Pernambuco tem duas cidades entre as 20 mais violentas do Brasil; estado ocupa 3º lugar

Local de homicídio

Folhape

Em pesquisa divulgada nesta terça-feira (26), pelo Atlas da Violência 2026, duas cidades de Pernambuco estão entre os centro das atenções de forma negativa. Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço da Mata figuram as 14ª e 16ª colocações, respectivamente, entre os municípios com as maiores taxas de homicídios, em 2024, por 100 mil habitantes.

Com 216.969 moradores, o Cabo registrou 130 homicídios. Uma taxa de 59,9 mortes a cada 100 mil habitantes. Já São Lourenço da Mata, com 117.759 habitantes, teve 67 mortes violentas, taxa de 56,9. O relatório é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Os números podem ser maiores. Porém, o estudo leva em conta apenas os homicídios registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.

Na 36ª posição, Recife fica atrás de apenas três capitais: Salvador, Maceió e Macapá. A capital pernambucana tem taxa de 45,5 mortes por cada 100 mil habitantes. Camaragibe, na Região Metropolitana, figura no 24º lugar, com 79 homicídios. São 51,4 mortes por 100 mil moradores.

Entre as unidades federativas, Pernambuco ocupa o terceiro lugar entre os locais com maiores índices de homicídios. A taxa do estado ficou em 37,3. Os números foram os menores em dez anos, mas o suficiente para deixá-lo no pódio negativo, atrás apenas de Amapá, com 45,7, e Bahia, com 40,9 mortes para cada 100 mil habitantes.

O relatório do Ipea alerta que sete em cada dez homicídios praticados há dois anos foram cometidos com armas de fogo. Enquanto a média nacional foi de 70,1%, Pernambuco teve 79,1% dos assassinatos cometidos desta forma.

Mulheres

O Estado ainda lida com dados negativos no que diz respeito à homicídios envolvendo mulheres. Foram 5,4 vítimas do sexo feminino a cada 100 mil habitantes. Somente Roraima (12,6), Rondônia (5,7), Ceará (5,7) e Bahia (5,4) tiveram índices maiores.

Pessoas negras

Pernambuco está no ‘pódio’, também, das taxas de homicídios de pessoas negras. Atrás de Amapá (56,8) e Alagoas (48,9), o estado registrou, em 2024, 47,6 assassinatos a cada 100 mil habitantes negros.

Resposta da SDS

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Pernambuco tem a 3ª maior taxa de mortes violentas de jovens, o dobro da média nacional

Pernambuco registrou, em 2024, a terceira maior taxa de mortes violentas de jovens do País. O índice foi de 84,6 óbitos para cada 100 mil pessoas com faixa etária entre 15 e 29 anos. O resultado é mais do que o dobro da média nacional, que foi de 42,2.

A estatística faz parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26). O estudo é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), foi elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

No País, 301.825 jovens foram assassinados entre 2014 e 2024, sendo a média diária de cerca de 75 vítimas. A violência letal é predominantemente masculina e armada.

O estudo indicou que essa violência tem relação, ainda, com fatores como raça/cor, condição socioeconômica e território (periferias urbanas e regiões de maior vulnerabilidade). As maiores taxas estão nas regiões mais pobres do Norte e Nordeste.

Em 2024, a liderança ficou com o Amapá. A taxa foi de 114,7 mortes violentas de jovens para cada 100 mil habitantes. Em seguida, a Bahia com 101,8.

Quando observado o recorte de 2014 a 2024, o Altas apontou que o Amapá teve aumento de 45,2%, Pernambuco com 7,5% e Bahia com 6,4%. Já o Distrito Federal e Goiás tiveram as maiores reduções: 79,6% e 67,8%, respectivamente. A média nacional foi de queda de 39%.

O estudo destacou que a violência letal dos jovens, especialmente homens, se trata do desfecho mais brutal de “trajetórias frequentemente marcadas por exposição precoce à violência, ausência de proteção e reprodução de desigualdades estruturais”.

E reforçou que o combate à violência exige abordagem integrada, contínua e baseada em evidências, que articule políticas de prevenção social, proteção e intervenção, com foco em ampliação de acesso à saúde mental e investimento em escolas, por exemplo.

Saiba quais são as 20 cidades mais e menos violentas do Brasil

| Fernando Frazão/ Agência Brasil

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram nesta terça-feira (26) o Atlas da Violência de 2026. O levantamento identificou as 20 cidades mais e menos violentas do país entre municípios com população superior a 100 mil habitantes. A região Nordeste concentra 17 das 20 cidades com maiores taxas de homicídio.

Eis a íntegra do Atlas da Violência de 2026.

Maranguape, no Ceará, lidera o ranking nacional com taxa de 87,2 homicídios por 100 mil habitantes. Jequié, na Bahia, ocupa a 2ª posição com 79,4. Maracanaú, também no Ceará, aparece em 3º lugar com 74,1.

A Bahia é o estado com maior número de municípios no ranking das cidades mais violentas, com 9 cidades entre as 20 primeiras colocadas. O Ceará tem 5 municípios. Pernambuco registra duas cidades. Amapá, Mato Grosso e Pará têm 1 município cada.

Eis o ranking das cidades mais violentas e as taxas de homicídio estimadas para cada 100 mil habitantes:

  • Maranguape (CE) – 87,2;
  • Jequié (BA) – 79,4;
  • Maracanaú (CE) – 74,1;
  • Itapipoca (CE) – 74,0;
  • Caucaia (CE) – 72,9;
  • Juazeiro (BA) – 71,1;
  • Feira de Santana (BA) – 67,0;
  • Porto Seguro (BA) – 64,6;
  • Simões Filho (BA) – 64,0;
  • Camaçari (BA) – 62,9;
  • Sorriso (MT) – 62,8;
  • Teixeira de Freitas (BA) – 60,7;
  • Sobral (CE) – 59,9;
  • Cabo de Santo Agostinho (PE) – 59,9;
  • Lauro de Freitas (BA) – 57,8;
  • São Lourenço da Mata (PE) – 56,9;
  • Santana (AP) – 55,8;
  • Ilhéus (BA) – 55,5;
  • Marituba (PA) – 55,5;
  • Salvador (BA) – 52,7.

As 20 cidades menos violentas encontram-se exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste. O Estado de São Paulo concentra a maior parte dos municípios do ranking, com 12 cidades. Santa Catarina aparece em seguida, com 4 cidades. Minas Gerais e Paraná têm 2 e 1 municípios na lista, respectivamente.

Eis o ranking das cidades menos violentas e as taxas de homicídio estimadas para cada 100 mil habitantes: 

  • Jaraguá do Sul (SC) — 2,0;
  • Brusque (SC) — 2,6;
  • Santa Bárbara d’Oeste (SP) — 3,2;
  • Lavras (MG) — 3,6;
  • Bragança Paulista (SP) — 3,8;

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Bilhete de loteria traz alerta de combate à violência contra a mulher

Brasília (DF), 12/02/2026 - Caixa lança campanha contra assédio em bilhetes de Loteria. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os bilhetes das loterias emitidos nas casas lotéricas de todo o país passam a trazer, durante o Carnaval 2026, mensagens de enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério das Mulheres e a Caixa e leva aos apostadores o alerta: “Carnaval é festa. Assédio é crime. Denuncie. Ligue 180 Urgência, ligue 190”.

A frase estará impressa nos bilhetes até o fim de fevereiro e integra a campanha nacional para garantir que a folia seja um espaço de alegria, respeito e segurança para todas as mulheres. A estratégia utiliza a capilaridade da rede lotérica, presente em todos os municípios brasileiros, para ampliar o alcance das informações e fortalecer a prevenção.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a circulação da mensagem em milhões de bilhetes é uma ação fundamental para salvar vidas.

“Estamos falando de uma rede que chega a todos os municípios brasileiros. Quando uma mensagem como essa circula nos bilhetes das lotéricas, ela ajuda a salvar vidas, porque informa, orienta e deixa claro que a violência contra as mulheres não será tolerada”, afirmou.

Já o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira, ressaltou o papel social do banco na promoção de direitos. “A Caixa, como banco público essencial ao desenvolvimento social do país, apoia as ações do Ministério das Mulheres e reafirma seu compromisso inegociável com o enfrentamento ao assédio sexual e ao feminicídio”, declarou.

No mês de março, quando se celebra o Dia Internacional das Mulheres (8 de março), o intuito é lançar uma nova campanha e dar continuidade às ações de conscientização e mobilização, reforçando os canais de denúncia e a importância da prevenção às violências de gênero ao longo de todo o ano.

Outras ações

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Pernambuco registra queda nos homicídios em 10 anos, mas ainda é o 3º estado com mais mortes violentas

Pernambuco registra queda em números de homicídios

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgou dados que apontam queda no número de assassinatos no Brasil pelo quinto ano consecutivo. Conforme os dados, o total de casos registrados em Pernambuco, em 2025, é o menor da série histórica dos últimos 10 anos, iniciada em 2015. No ano passado, foram 3.023 mortes violentas.

Apesar da redução, o estado tem o terceiro maior número de homicídios do Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro (3.581) e da Bahia (3.900).

De acordo com o ministério, o Brasil registrou 34.086 mortes violentas em 2025, contra 38.374 em 2024, uma redução de 9,29%. Entram na conta como mortes violentas os casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

Os dados são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal, responsável pela divulgação.

Conforme o MJSP, a série histórica de Pernambuco é a seguinte:

A queda nos homicídios foi observada em todas as cinco regiões do país.

  • Nordeste: – 10% (de 17.052 para 15.412);
  • Sudeste: – 8% (de 10.401 para 9.586);
  • Norte: – 11% (de 4.304 para 3.829);
  • Sul: – 22% (passou de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025);
  • Centro Oeste: – 18% (de 2.682 para 2.204).

Feminicídios

Apesar da queda geral nos homicídios, o número de feminicídios no Brasil bateu recorde em 2025. Foram registrados 1.470 casos entre janeiro e dezembro, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros de 2024, que até então representavam a maior marca da série.

O número equivale a, pelo menos, quatro mulheres mortas por dia no país no ano passado. Em Pernambuco, os registros de feminicídio também voltaram a crescer em 2025.

Segundo levantamento da Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística, com base em dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), 88 mulheres foram mortas em crimes relacionados à condição de gênero, o maior número dos últimos oito anos (veja vídeo acima). O total representa um aumento de 15,8% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 76 vítimas.

Os números divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública são ligeiramente diferentes, e isso ocorre porque, posteriormente, os dados podem ser atualizados pelas secretarias. Conforme os dados federais, os números de feminicídios de Pernambuco começaram a ser contabilizados em 2016.

Como denunciar

  • Em Pernambuco, as denúncias de violência contra mulher podem ser feitas através do telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • A Polícia Militar pode ser contatada pelo 190, quando o crime estiver acontecendo;
  • Também é possível, no Grande Recife, fazer denúncias pelo Disque-Denúncia da Polícia Civil, no número (81) 3421-9595;
  • O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) também pode ser acionado de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, através de uma ligação gratuita para o número 0800.281.9455;
  • Outra opção é a Ouvidoria da Mulher de Pernambuco, que funciona pelo telefone 0800.281.8187;
  • Os endereços e telefones das Delegacias da Mulher podem ser consultados no site do TJPE.

“Pode ser que aconteça”, diz secretário após violência em prévias no Grande Recife

O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, comentou os casos de violência durante prévias de Carnaval, no último domingo (18), em Olinda e no Recife. Segundo ele, como os eventos reúnem muitas pessoas, “em determinados momentos, pode ser que aconteça algum tipo de ocorrência”.

“É uma festa que reúne muitas pessoas. Então, em determinados momentos, pode ser que aconteça algum tipo de ocorrência. Nós trabalhamos para prevenir, ou em ocorrendo, para que a gente dê uma resposta o mais rápido possível”, afirmou o secretário.

Em Olinda, um folião foi baleado logo após o final do cortejo da troça John Travolta. De acordo com a Polícia Militar, a vítima recebeu socorro imediato de uma equipe policial e foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da PE-15 para receber atendimento médico. Não há informações sobre o estado de saúde do folião.

Número de feminicídios cresce 15% em Pernambuco e é o maior em 08 anos, aponta SDS

Delegacia da Mulher no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

G1

Em 2025, Pernambuco voltou a registrar um aumento nos registros de feminicídios. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), 88 mulheres foram mortas em crimes relacionados à sua condição de gênero, o maior quantitativo de vítimas dos últimos oito anos.

O número representa um crescimento de 15,8% em relação a 2024, quando houve 76 vítimas.

O levantamento, organizado pela Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística, mostra que o cenário em relação à violência contra as mulheres vai na contramão dos índices gerais de homicídios. Em 2025, foram 3.040 assassinatos no total, 10% a menos do que o quantitativo registrado em 2024.

Conforme as estatísticas, os indicadores de feminicídio têm oscilado desde 2017 e voltaram a subir após uma redução registrada em 2024

No fim do ano passado, diversos casos de feminicídio repercutiram em Pernambuco. Entre os mais recentes, está a morte de Priscila Carla Pimentel, de 32 anos, assassinada a facadas pelo ex-companheiro na frente dos filhos, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

Alguns dias antes, a dona de casa Isabele Gomes de Macedo, de 40 anos, morreu com os quatro filhos em um incêndio provocado pelo marido na comunidade Icauã, no bairro da Caxangá, na Zona Oeste da capital pernambucana.

Sinal de alerta

Para o pesquisador Sandro Sayão, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em segurança pública, as estatísticas chamam atenção diante de uma cultura ainda bastante enraizada no machismo.

“Cada vez os dados surgem como um sinal de alerta, nos mostrando que isso é uma realidade presente nos diferentes segmentos da sociedade. Não podemos dizer que a violência contra a mulher fica restrita a um determinado público, a um determinado bairro”, afirmou.

Ainda de acordo com o especialista, o problema atinge todos segmentos sociais e requer políticas públicas de prevenção.

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Mortes em geral caem 9,5% em Pernambuco em 2025, mas feminicídios sobem 15,7%

Por Raphael Guerra/JC

Pernambuco fechou o ano de 2025 com queda nas mortes violentas intencionais. Um balanço preliminar do governo estadual indicou que pelo menos 3.130 pessoas foram assassinadas. A redução foi de 9,59% em comparação com o ano anterior, quando 3.460 vidas foram perdidas. Já os casos de feminicídio cresceram 15,7%.

A gestão estadual afirmou, em nota, que Pernambuco registrou taxa de 32,7 mortes por 100 mil habitantes em 2025, segundo o menor índice desde 2004, quando as estatísticas começaram a ser monitoradas.

O maior número de mortes violentas por 100 mil habitantes foi registrado em 2017, quando a taxa chegou a 57,1. Até então, o menor índice havia sido observado em 2013, com 34,1 óbitos.

Nas mortes violentas intencionais estão incluídos os homicídios, feminicídios, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e os óbitos decorrentes de intervenções policiais.

“Garantir segurança para a população e promover a paz social são compromissos permanentes do nosso governo. Os dados mostram que os investimentos e as ações do Programa Juntos pela Segurança estão gerando resultados concretos”, declarou, em nota, a governadora Raquel Lyra.

Redução ainda longe da meta

A meta do programa Juntos pela Segurança é de reduzir em 30% as mortes violentas intencionais no final de 2026, comparando com o resultado acumulado em 2022 – ano anterior à atual gestão.

Pernambuco registrou 3.427 mortes violentas intencionais em 2022. Para que a meta seja cumprida, o Estado precisará encerrar 2026 com, no máximo, 2.399 pessoas assassinadas.

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Com 87 feminicídios, 2025 é 2º pior ano da série histórica da SDS-PE

PE: com 87 feminicídios, 2025 é 2º pior ano da série histórica da Secretaria de Defesa Social

LeiaJá

O ano de 2025 ainda não encerrou, mas os indicadores da violência em Pernambuco já se aproximam de uma consolidação. Durante o período, foram registrados, pelo menos, 87 feminicídios em todas as regiões do estado, sendo quatro deles ocorridos em dezembro. Como os dados são parciais, o número de casos ainda pode mudar até o dia 31 deste mês. Esta foi a segunda pior marca registrada desde o início da série histórica da Secretaria de Defesa Social (SDS-PE), iniciada em 2016, um ano após a Lei do Feminicídio (13.104/2015) entrar em vigor.

Dentro dos índices da última década de levantamento, 2025 ficou atrás apenas do ano de 2016, quando foram registrados 112 feminicídios, e se uniu, até o momento, ao ano de 2021, que também contabilizou 87 registros. Os dados foram levantados pelo LeiaJá, com apoio dos microdados de Mortes Violentas Intencionais (MVI) da SDS. O mês mais letal para as mulheres vítimas de violência de gênero foi abril, que registrou 14 feminicídios.

O ano já havia começado com uma alta neste tipo de crime, conforme apurado pela reportagem no fim do mês de fevereiro. Os dois primeiros meses de 2025 apresentaram um crescimento de 42% em relação ao mesmo período de 2024, mesmo com dados ainda incompletos. Agora, já com dados consolidados de todo o ano de 2024, é possível confirmar um novo aumento nos registros. São cerca de 14% (11) a mais este ano, pulando de 76 em 2024 para 87 em 2025.

Subnotificação e reflexos na rede de proteção

Na contramão dos casos de feminicídio, os registros de violência doméstica e familiar no estado diminuíram. Apesar de, matematicamente, existir uma redução, se tratando deste tipo de violência, a não notificação pode evidenciar problemas para conectar a mulher vítima à rede de proteção do estado. Esta observação foi feita pela ativista de gênero, delegada e deputada estadual Gleide Ângelo (PSB), convidada pela reportagem para refletir sobre as políticas de acolhimento em vigor e os números que se consolidam no estado este ano.

“Não existe redução, o que reduziu foi a confiança da mulher na segurança. Não é que diminuiu a violência, pelo contrário, as mulheres agora estão sofrendo caladas. Nosso grande trabalho é aumentar o número dos registros. Mulher protegida não morre. O que a gente precisa é que as mulheres entrem na delegacia, confiem na segurança, façam o registro e peçam a protetiva”, disse a delegada ao LeiaJá.

De acordo com os microdados da Secretaria de Defesa Social, tendo como recorte apenas vítimas do sexo feminino — mulheres são 94,3% das vítimas —, entre janeiro e novembro deste ano, foram 42.867 casos envolvendo violência doméstica e familiar. Os casos incluem ocorrências de ameaça, injúria, lesão corporal, vias de fato e perturbação, todas enquadradas por violência doméstica.

Foram, em média, 3.897 ocorrências por mês, tendo março como mês de mais notificações, com 4.265. Em comparação ao ano de 2024, no entanto, as denúncias reduziram bastante. Ano passado, foram 54.222 casos de violência doméstica registrados, somente para o sexo feminino, de acordo com a SDS.

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A rotina de medo dos 28,5 milhões de brasileiros reféns do crime organizado

UM BASTA - Moradores clamam por paz em favela carioca: o símbolo do Comando Vermelho ao fundo mostra quem manda

VEJA

Carros queimados, estacas de ferro, trilhos de trem, cancelas, eis uma lista das barreiras que precisam ser cotidianamente vencidas por um naco expressivo da população do Rio de Janeiro para tão simplesmente chegar em casa. São obstáculos carregados do mais deletério dos simbolismos: fincados nas entradas de populosas favelas, eles têm o propósito de frear a polícia e demarcar onde termina o poder do Estado, com tudo o que embute, e começa o domínio do crime, que vem se apossando ao longo de décadas de vastos territórios à base da intimidação e do medo, medo não, pavor. Quem leva o dia a dia na mira dos fuzis sabe bem que a vida sob as regras das quadrilhas, seja do tráfico, seja da milícia, depende da régia obediência a uma cartilha que todo mundo conhece de cor. “Carro de aplicativo não sobe aqui, esquece. Somos obrigados a usar o sistema de mototáxis dos bandidos e, se recebo alguém, preciso ir buscar fora da comunidade, para não correr riscos”, diz uma residente de Itaboraí, na região metropolitana, que, como outras pessoas ouvidas pela reportagem de VEJA, não revela o nome e prefere nem dar as iniciais.

O avanço territorial dos criminosos não apenas no Rio, mas por todo o Brasil, espanta pela velocidade e a dimensão que tomou. Entre os especialistas, não há dúvida de que as barreiras dos marginais devem ser derrubadas e o terreno que eles mantêm à sombra da violência, retomados, medida essencial do ponto de vista dos que sofrem com os desmandos da bandidagem e sob o ângulo do funcionamento da sociedade de forma mais ampla. É tarefa de elevada complexidade, como se viu na Operação Contenção, no último dia 28, quando o governo Cláudio Castro despachou 2 500 agentes para os complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte carioca, onde está instalado o QG do Comando Vermelho, a maior facção do Rio. Os policiais foram recebidos com saraivadas de tiros de fuzis e até drones lança-granadas. No confronto, quatro policiais morreram. Do outro lado, as baixas foram muito maiores: 117 mortos (dos quais, 95% tinham vínculo comprovado como o CV, segundo o governo fluminense) e 99 prisões. Após essa ação que bateu recorde histórico de letalidade, uma questão essencial, que, aliás, mobiliza a classe política, de olho no impacto eleitoral do emergencial tema da segurança, segue candente: como extirpar de vez esse mal do castigado tecido social? Não há resposta única nem simples.

Na última segunda-feira, na Penha, o cenário era de aparente normalidade, ao menos para os padrões de uma comunidade tutelada pelo crime. Uma funcionária de uma loja de celular, vizinha à praça onde corpos ficaram estirados no dia seguinte à operação, disse à reportagem, resumindo o tom geral de resiliência: “A vida tem que continuar”. E, apesar do baque sofrido pelo Comando Vermelho (CV), ela continuava sob a vigília de olheiros monitorando o movimento e mototaxistas circulando sem capacete para facilitar a identificação pelos soldados do crime. “Só hoje consegui dormir”, contava uma mulher a uma amiga que, mesmo calejada, constatou: “Nunca vi tanto fuzil”. Ninguém ousa pronunciar palavras comprometedoras nem lá nem em outras bandas onde as gangues sofisticam seus negócios, assim como seus métodos de coação. “O segredo para sobreviver é cabeça baixa e boca fechada”, resume a empregada doméstica V.D., 58 anos, residente de uma área de milícia na Baixada Fluminense, que comprou a duras penas seu apartamento e agora paga ágio de 50% no condomínio por incluir uma certa “taxa da portaria”, montante que, sabidamente, vai parar no bolso dos grupos armados. “Nossa segurança é garantida por eles”, justifica a síndica, que não ousa dar nome aos bois.

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Apesar de queda em 2024, Pernambuco segue como 4º estado com maior taxa de mortes

Mesmo com redução de 5,4% – exatamente a mesma porcentagem de queda nacional em 2024, Pernambuco continua entre os estados com maior taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes no País. Está em quarto lugar no ranking.

Os dados foram divulgados, nesta quinta-feira, no novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

No ano passado, Pernambuco somou 3.453 assassinatos. A taxa foi de 36,2. Dois municípios, inclusive, estão na lista dos dez mais violentos do Brasil: Cabo de Santo Agostinho e São Lourenço da Mata, ambos na Região Metropolitana do Recife.

A guerra entre grupos rivais pelo domínio de territórios para o tráfico de drogas permanece como principal desafio para a redução da violência.

A queda de 5,4% está muito distante do ideal, visto que a meta do programa Juntos pela Segurança é fechar o ano de 2026 com redução de 30% nas mortes, em comparação com 2022.

Sobre o resultado do anuário, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco argumentou que o Estado vem registrando, até o momento, 14 meses consecutivos de queda nas mortes.

“No primeiro semestre de 2025, a redução foi de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, o segundo menor índice de homicídios da série histórica para esse intervalo. Importante ressaltar que esses dados ainda não estão refletidos no Anuário divulgado, que considera o recorte de 2024”, disse a pasta estadual.

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Dez cidades mais violentas do Brasil concentram-se em 3 estados do Nordeste

Ação do Batalhão de Operação Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Ceará

As dez cidades brasileiras com maiores índices de violência estão localizadas em 3 estados do Nordeste do país, região que sofre com o rápido avanço do narcotráfico e disputas sangrentas entre facções criminosas por controle de território. Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado nesta quinta-feira (24).

A cidade de Maranguape, no Ceará, lidera o ranking nacional de mortes violentas intencionais, com taxa de 79,9 homicídios por 100 mil habitantes. Na edição anterior do Anuário, publicada no ano passado, o município figurava em oitavo lugar entre os dez mais perigosos. “Assim como outras cidades do Ceará, o território é palco de uma disputa sangrenta entre duas facções criminosas, o Comando Vermelho (CV) e os Guardiões do Estado (GDE)“, diz o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O ranking das cidades mais violentas é composto por três municípios do Ceará, cinco da Bahia e dois de Pernambuco. Em todos os casos, o índice de mortalidade é pelo menos o triplo da média nacional, equivalente a 20,8 homicídios por 100 mil moradores.

Na comparação estadual, Bahia e Ceará aparecem na segunda e terceira posição entre as unidades da federação (UFs), com taxas de 40,6 e 37,5 homicídios por 100.000 habitantes, respectivamente. A tabela é liderada pelo Amapá, com índice de 45,1 mortes por 100.000 moradores, a baixa população do estado nortista, onde vivem cerca de 733.000 brasileiros, contribui para a alta no cálculo da média de assassinatos.

Oito em dez vítimas de homicídios são pessoas negras

De acordo com o Anuário de Segurança, o Brasil registrou 44.127 mortes violentas intencionais em 2024. O total equivale a uma ligeira queda de 5,4% em relação aos homicídios ocorridos no ano anterior.

Em relação ao perfil das vítimas, 79% (praticamente oito em dez) eram pessoas negras, enquanto 91% eram homens e quase metade tinham até 29 anos de idade. Ainda segundo o relatório, mais de 57% das mortes ocorreram em via pública, e cerca de três em cada quatro assassinatos foram cometidos com uso de armas de fogo.

Ranking das dez cidades mais violentas do Brasil

Confira, a seguir, a lista das dez cidades brasileiras com índices mais altos de homicídios por 100 mil habitantes, segundo o Anuário de Segurança Pública.

  1. Maranguape (CE): 79,9 por 100 mil
  2. Jequié (BA): 77,6
  3. Juazeiro (BA): 76,2
  4. Camaçari (BA): 74,8
  5. Cabo de Santo Agostinho (PE): 73,3
  6. São Lourenço da Mata (PE): 73
  7. Simões Filho (BA): 71,4
  8. Caucaia (CE): 68,7
  9. Maracanaú (CE): 68,5
  10. Feira de Santana (BA): 65,2

Na contramão do Estado, Recife teve aumento de 34,28% nas mortes violentas em maio

Interior impulsionou queda das mortes violentas em Pernambuco no mês de maio

De acordo com a SDS, 47 pessoas foram assassinadas na capital no mês passado, 12 a mais que maio de 2024. Dados em Pernambuco também foram atualizados

Na contramão da queda das mortes violentas intencionais em Pernambuco, Recife apresentou alta nos números em maio de 2025. De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), 47 pessoas foram assassinadas, um crescimento de 34,28% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a polícia somou 35 vítimas.

As estatísticas de mortes em Pernambuco também foram atualizadas pela SDS. Inicialmente, o governo estadual havia divulgado uma queda de 8,1% em maio, levando em consideração o número de 250 mortes. Mas a quantidade subiu para 252. A redução caiu para 7,4% em relação a maio de 2024, quando foram registrados 272 assassinatos.

Com exceção da capital, as outras regiões do Estado apresentaram queda no número de mortes violentas intencionais – sobretudo no interior. Na Região Metropolitana, houve apenas um homicídio a menos. Foram 81 registros em maio deste ano.

No Agreste do Estado, 45 pessoas foram assassinadas no último mês. No mesmo período de 2024, foram 57. Já na Zona da Mata, as mortes caíram de 55, em maio do ano passado, para 43.

No Sertão, 36 assassinatos foram somados em maio deste ano. No mesmo período de 2024, foram 43.

Nas mortes violentas intencionais estão inseridos os homicídios, latrocínios, feminicídios, lesão corporal seguida de morte e óbitos decorrentes de ações das forças de segurança.

Segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Pernambuco é o quarto estado com maior taxa de mortes: 34,76 por 100 mil habitantes. Perde apenas para Amapá, Bahia e Alagoas. Os dados são referentes ao recorte de janeiro e abril de 2025.

Feminicídios aumentam no acumulado do ano

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Tiros, pânico e desinformação marcam noite no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife

Vídeos com imagens de tiros foram compartilhados nas redes sociais

Moradores da Vila dos Milagres, no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife, viveram momentos de terror na noite da segunda-feira (06) e começo da madrugada desta terça-feira, em meio a uma intensa troca de tiros entre criminosos e policiais militares.

Vídeos circularam nas redes sociais mostrando correria, barulho de tiros e várias viaturas policiais. Um helicóptero também foi usado.

Até o momento, não há informações sobre prisões ou pessoas feridas.

Mesmo diante do pânico e do clamor da população por respostas oficiais, a Polícia Militar de Pernambuco e a Secretaria de Defesa Social (SDS) permanecem em silêncio, gerando ainda mais desinformação e medo.

A Vila dos Milagres é uma comunidade marcada por casos de violência, toque de recolher e domínio do tráfico de drogas. Operações policiais foram realizadas nos últimos anos na tentativa de barrar o avanço da criminalidade, mas a polícia tem perdido essa guerra.

Homicídios caem em Pernambuco em novembro, mas feminicídios e latrocínios crescem

De acordo com a SDS, 3.150 mortes violentas intencionais foram somadas entre janeiro e novembro deste ano

Por Raphael Guerra/JC

Pernambuco registrou queda no número total de mortes violentas intencionais em novembro de 2024. De acordo com as estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS), 239 vidas foram perdidas no último mês. A redução foi de 19,3% em relação ao mesmo período de 2023, quando 296 assassinatos foram registrados.

A queda geral foi possível graças aos resultados alcançados na Região Metropolitana e no Sertão do Estado. Na capital e na Zona da Mata, houve aumento nos números em novembro – levantando o alerta à polícia, sobretudo pela guerra entre facções criminosas pelo domínio de territórios.

Na capital pernambucana, 50 mortes violentas intencionais foram registradas no último mês. Quatro casos a mais em comparação com novembro de 2023.

Na Região Metropolitana, 64 pessoas foram assassinadas em novembro. No mesmo período do ano passado, foram 109.

Já no Agreste, 54 vidas foram perdidas no mês passado. Mesmo número registrado em novembro de 2023. No Sertão, os números caíram de 48 (em 2023) para 28, em novembro deste ano.

Na Zona da Mata, 43 mortes foram somadas pela polícia em novembro. No mesmo período do ano passado, foram 39.

Nas mortes violentas intencionais estão incluídos os homicídios, feminicídios, latrocínios (roubo seguido de morte), lesões corporais seguidas de morte e óbitos decorrentes de intervenções policiais.

Crescem feminicídios e latrocínios

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