Pernambuco tem mais de R$ 1 bilhão em obras de mobilidade urbana paralisadas em todo o Estado

Mais uma vez, a mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife foi a área mais prejudicada pelo descompasso da gestão pública em concluir as obras de infraestrutura. Por mais um ano, essa foi a constatação de um levantamento do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), que aponta um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos somente com obras de corredores de transporte público – como o Sistema BRT pernambucano – que estão paralisadas ou com indícios de paralisação em 2024.

Considerando outras obras de infraestrutura, como abastecimento d´água, urbanismo, educação e recursos hídricos, por exemplo, o prejuízo para a população pernambucana chega a R$ 4,9 bilhões. Além disso, o levantamento 2024-2025 identificou um aumento de quase 5% no número de obras paralisadas ou com indícios de paralisação, em comparação ao período anterior (2023-2024).

Os maiores valores estão distribuídos entre as áreas de mobilidade urbana (R$ 916 milhões), abastecimento d’água (R$ 609 milhões), educação (R$487 milhões), recursos hídricos (R$ 430 milhões) e infraestrutura urbana (R$ 355 milhões). Some-se aos valores, pendências com requalificação de rodovias e ligações urbanas.

E, novamente, apesar da retomada pelo governo de Pernambuco de alguns projetos, um corredor de BRT previsto para a BR-101 e os corredores do Sistema BRT do Grande Recife – Norte-Sul e Leste-Oeste – lideram o ranking negativo do órgão de controle. Os três corredores, inclusive, deveriam estar prontos desde 2013 (ainda para a Copa do Mundo no Brasil de 2014) e, por isso, integram o levantamento do TCE-PE desde a primeira edição, ainda em 2014.

O que mais representou prejuízo aos cofres públicos é a adequação viária para construção de um corredor de BRT na BR-101, conectando os Terminais Integrados da Macaxeira (Recife) e de Cajueiro Seco (Jaboatão dos Guararapes), mas que depois foi engavetado pelo governo – ainda sob gestão do PSB – devido ao sistema de gás que existe sob o canteiro central da rodovia. Na sequência vêm os Corredores Norte-Sul e Leste-Oeste, que estão sendo finalizados pela atual gestão estadual, mas ainda têm muito o que avançar.

A reabilitação do pavimento e adequação da capacidade viária da BR-101, além da implantação do corredor de BRT, aparece com um contrato no valor de R$ 226 milhões. em seguida vêm o Corredor Norte-Sul (R$ 186 milhões) e o Leste-Oeste (R$ 168 milhões).

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Novo secretário diz que a missão é acelerar entregas de obras de infraestrutura por todo o Estado

JC

O novo secretário de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco, André Teixeira Filho, no cargo há menos de 48 horas, garantiu que o governo de Pernambuco está atento aos problemas de infraestrutura do Aeroporto de Fernando de Noronha, que tem provocado vexame ao Estado com sequenciados afundamentos de aeronaves na pista de pouso, refeita recentemente.

O novo secretário detalhou o plano do governo para enfrentar esse desafio e argumentou que, apesar dos problemas, o aeroporto nunca tinha recebido a reforma que recebeu na gestão da governadora Raquel Lyra (PSD).

“Mesmo sendo uma “joia da coroa” de Pernambuco e do Brasil, a Ilha de Fernando de Noronha nunca havia passado por uma reforma de tamanha magnitude em seu aeroporto. Após uma paralisação dos voos a jatos em outubro de 2022, o projeto foi refeito, licitado e os voos de grandes aeronaves retomados no início deste ano. Isso precisa ser destacado”, afirmou.

André Teixeira esclareceu que os recentes afundamentos de duas aeronaves aconteceram em áreas que ainda não tinham recebido a obra principal. “A parte da pista de pouso e decolagem das aeronaves, que foi finalizada em março e possibilitou a retomada dos voos de grandes aeronaves, está funcionando normalmente e não apresenta problemas. Os incidentes aconteceram nas áreas de baliza e estacionamento, longe da pista principal”, pontuou.

No último domingo (29), um avião da GOL atolou após o asfalto ceder quando se preparava para decolar. Uma semana antes, em outra posição no mesmo pátio, uma aeronave da Azul já havia enfrentado problema semelhante, também prestes a decolar. Ambos os episódios levantaram questionamentos sobre a segurança operacional do aeroporto.

Segundo o novo secretário, o período chuvoso (abril, maio e junho) provocou a paralisação das obras, mas medidas emergenciais foram tomadas imediatamente. “Desde a semana retrasada, o primeiro buraco foi fechado com concreto, e o segundo está sendo fechado agora. Temos quinze toneladas de material, incluindo asfalto, que estão sendo embarcados para a ilha com o objetivo de realizar mais de 2.000 m² de serviços emergenciais”, garantiu.

A previsão é que esses trabalhos emergenciais comecem a ser realizados na segunda ou terça-feira (07 ou 08) e garantam a segurança das áreas afetadas até a sexta-feira (11). A obra principal do aeroporto será retomada a partir da segunda quinzena de julho, quando as chuvas reduzirem. A área do pátio deve ser finalizada entre 30 e 60 dias, com previsão de conclusão em setembro. A expectativa é que toda a obra planejada para a ilha seja finalizada entre março e abril de 2026, incluindo o início da obra do terminal em paralelo.

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