”, “Saudades de Porto Alegre”, “Velhas Cartas”, entre outras.

Ao longo de seus 51 anos de carreira, Ademar Silva gravou mais de 600 músicas e fez mais de 1.000 apresentações. Ainda adolescente tirava na harmônica solos de músicas de seu compositor favorito, Pedro Raimundo. Em 1961 gravou “Gaúcho Forasteiro” e “Oito de Maio”. Em 1962 lançou “O Amor que eu Sonhei” e “Homenagem ao Papai”. Em 1963 gravou as toadas “Leva eu, Saudade” e “Chuva do Bem”. Em 1968 lançou  “Rei dos Pampas”. Gravou também  “Vida Triste”.

Apresentou-se em emissoras de Rádio e TV, circos, boates e teatros de diversos estados do Brasil. Em 1975 gravou um LP com destaque para as músicas “Saudades de Porto Alegre” e “Felicidade” (Lupicínio Rodrigues). Entre 1975 e 1982, gravou 4 LPs, porém, não repetiu o sucesso de anteriormente.

Ademar Silva faleceu vítima de um  infarto quando estava retornando para Pelotas depois de fazer um show no município de Veranópolis, numa segunda-feira, dia 13 de abril de 2015.

E para matar as saudades desse talento do Rio Grande do Sul, o gaúcho Ademar Silva (Tchê), vamos recorda-lo com o seu grande sucesso: NOITE ESCURA.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa homenagem de hoje vai para o poeta cantador Zé Marcolino. Pela sua importância na história da música brasileira, o poeta Zé Marcolino, merecia mais atenção das entidades culturais. Os responsáveis pelo setor cultural de Juazeiro e Petrolina esqueceram nos últimos anos desde que Zé Marcolino morreu, de lembrar os frutos produzidos pelo cantor/compositor.

Zé Marcolino morou nos anos 70 em Juazeiro da Bahia, onde foi comerciante. Juazeiro e Petrolina tem uma dívida com a memória do poeta.

No dia 20 de setembro de 1987 a voz de José Marcolino Alves silenciava por ocasião da morte causada por um acidente de carro, entre Afogados da Ingazeira e Carnaíba (propriamente no sítio Santo Antonio 3). A causa da morte foi uma batida em um animal (uma vaca).

Zé Marcolino nasceu em Sumé, Sertão da Paraíba, em 28 de junho de 1930. (Coincidência: nasceu no dia em que o nordestino comemora as festividades juninas de São Pedro). Zé Marcolino venceu os obstáculos da vida simples e quando teve oportunidade deixou o Rei do Baião, digamos “bestim com tamanha genialidade”. Metade do repertório do LP “Ô Véio Macho” de 1962, tem Luiz Gonzaga interpretando as composições que José Marcolino lhe mostrou em Sumé. Sertão de Aço, Serrote Agudo, Pássaro Carão, Matuto Aperreado, A dança  do Nicodemos e No Piancó. Estes foram os forrós de Zé Marcolino gravados pelo Rei do Baião.

Ele interpretaria várias outras, entre as quais as antológicas numa Sala de Reboco e Quero Chá. Zé Marcolino participou da turnê de divulgação do LP Véio Macho, viajando de Sul a Norte do país com Luiz Gonzaga, no entanto, a saudade da família e suas raízes sertanejas foram mais fortes. Depois de um show no Crato, Ceará, ele tomou um ônibus até Campina Grande e de lá foi para Sumé, de onde fretou um táxi para a Prata, onde morava.

Com o sucesso de suas canções cantadas por vários artistas (Quinteto Violado, Assisão, Genival Lacerda, Ivan Ferraz, Dominguinhos, Fagner, Jorge De Altinho, Elba Ramalho, Mastruz com Leite e tantos outros nomes da música brasileira), se tornou Zé Marcolino um dos mais talentosos compositores da música brasileira de todos os tempos. Somente em 1983, produzido pelos integrantes do Quinteto Violado, Zé Marcolino lançou seu primeiro e único, hoje fora de catálogo, LP Sala de Reboco, assim como também seu único livro. No LP “A Triste Partida”, Luiz Gonzaga gravou Cacimba Nova, Maribondo, Numa Sala de Reboco e Cantiga de Vem Vem.

Zé Marcolino ficou em Juazeiro da Bahia até 1976, quando veio para Serra Talhada, Sertão de Pernambuco. Inteligente, bem humorado, observador, Zé Marcolino tinha os versos nas veias como a cantiga do Sertão. Casou com Maria do Carmo Alves no dia 30 de janeiro de 1951, com quem teve os filhos Maria de Fátima, José Anastácio, Maria Lucia, José Ubirajara, José Walter, José Paulo e José Itagiba.

O sertanejo Zé Marcolino foi um homem que valorizou as tradições nordestinas, sendo muito ligado aos cantadores e às prosas sertanejas, que foram profundamente importantes em sua vivência como homem de origem humilde. Diante do desejo de conhecer Luiz Gonzaga, escreveu-lhe diversas cartas, porém nunca havia obtido resposta. Certo dia, sabendo que Luiz Gonzaga estava em sua cidade, hospedado no Grande Hotel, José Marcolino não se conteve, sabendo que aquele momento poderia ser a grande oportunidade para apresentar suas músicas a Luiz Gonzaga, e foi a sua procura. O primeiro encontro foi tratado com certo desinteresse percebido por Marcolino, que de cara interrogou Luiz Gonzaga sobre o recebimento de suas cartas.

O encontro não durou muito tempo, e o compositor foi embora desanimado com o desenrolar da conversa. Decorrente de sua persistência, José Marcolino conseguiu com que Luiz Gonzaga lhe escutasse. Após a sua apresentação, Luiz Gonzaga perguntou ao compositor quantas canções iria lhe dar. Respondendo, José Marcolino disse umas três. Por fim, recebeu um abraço de Luiz Gonzaga, que convidou o novo parceiro para ir com ele para o Rio de Janeiro, dando início a uma importante parceria que originou várias canções de grande sucesso na carreira do Rei do Baião.

No dia 19 de setembro de 1987, José Marcolino foi vítima de um grave acidente de carro, vindo a falecer no dia seguinte. E para matar as saudades do caboclo Marcolino, que tal relembrar da inesquecível música: SERROTE AGUDO, na voz do imortal Luiz Lua Gonzaga…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Certamente, muitos já ouviram falar nesse nome, como também, muitos nem sequer conheceram: refiro-me a Helio Santisteban. Que foi um cantor, compositor, tecladista e arranjador da banda “Pholhas”.

O conjunto musical chegou a fazer 40 shows por mês. O raro ouvido absoluto há de ter facilitado a vida de Helio Santisteban, da infância prodigiosa até os 64 anos da carreira. Foi ele a voz inesquecível dos Pholhas, uma das principais bandas de rock nacional dos anos 1970, especializada em covers de grupos americanos e ingleses – moda à época da ditadura militar brasileira.

Helio também lançou músicas próprias, quase sempre românticas, no idioma estrangeiro. Entre os sucessos estavam “She Made me Cry”, “I Never Did Before” e “Forever” – a preferida de Helio, apelidado pelos colegas de cabeção. Na banda, teve uma trajetória de idas e vindas. Saiu pela primeira vez em 1978, retornando dois anos depois para gravar o disco “Memories”.

Em 2006, deixou definitivamente Paulo Fernandes (Baterista), Oswaldo Malagutti (Baixo) e Wagner “Bitão” Benatti (Guitarra). Helio quis investir numa carreira solo chegando a criar temas para programas de Tv, entre eles “Fim de semana sem grana” da novela amor com amor se paga”. Também regravou em discos solo, sucessos que lançou com os Pholhas.

Nascido no Pari, região central da capital paulista, e criado na Zona Leste, Helio mantinha, mesmo no auge do sucesso, o estilo despojado: tênis, calça jeans largada e um brinco na orelha esquerda. Começava as frases com “Pô, bicho” e não abria mão de parar em qualquer canto e pedir uma Coca-Cola bem gelada.

Seu último disco foi intitulado “Alone”. Tinha acabado de gravar uma nova música, mas o cantor morreu enquanto dormia. Sofria de ataxia (perda de coordenação muscular). Helio Santisteban  deixou a mãe, a irmã, a esposa e três filhos. Ele faleceu no dia 26 de agosto de 2018 aos 69 anos, em São Paulo.

A música  que vamos recordar do grupo Pholhas, talvez tenha sido o maior sucesso do grupo, gravada em 1972. ” My Mistake”. Chegou a vender 450 mil cópias em 2 meses depois de lançada e tornou-se, na época, primeiro lugar em todo o país.

Recordemos então, o primeiro sucesso desse grupo que tanto sucesso fez na década de 1970:  My Mistake…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Superada a fase de conhecimento da Manaus, o interior do estado do Amazonas tem como grandes atrativos?

Papa – Não recomendo desafiar a floresta amazônica para fazer nela uma incursão, faça com segurança, para tanto utilize empresas e guias sérios e preocupados com sua segurança. Para começar a sugestão seria conhecer o Museu do Seringal. O passeio, é claro, é feito de barco numa viagem em torno de 30 minutos. O local é estruturado para levar o turista ao mundo da exploração do látex. Guias muito bem treinados contam a história da atividade e o turista vai perceber o hiato entre as moradias dos barões da borracha e as casas dos trabalhadores que cuidavam da retirada do látex. O fenômeno Casa Grande x Senzala é presente também na região norte.

Nova aventura? Uma hospedagem em um dos diversos hotéis da selva. Novamente com apoio de uma empresa conceituada. Adormecer e acordar em plena selva amazônica, instalado numa estrutura rústica que repousa sobre as águas no estilo palafita é uma experiência inarrável. Nos pacotes serão ofertados passeios por meio da selva com direito a pernoite em redes armadas nas gigantescas arvores da selva.

Próxima etapa? Para os amantes de esporte radicais a sugestão é conhecer a região de Presidente Figueiredo, um pouco mais de 130 km de Manaus. O melhor meio de fazer o trajeto é de carro para conhecer a região com mais detalhes. Suas lagoas, grutas, cavernas e cachoeiras pagam todo e qualquer esforço, neste caso a palavra sacrifício não cabe. Na região está instalada a Usina Hidroelétrica de Balbina.

Outra sugestão é tirar um tempo para conhecer Parintins, fica há pouco mais de 400 km de Manaus por via fluvial. Fazer o percurso de outra forma é desperdiçar a oportunidade de navegar com segurança pelo Rio Amazonas. Nesta cidade, no mês de junho, é realizado um dos maiores eventos culturais do Brasil, a disputa entre os bois Caprichoso x Garantido é sinônimo de uma manifestação cultural que extrapola qualquer julgamento prévio ou expectativa com base em leitura ou cenas em filmes. Só vendo o turista pode medir a intensidade da festa.

Para encerrar a sugestão, é ir até a região de São Gabriel da Cachoeira, em viagem de avião. No extremo noroeste do Brasil, destaco a Praia Grande, no encantador Rio Negro; a Reserva Biológica Estadual Morro dos Seis Lagos, com seus contrates e em Santa Isabel do Rio Negro conhecer o Parque Nacional do Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil. Para este passeio além de guias experientes é necessário autorização de órgãos fiscalizadores instalados na região. Depois disto você desmentirá muita gente que fala besteiras sobre a Amazônia, sem conhecer.

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa homenagem de hoje segue para Maysa Figueira Monjardim. Maysa foi uma cantora, compositora, instrumentista e atriz brasileira, nasceu no dia 6 de junho de 1936, no Rio de Janeiro. Maysa Matarazzo ou simplesmente Maysa, fez grande sucesso nas décadas de 1950 e 1960.

Maysa foi mãe de Jayme Monjardim, diretor de novelas. Filha da italiana  Inah Figueira Monjardim e do fiscal de rendas, Alcebíades Monjardim, descendente de tradicional família do Espírito Santo. Foi neta do Barão de Monjardim e bisneta do comendador José Francisco de Andrade Monjardim, que presidiram a província do Espírito Santo.

Com 3 anos mudou-se com a família para a cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Com 7 anos foi levada para estudar no Sacre-Coeur de Marie, onde permaneceu interna durante quatro anos. Em 1950 foi morar em São Paulo. Desde pequena, Maysa desejava ser cantora. Compôs algumas músicas, entre elas , “Adeus”, quando tinha 12 anos. Na adolescência , se apresentava cantando e tocando violão para amigos e parentes. Era uma jovem bonita e rebelde para o seu tempo. Gostava de fumar, de beber, de usar cabelo curto e vestir calça comprida, hábitos moralmente masculinos para a época, o que desagradava a sua família.

Em 1954, com apenas 18 anos, Maysa casou-se com André Matarazzo, um rico empresário, amigo de seu pai, 17 anos mais velho que ela, um dos herdeiros da família Matarazzo. No dia 19 de maio de 1956, nasceu seu filho Jayme Monjardim Matarazzo (que se tornaria um conhecido diretor de telenovelas). Nesse mesmo ano foi descoberta por um produtor musical que lançou o disco “Convite para ouvir Maysa”, com a exigência do marido para a cantora não sair na capa – no lugar aparece orquídeas, e que a renda fosse revertida para o Hospital do Câncer. Tudo isso porque naquela época as cantoras de rádio não eram bem vistas pela sociedade.

O primeiro disco fez um grande sucesso e no ano seguinte, em 1957, foi lançado o segundo, “Maysa” que se destacou com as músicas “Ouça” e “Se todos fossem iguais a você”. Nesse mesmo ano, Maysa separou-se do marido, que era contra sua carreira, o que abalou profundamente a vida da cantora.

Em seguida lançou “Convite para ouvir Maysa” em 1958, que fez sucesso com a música “Meu Mundo Caiu”. Maysa foi aclamada pelo público e pela crítica. O fim do casamento levou-a  à depressão. Maysa mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a se relacionar com a “turma da bossa nova”. Namorou o produtor musical Ronaldo Bôscoli. A partir dessa época, começou a ter problemas com a bebida e a se envolver em casos amorosos explorados pela mídia. Conheceu seu segundo marido, o advogado espanhol Miguel Azanza, quando fazia uma temporada na Europa. Depois de se casar, fixou residência na Espanha.

Em 1974  sua depressão agravou-se , pois seus filho, Jayme Monjardim, havia acabado  de voltar da Espanha e não queria vê ou falar com ela. Acusava-a de tê-lo abandonado no colégio interno quando tinha apenas oito anos de idade, que nunca quis saber dele, e que nem foi buscá-lo no aeroporto ao chegar ao Rio, e por raiva, o j0vem  evitava ver e falar com a mãe. Isto fez Maysa lutar contra sua depressão, e criar forças para procurar o filho no Rio, na casa de seus pais, avós do rapaz, mesmo que ele se recusando a recebê-la. Após três anos sofrendo para se reaproximar do filho, pedindo perdão pelo que fez com ele, e por estar arrependida de tudo, eles, enfim, se reconciliaram por intermédio dos avós e da noiva.

No fim da tarde do dia do casamento do seu filho, em 22 de janeiro de 1977, Maysa pegou seu carro e voltou para Maricá, onde morava havia alguns anos, quando um terrível acidente automobilístico na ponte Rio-Niterói deu fim à sua vida. Em exames necroscópicos foi constatado que a cantora estava sóbria no momento do acidente.

Em uma de suas últimas anotações no diário que a acompanhava desde adolescente, registrou: “hoje é novembro de 1976, sou viúva, tenho 40 anos de idade e sou uma mulher só. O que dirá o futuro?”

E para relembrar uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, daria como sugestão, e espero que aceitem, a música : Ouça…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Reprodução

A Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) divulgaram os resultados finais dos editais Funcultura Geral e Funcultura da Música 2019-2020. Ao todo, 292 projetos foram aprovados (50 para Música e 242 para o edital Geral), em um total de R$ 20 milhões em incentivo para a cadeia cultural do estado.

No edital Geral provados projetos nas seguintes linguagens artísticas: Artes Integradas (4 projetos), Artes Plásticas (23), Artesanato (11), Circo (17), Cultura Popular (36), Dança (29), Design e Moda (7), Fotografia (22), Gastronomia (5), Literatura (21), Ópera (3), Patrimônio Cultural (28) e Teatro (36).

Para cada uma das linguagens foram contempladas ações de fruição, projetos da área de pesquisa (fase preliminar de uma ação cultural) e de formação (oficinas, palestras, seminários ou qualquer processo para formar fazedores de cultura). Dois 272 projetos aprovados, 9 proponentes nunca tinha sido aprovados em editais governamentais, o que representa mais de 15% do total.

O resultado deste ano também apresentou uma taxa recorde de regionalização, com 24 projetos da Zona da Mata, 26 do Agreste e 44 projetos do Sertão. Também houve aumento das ações de acessibilidade nos projetos apresentados. Dos 242 aprovados, 236 (97,5%) irão contar com pelo menos uma ação: tradução em libras (67,7%), audiodescrição (29,7%), legendagem (20,4%), descrição em braile (10,3%) e/ou adequação de espaço (45,4%), ressaltando que há projetos com mais de uma ação de acessibilidade.

Mais da metade (52%) dos projetos aprovados foram propostos por pessoas autodeclaradas negras (pretas e pardas) e 44,7% por pessoas identificadas pelo gênero feminino.

Confira os aprovados no Funcultura Geral aqui.

Funcultura da Música

O edital de Música recebeu 239 inscrições, das quais 212 foram habilitadas e 50 aprovadas, nas seguintes categorias: Circulação (12 projetos), Festivais (05 projetos), Gravação (10), Produtos e Conteúdos (seis), Economia da Cultura (dois), Difusão da Rede de Equipamentos do Estado geridos pela Secult-PE/Fundarpe (três), Formação e Capacitação em Música (oito), e, por fim, Pesquisa Cultural (quatro). Não houve projetos aprovados para Manutenção de Bandas de Música (Filarmônicas), Escolas de Bandas de Música e Corais.

Das ações aprovadas, 98% prevê ações de acessibilidade: tradução em libras (58%), Audiodescrição (34%), legendas – LSE (36%), descrição em braile (14%) e/ou adequação de espaço (52%), considerando que há projetos com mais de uma ação de acessibilidade.

Assim como no Edital Geral, o perfil de gênero e étnico-racial dos(as) proponentes contemplados(as) é diverso, sendo 56% autodeclarados(as) negros ou negras e 26% identificadas com o gênero feminino.

Confira a lista dos aprovados no Funcultura da Música aqui.

Por Naldinho Rodrigues*

Aproveitando a época, e principalmente o mês, a nossa homenagem de hoje é para Claudionor Germano da Hora, que nasceu em 10 de agosto de 1932 (89 anos). Claudionor Germano comemora 74 anos de carreira sempre contribuindo para a beleza  e a alegria do carnaval pernambucano, como um dos melhores intérpretes de frevo.

Claudionor Germano iniciou sua carreira artística em 1947, na Rádio Clube de Pernambuco, compondo um conjunto musical denominado  Ases do Ritmo. Em 1948 o grupo foi escolhido o melhor grupo vocal do ano de Pernambuco. Claudionor iniciou sua carreira-solo. Sem, no entanto, desligar-se dos Ases do Ritmo. Depois do seu contrato com a Rádio Clube, também foi contratado pela Rádio Jornal do Comercio e pela Rádio Tamandaré. Em 1951 gravou com Ases do Ritmo “O samba eu não posso viver sem mulher”.

Em 1955 a gravadora pernambucana  Rozemblit, através do Selo Mocambo, lançou o primeiro com sua interpretação. Claudionor Germano é o novo patrimônio vivo de Pernambuco. Antes dos anos 1960, o frevo era um gênero de compositores. Os LPs não propagandeavam na capa quem interpretava os novos frevos-canção do carnaval, destacavam apenas que ali estavam as novas criações de Capiba ou Nelson Ferreira. Na verdade, a própria ideia de alguém que fosse um cantor de frevo não existia. Foi o recifense Claudionor Germano, hoje com 89 anos, que, de certa forma, inventou esse ofício, a ponto de quase virar a voz oficial das canções da folia pernambucana.

A vida e a trajetória do homem conhecido como senhor do frevo ou o bom do carnaval se misturam a historia do frevo-canção com Claudionor Germano que lançou em 1959 de forma inédita dois LPs, Capiba: 25 anos de frevo e o que eu fiz e você gostou: carnaval cantado de Nelson Ferreira. Até os anos 1970, quase todos os frevos cantados tinham a voz dele. Ironicamente, apesar de ser o mister frevo, Claudionor nunca foi muito brincante “não sou carnavalesco, sou um cantor de carnaval. não é dizer não gostar, é que não caí no frevo, não caí no passo”. Além disso, mesmo tendo subido em inúmeras freviocas, a voz do frevo gostava mesmo era de se apresentar nos carnavais de clube. Sua fama era tão grande e o reconhecimento não faltou. Por seis anos , na década de 60, recebeu o prêmio de melhor cantor das rádios de Pernambuco.

“Só reconheço os dois hexas, o meu de melhor cantor e do Clube Náutico Capibaribe do Recife”, brinca Claudionor, que apesar da torcida pelo time Timbu, gravou hino pros outros dois maiores times de Pernambuco: Santa Cruz e Sport. Sem falar nas músicas que também eternizou para o Asa de Arapiraca, CRB de Alagoas e o ABC de Natal. Foi Capiba quem  forneceu o maior número de composições que Claudionor já gravou. Foram 132 músicas somente deste compositor, num total de 533.

Com a popularidade de ser um rei do frevo, Claudionor já foi representar o ritmo no Japão, Estados Unidos, Cuba e Argentina. Claudionor Germano é irmão do artista plástico Abelardo da Hora e do médico escritor Bianor da Hora, e pai do também cantor Nonô Germano.

Claudionor Germano foi o intérprete nacional que mais gravou um mesmo compositor. Ele se sente tão vivo e animado, que basta chegar mais uma época de folia de momo que os convites já começam a aparecer. Uma pena que ano não houve carnaval. O motivo? Todos já sabem: para relembrar o mito, o rei do frevo e dos bailes, que tal ouvir um Pot-Pourri com uns os maiores sucessos de frevos interpretados pelo imortal Claudionor Germano? Frevo / Oh! Bela / É Hora do Frevo / Catirina, Meu Amor / Você Está Chorando.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

YACY RIBEIRO/JC IMAGEM

O artista plástico Sílvio Botelho, 63 anos, estará nesta terça-feira (16) no seu ateliê, que também é residência, na Rua do Amparo, no Sítio Histórico de Olinda, no Grande Recife. Faz 33 anos que ele não sabe o que é estar sossegado numa manhã de Terça-feira Gorda. Fosse este um ano típico de Reinado de Momo, Sílvio estaria comandando o Encontro de Bonecos Gigantes, atração vista por milhares de foliões que aguardam os símbolos da folia olindense saírem do Largo do Guadalupe, também na Cidade Alta, e percorrerem ruas e ladeiras embalados por orquestras de frevo. Com a pandemia de covid-19 e por isso o cancelamento do Carnaval, a 34ª edição do encontro não vai existir. A cigana Magdala e o Galo da Madrugada, dois novos bonecos que iriam estrear no desfile, ficarão guardados até 2022.

“Jamais imaginaríamos que isso iria acontecer. Pela primeira vez, em 34 anos, desde que o encontro foi criado, não vamos colocar os bonecos na rua. É por uma justa causa, mas o sentimento é de tristeza”, diz Sílvio. “Estou me sentindo órfão nesses dias de Carnaval. Vou ficar na minha casa, amargar a falta da festa”, comenta o bonequeiro, responsável por criar mais de 1.300 bonecos em quatro décadas de ofício. “Para este ano fiz Magdala, uma mestra cigana, muito protetora. Ficou bonita, ela tem uma beleza própria. Mas isso os foliões só vão ver em 2022”, afirma. Outra encomenda que ficou pronta é o boneco do Galo da Madrugada, bloco que igualmente não saiu este ano pelas ruas do Recife.

Sem poder acompanhar os personagens animados pelas ruas, o consolo dos foliões que estão em Olinda é visitar o espaço que reúne alguns dos bonecos criados pelo artista plástico. No Alto da Sé funciona a Casa dos Bonecos Gigantes e Mirins de Olinda. Em outros anos, o espaço esteve fechado da sexta-feira da semana pré até a Quarta-feira de Cinzas. Sem folia em 2020, está aberto normalmente nesses dias para visitação, das 9h às 17h. O publicitário André Amorim, 39, levou o filho João Felipe, 3, para ver os bonecos. “Ano passado estivemos com ele no encontro do Largo do Guadalupe. Ele adorou. Como hoje (ontem) estou de folga do trabalho e não haverá o encontro esse ano, viemos visitar o espaço”, conta André. Os bonecos preferidos de João Felipe são o Homem da Meia Noite e o Menino da Tarde. Continue lendo