Bezerros anuncia as datas oficiais do São João na Serra Negra

A Prefeitura de Bezerros, no Agreste de Pernambuco, divulgou, no último sábado (04), as datas oficiais do São João 2026. A festividade será realizada no Polo Cultural da Serra Negra, entre os dias 13 e 28 de junho, com destaque para a programação nos fins de semana e nos dias 23 e 24 (véspera e dia de São João).

Considerado um dos mais tradicionais do interior pernambucano, o evento terá atividades das 12h às 22h. As atrações, no entanto, ainda não foram repassadas.

Segundo a gestão municipal, o espaço que recebe o evento, passa por obras de ampliação para garantir mais conforto, segurança e qualidade a moradores, turistas e visitantes.

A requalificação do Polo Cultural da Serra Negra contempla uma área de cerca de 5,8 mil metros quadrados, com investimento superior a R$ 1,5 milhão, por meio do Ministério do Turismo em parceria com a Caixa Econômica Federal.

Entre as intervenções estão a colocação de piso intertravado, construção de banheiros masculino e feminino, construção de dois estabelecimentos comerciais (bares), construção de um quiosque, uma pista de cooper com 250 metros de extensão, instalação de bancos, pergolados, canteiros, iluminação, entre outras ações.

O espaço fica situado a 10 quilômetros do centro da cidade e aproximadamente 115 quilômetros do Recife.

11 – DANÇAS BRASILEIRAS – CAXAMBU

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Sobre a dança Caxambu o que você nos conta?

Papa – Para muitos pesquisadores Caxambu pode ser entendida como uma das fontes de inspiração do samba, deixemos esse debate para outra hora. Trata-se de uma dança de origem africana, muito praticada originalmente no meio rural e que retrata fragmentos da vida dos escravos. Também conhecida como Jongo e Corimá, sua coreografia envolve variações com formações de rodas, umbigadas, movimentos em sentido anti-horário, com passos, pulos e giros estimulados por música envolvente e contagiante.

Exaustivamente praticada nas fazendas de café nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Estudos apontam que no dia treze de maio era a principal dança executada pelos ex-escravos e seus descendentes. É sabido que nas confraternizações e festas nas localidades onde haviam escravos sua prática representava o auge dos momentos de folia. Consta, na literatura sobre o tema, que havia rígida hierarquia entre os praticantes, os antigos tinham certos privilégios. Instrumentos de percussão são usados, com exclusividade, para ritmar os movimentos dos dançarinos, muitos deles carregados de sexualidade e muito atrevimento.

Transcrevemos a letra de “Caxambu”, do famoso compositor Amir Guineto: “Olha vamos na dança do Caxambu/Saravá, jongo, saravá, engoma meu filho que eu quero ver/Você rodar até o amanhecer, engoma meu filho que eu quero ver/Você rodar até o amanhecer/ – O tambor tá batendo é pra valer/É na palma da mão que eu quero ver/O tambor tá batendo é pra valer/É na palma da mão que eu quero ver – Dona Celestina me dá água pra beber/Se você não me der água vou falar mal de você/Deu meia noite, o galo já cantou/Na igreja bate o sino é na dança do jongo que eu vou – Deu meia noite, o galo já cantou/Na igreja bate o sino é na dança do jongo que eu vou – Carreiro novo que não sabe carrear/ O carro tomba e o boi fica no lugar/Carreiro novo que não sabe carrear/ O carro tomba e o boi fica no lugar/ – Quem nunca viu vem ver caldeirão sem fundo ferver/Quem nunca viu vem ver caldeirão sem fundo ferver/ – O tambor tá batendo é pra valer É na palma da mão que eu quero ver…”.

06 – DANÇAS BRASILEIRAS – CANINHA VERDE

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Fale-nos sobre Caninha Verde.

Papa – A literatura sobre o tema nos sugere que é uma dança originária da Espanha e que por meio dos portugueses, também praticantes do estilo, chegou ao Brasil. Estudos indicam que foi aqui introduzida durante o ciclo da cana-de-açúcar. Ao receber influências regionais ganhou diversificação e passou a integrar as festas juninas, pastoris e carnaval. Uma das suas coreografias é a formação de duas rodas, uma de homens, outra de mulheres, que dançam em sentido contrário, com revezamentos e formação de pares distintos. Sem toque entre os casais, utiliza a pratica de batidas de palmas. Muito utilizada nos tradicionais e cômicos “casamentos matutos”.

No Ceará ganha espaço como dança praiana. Na região de Aracati ganha novos contornos e com características próprias adiciona novas formas, mantendo a tradição da contagiante coreografia e animação. Em São Paulo ganha espaço desde o litoral até o Vale do Paraíba. A famosa dupla Tonico e Tinoco canta a música “Cana Verde” como cuja melodia atesta a diversificação acima citada. É uma dança com múltiplas versões, inclusive quanto aos instrumentos utilizados na execução.

Para exemplificar transcrevemos a letra “Caninha verde” de Roberto Leal “Ó minha caninha verde/Ó minha verde caninha – Hoje eu vou prá tua casa/Porque tem gente na minha – Ora vai-te, vai-te tu/Ora vai-te, vai-te nela/A dançar a cana verde/Eu caí numa esparrela – Esta noite ninguém dorme/Esta noite é alegria – Dançamos aqui na eira/Até ver raiar o dia – Ora vai-te, vai-te tu/ Ora vai-te, vai-te nela/A dançar a cana verde/Eu caí numa esparrela – Encontrei o milho rei/No meio da desfolhada – Dei um beijo na Maria/E a Rita ficou zangada – Ora vai-te, vai-te tu/Ora vai-te, vai-te nela/A dançar a cana verde/Eu caí numa esparrela – Gosto da vida do campo/Gosto da vida da aldeia – Aqui tenho o meu cantinho/Muito amor e a mesa cheia – Ora vai-te, vai-te tu/Ora vai-te, vai-te nela/A dançar a cana verde/Eu caí numa esparrela”.