Novo Enamed vira alvo de 479 emendas e acirra embate entre governo e entidades médicas

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Folha S.Paulo

A Medida Provisória que institui o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como obrigatório para obtenção do registro profissional de futuros médicos recebeu 479 emendas durante o prazo regimental de tramitação no Congresso Nacional, que terminou nesta sexta-feira (26).

Entre as principais sugestões apresentadas por deputados e senadores estão a inclusão de avaliações práticas de habilidades clínicas, a ampliação da participação de entidades médicas na condução do exame, mudanças nas regras de registro profissional e mecanismos para aumentar a transparência dos resultados.

Também foram propostas alterações para fortalecer a supervisão dos cursos de medicina e integrar o Enamed aos processos de seleção para residência médica.

A MP, assinada pelo presidente Lula (PT), tornou obrigatória a comprovação de proficiência pelo Enamed para que novos médicos possam obter o registro o Conselho Federal de Medicina (CFM). A medida também prevê que o exame substitua a etapa teórica do Revalida, unificando a avaliação de médicos formados no Brasil e no exterior.

A MP aguarda a instalação de uma comissão mista no Congresso. Como tem força de lei imediata, precisará ser analisada e aprovada pelos parlamentares em até 120 dias para não perder a validade.

Uma das principais controvérsias da medida envolve a participação do CFM, da Associação Médica Brasileira (AMB) e das instituições de ensino superior na estrutura de acompanhamento do exame.

A MP estabelece que a avaliação será elaborada e aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), enquanto entidades médicas defendem maior protagonismo na avaliação dos recém-formados.

O debate ocorre em paralelo à tramitação de uma proposta no Congresso que cria o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), inspirado no modelo da prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A iniciativa prevê que o CFM seja responsável pela aplicação do teste, uma atribuição que o conselho considera compatível com seu papel legal de fiscalizador e normatizador da profissão.

“O Enamed se transformou numa disputa política. Isso é grave. O governo federal quer para si a responsabilidade de aplicar e avaliar as provas. Mas é preciso que as entidades médicas acompanhem de perto. E mais: não basta uma prova teórica, é preciso também uma avaliação prática”, afirma Antonio José Gonçalves, presidente da APM.

O presidente do CFM, José Hiran Gallo, também criticou o formato definido pela medida provisória. Segundo ele, uma prova teórica com cem questões não seria suficiente para avaliar a capacidade de um médico recém-formado. “Uma prova com cem questões não avalia a habilidade daquele profissional. Toda e qualquer prova a nível mundial são no mínimo 300 questões”, afirmou.

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Anvisa proíbe plataforma de consulta online e entrega de medicamento

Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta sexta-feira (26), o funcionamento da plataforma Voy, que oferece tratamentos e avaliações de saúde personalizados para obesidade, mas que não está registrada como dispositivo médico.

“Plataformas que realizam a indicação de medicamentos e de suas dosagens se enquadram na categoria de software médico. Além disso, a empresa não está regularizada como farmácia ou drogaria e por isso não pode comercializar medicamentos de qualquer natureza”, informou a Anvisa.

De acordo com comunicado da agência, a empresa responsável pela plataforma, a Revia Gestão de Negócios Ltda., não tem autorização de funcionamento para esse tipo de atividade.

A proibição foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e proíbe a plataforma de oferecer e divulgar os serviços.

A agência alertou ainda que medicamentos adquiridos fora de farmácias e drogarias que funcionem de forma irregular não têm qualquer garantia de origem, composição e qualidade.

Outro lado

À Agência Brasil, a Revia Gestão de Negócios Ltda. informou que tem ciência da proibição e que “avalia os desdobramentos” da medida internamente para se posicionar sobre o assunto. “Estamos cientes da notícia divulgada e ela já está sendo acompanhada de perto pela nossa equipe responsável. Neste momento, estamos avaliando internamente os desdobramentos para dar um posicionamento em breve”.