Desemprego cai a 8,8% em Pernambuco, após pico de 14,2% na pandemia

A taxa de desemprego em Pernambuco caiu para 8,8% no quarto trimestre de 2025, segundo a Pnad Contínua divulgada nesta sexta-feira (20) pelo IBGE. No mesmo período de 2024, o índice era de 10,2%. Durante a pandemia, o Estado chegou a registrar pico de 14,2%, em 2021.

Em números absolutos, o total de desempregados caiu de cerca de 440 mil pessoas no quarto trimestre de 2024 para 366 mil no mesmo período de 2025, uma redução de 16,9% em um ano. Os gráficos do IBGE mostram que, após o auge da crise sanitária, o desemprego vem recuando gradualmente, ainda que com oscilações ao longo dos trimestres.

Menos gente no mercado

A melhora, porém, não pode ser analisada apenas pela taxa. A queda do desemprego ocorre em um cenário de diminuição da força de trabalho, grupo formado por pessoas ocupadas e aquelas que estão procurando vaga.

No quarto trimestre de 2025, Pernambuco tinha 4,133 milhões de pessoas na força de trabalho, uma redução de 3,6% em relação ao mesmo período de 2024. Ao mesmo tempo, aumentou o número de pessoas fora do mercado, ou seja, que não trabalham nem buscam emprego.

Como a taxa de desemprego considera apenas quem está trabalhando ou procurando vaga, quando menos pessoas disputam uma vaga, o indicador tende a cair. Isso significa que parte da melhora ocorre também porque há menos gente buscando trabalho.

Ainda assim, outros indicadores apontam avanço. A taxa composta de subutilização da força de trabalho, que reúne desempregados, subocupados (quem trabalha menos horas do que gostaria) e pessoas disponíveis que não estavam procurando vaga, caiu para 21,9%, uma redução de 3,4 pontos percentuais em um ano.

Informalidade ainda marca o mercado

Se o desemprego recua, a informalidade continua sendo uma das principais características do mercado de trabalho pernambucano.

Em 2025, 47,8% da população ocupada estava em situação informal, sem carteira assinada, CNPJ ou qualquer vínculo formal. No ano anterior, o percentual era de 49,6%. O ponto mais alto da série recente foi registrado em 2022, quando a informalidade atingiu 52,1%.

A trajetória é de queda, mas o patamar ainda é elevado. Pernambuco tem hoje a 9ª maior taxa de informalidade entre os 27 estados do país. O índice está abaixo da média do Nordeste (50,8%), mas acima da média nacional, que é de 38,1%.

Na prática, isso significa que quase metade dos trabalhadores do Estado segue sem acesso a direitos como férias, 13º salário e proteção previdenciária, uma realidade que ajuda a explicar por que a melhora nos indicadores nem sempre se traduz em maior segurança econômica para as famílias.

Renda praticamente estável

O rendimento médio real habitual ficou em R$ 2.728 no quarto trimestre de 2025. No mesmo período de 2024, era de R$ 2.718.

Segundo o IBGE, a variação não foi estatisticamente significativa, ou seja, na prática, a renda ficou estável tanto na comparação anual quanto em relação ao trimestre imediatamente anterior.