Após atrasos e reajustes, Ponte Giratória será entregue hoje e deve melhorar mobilidade no Centro do Recife

Após 807 dias interditada, a Ponte 12 de Setembro – conhecida como Ponte Giratória -, que liga o Bairro do Recife ao bairro de São José, será reinaugurada pela Prefeitura do Recife nesta terça-feira (23). A solenidade, marcada para ocorrer às 18h, contará com a presença do prefeito João Campos.

“Havia uma previsão para entregarmos a Ponte Giratória somente no ano que vem, mas estamos antecipando a reinauguração”, pontuou João Campos. Após cobranças, ele explicou a necessidade de realizar uma obra mais complexa para a recuperação do equipamento público.

“A ponte estava passando por uma requalificação (em 2023), que fazia parte do projeto de requalificação das pontes do Recife. E, durante a execução das obras, quando chegou no último terço, ao quebrar o concreto para colocar uma nova armadura, um novo aço, foi identificado que havia um problema, até então desconhecido, que era as cordoalhas de aço da construção, da década de 1970, que estavam rompidas”, esclareceu.

Segundo João Campos, a descoberta durante a fase de execução das obras serviu para evitar uma tragédia. “Havia um risco real de a ponte ter caído ou de não ter uma solução de reconstrução do tabuleiro, que é a parte de cima da ponte. Os projetistas imediatamente pediram para suspender a execução da obra e interditar a ponte para uma nova análise. Diante da identificação desse problema, foram feitas novas análises nesse período. E tivemos de fazer um novo projeto para essa obra; por isso que teve esse diferença de prazo da entrega”, contou o gestor municipal.

Atrasos e custos

Considerada uma das pontes mais históricas da capital pernambucana, a Ponte Giratória recebeu um aporte volumoso de investimentos. A necessidade de estudos adicionais e o surgimento de problemas estruturais não previstos, segundo a Prefeitura do Recife elevaram o custo. Os custos passaram de R$ 9,4 milhões para R$ 26,14 milhões, somando-se o contrato inicial de R$ 9,47 milhões, em 2022, mais serviços extras e excedentes que totalizaram R$ 16,67 milhões em um segundo contrato assinado em 2024.

O prazo de entrega foi estendido para dezembro de 2025, após uma “antecipação”, já que a PCR ainda contava com a possibilidade do término da intervenção ser apenas em 2026. A expectativa inicial era de que a obra durasse apenas quatro meses.

Melhoria do trânsito

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Prefeitura do Recife contesta levantamento do TCE e aponta apenas três obras municipais paralisadas

Após a divulgação de um levantamento do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que apontava que o Recife tinha 24 contratos com indícios de paralisação, a gestão municipal contestou os números.

Em nota, a Prefeitura indicou que “mais de 46% dos serviços e obras citadas foram entregues, como é o caso da Ponte do Rio Morno, indicada como paralisada no relatório, porém entregue no último mês, assim como a semaforização, já plenamente instalada e cujo contrato já foi encerrado”.

De acordo com o município, também já foram entregues obras na área de saúde, educação e urbanização, como as intervenções das margens do Tejipió, do Canal do ABC e do Canal Santa Rosa, a readequação do prédio da CSURB e as cobertas de mercados de Afogados e Nova Descoberta.

Das obras citadas no relatório do TCE, estão paralisadas apenas três, segundo a Prefeitura do Recife.

São elas:

  • Complementação das obras do Canal Parnamirim, devido à judicialização de desapropriação de um imóvel;
  • Feira Livre do bairro da Várzea, a pedido do MPPE;
  • Um lote do Calçada Legal, cujos projetos estão sendo revistos;
  • Os contratos somam mais de R$ 4,44 milhões, dos quais R$ 1,72 mi já saíram dos cofres públicos.

“A Prefeitura do Recife preza por assegurar transparência e bom uso dos recursos públicos investidos em serviços e obras para a sociedade e se coloca à disposição dos órgãos de controle”, indica a nota.

Feira Livre da Várzea e histórico de abandono

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Entre o cartão-postal e o abandono, problemas estruturais marcam o litoral de Pernambuco

Lazer de moradores e visitantes e fonte de renda para milhares de famílias, o litoral de Pernambuco reúne 187 quilômetros de praias que ajudam a projetar a identidade do estado para o mundo.

Apesar do potencial turístico e econômico, grande parte da orla convive com poluição, falta de infraestrutura, erosão costeira e fiscalização precária. De Carne de Vaca, em Goiana, a São José da Coroa Grande, as demandas são acumuladas e a beleza contrasta com o abandono.

Os problemas vão de lixo, esgoto e falta de saneamento à falta de estrutura para lidar com o avanço do mar.

Na espera por um espaço que atenda às demandas do lazer e da economia locais, milhões ainda convivem com o esquecimento e o adiamento de soluções concretas do calçadão à areia.

Com a chegada do verão e das férias escolares, o desejo é que as medidas minimizem os danos e promovam um ambiente digno para todos.

Lixo e esgoto a céu aberto

Em trechos do litoral sul, o lixo e o esgoto ainda desaguam no mar. Praias como Porto de Galinhas e São José da Coroa Grande expõem banhistas e comerciantes à falta de saneamento adequado, com riscos de doenças e perda da fonte de renda das famílias.

No caminho para o mar, muitas vezes, é necessário driblar dejetos e poças com mau odor. “É um descaso e uma irresponsabilidade. A prefeitura fecha os olhos para isso”, desabafa o ator Deyvison Diógenes, em Porto de Galinhas, cartão-postal do estado.

Em Tamandaré, a gestão municipal realiza trabalhos de conscientização com os visitantes. “Estamos com um problema sério em relação ao lixo aqui na praia, então a Secretaria de Turismo, através do governo municipal, teve essa iniciativa de começar um trabalho de conscientização ambiental”, explica Cícero José dos Santos, secretário do Turismo da cidade.

Mais adiante, em São José da Coroa Grande, o secretário de governo do município, Emerson Barbosa, explica que a demanda é uma das prioridades da gestão. “A gente luta pelo saneamento da cidade porque é uma obra de grande porte. Esses pontos são controlados pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH)”, pontua.

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Pernambuco tem mais de R$ 1 bilhão em obras de mobilidade urbana paralisadas em todo o Estado

Mais uma vez, a mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife foi a área mais prejudicada pelo descompasso da gestão pública em concluir as obras de infraestrutura. Por mais um ano, essa foi a constatação de um levantamento do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que aponta um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos somente com obras de corredores de transporte público – como o Sistema BRT pernambucano – que estão paralisadas ou com indícios de paralisação em 2024.

Considerando outras obras de infraestrutura, como abastecimento d´água, urbanismo, educação e recursos hídricos, por exemplo, o prejuízo para a população pernambucana chega a R$ 4,9 bilhões. Além disso, o levantamento 2024-2025 identificou um aumento de quase 5% no número de obras paralisadas ou com indícios de paralisação, em comparação ao período anterior (2023-2024).

Os maiores valores estão distribuídos entre as áreas de mobilidade urbana (R$ 916 milhões), abastecimento d’água (R$ 609 milhões), educação (R$487 milhões), recursos hídricos (R$ 430 milhões) e infraestrutura urbana (R$ 355 milhões). Some-se aos valores, pendências com requalificação de rodovias e ligações urbanas.

E, novamente, apesar da retomada pelo governo de Pernambuco de alguns projetos, um corredor de BRT previsto para a BR-101 e os corredores do Sistema BRT do Grande Recife – Norte-Sul e Leste-Oeste – lideram o ranking negativo do órgão de controle. Os três corredores, inclusive, deveriam estar prontos desde 2013 (ainda para a Copa do Mundo no Brasil de 2014) e, por isso, integram o levantamento do TCE-PE desde a primeira edição, ainda em 2014.

O que mais representou prejuízo aos cofres públicos é a adequação viária para construção de um corredor de BRT na BR-101, conectando os Terminais Integrados da Macaxeira (Recife) e de Cajueiro Seco (Jaboatão dos Guararapes), mas que depois foi engavetado pelo governo – ainda sob gestão do PSB – devido ao sistema de gás que existe sob o canteiro central da rodovia. Na sequência vêm os Corredores Norte-Sul e Leste-Oeste, que estão sendo finalizados pela atual gestão estadual, mas ainda têm muito o que avançar.

A reabilitação do pavimento e adequação da capacidade viária da BR-101, além da implantação do corredor de BRT, aparece com um contrato no valor de R$ 226 milhões. em seguida vêm o Corredor Norte-Sul (R$ 186 milhões) e o Leste-Oeste (R$ 168 milhões).

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Novo secretário diz que a missão é acelerar entregas de obras de infraestrutura por todo o Estado

JC

O novo secretário de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco, André Teixeira Filho, no cargo há menos de 48 horas, garantiu que o governo de Pernambuco está atento aos problemas de infraestrutura do Aeroporto de Fernando de Noronha, que tem provocado vexame ao Estado com sequenciados afundamentos de aeronaves na pista de pouso, refeita recentemente.

O novo secretário detalhou o plano do governo para enfrentar esse desafio e argumentou que, apesar dos problemas, o aeroporto nunca tinha recebido a reforma que recebeu na gestão da governadora Raquel Lyra (PSD).

“Mesmo sendo uma “joia da coroa” de Pernambuco e do Brasil, a Ilha de Fernando de Noronha nunca havia passado por uma reforma de tamanha magnitude em seu aeroporto. Após uma paralisação dos voos a jatos em outubro de 2022, o projeto foi refeito, licitado e os voos de grandes aeronaves retomados no início deste ano. Isso precisa ser destacado”, afirmou.

André Teixeira esclareceu que os recentes afundamentos de duas aeronaves aconteceram em áreas que ainda não tinham recebido a obra principal. “A parte da pista de pouso e decolagem das aeronaves, que foi finalizada em março e possibilitou a retomada dos voos de grandes aeronaves, está funcionando normalmente e não apresenta problemas. Os incidentes aconteceram nas áreas de baliza e estacionamento, longe da pista principal”, pontuou.

No último domingo (29), um avião da GOL atolou após o asfalto ceder quando se preparava para decolar. Uma semana antes, em outra posição no mesmo pátio, uma aeronave da Azul já havia enfrentado problema semelhante, também prestes a decolar. Ambos os episódios levantaram questionamentos sobre a segurança operacional do aeroporto.

Segundo o novo secretário, o período chuvoso (abril, maio e junho) provocou a paralisação das obras, mas medidas emergenciais foram tomadas imediatamente. “Desde a semana retrasada, o primeiro buraco foi fechado com concreto, e o segundo está sendo fechado agora. Temos quinze toneladas de material, incluindo asfalto, que estão sendo embarcados para a ilha com o objetivo de realizar mais de 2.000 m² de serviços emergenciais”, garantiu.

A previsão é que esses trabalhos emergenciais comecem a ser realizados na segunda ou terça-feira (07 ou 08) e garantam a segurança das áreas afetadas até a sexta-feira (11). A obra principal do aeroporto será retomada a partir da segunda quinzena de julho, quando as chuvas reduzirem. A área do pátio deve ser finalizada entre 30 e 60 dias, com previsão de conclusão em setembro. A expectativa é que toda a obra planejada para a ilha seja finalizada entre março e abril de 2026, incluindo o início da obra do terminal em paralelo.

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