
Uma apuração realizada pelo Portal Júnior Campos, revela que, enquanto mães de crianças atípicas e com necessidades nutricionais especiais enfrentam o desabastecimento de fórmulas alimentares e leites na Farmácia Municipal de Serra Talhada, a gestão da prefeita Márcia Conrado já possui a licitação do insumo devidamente homologada e concluída há meses.
A Prefeitura vinha justificando, segundo depoimentos das mães, a interrupção do fornecimento alegando “entraves burocráticos”, e atrasos no processo licitatório. Contudo, dados oficiais e publicações do próprio município confirmam que os contratos para a compra dos materiais já estão vigentes desde o mês de abril.
O que revelam os documentos apurados
O Portal Júnior Campos diz que teve acesso aos documentos do Processo Licitatório nº 023/2026 (Pregão Eletrônico nº 015/2026), cujo objeto é o “Registro de Preço para Aquisição de Leites, Suplementos Alimentícios, Fórmulas Infantis de Nutrição Enteral e Parenteral”:
A estimativa inicial do orçamento municipal era de R$ 1.225.874,73, sendo o certame homologado e adjudicado pelo valor final de R$ 989.079,23.
O processo foi oficializado no dia 17 de abril de 2026, com parecer da Assessoria Jurídica atestando regularidade formal e assinatura da secretária de Saúde e gestora do Fundo, Lisbeth Rosa de Souza Lima.
A Prefeitura de Serra Talhada assinou, entre os dias 23 e 24 de abril de 2026, quatro contratos com empresas fornecedoras (BB – Médica Hospitalar, Biolife Brasil, Innovakir Importação em Saúde e Roberta M Oliveira de Lira Comércio e Serviços; esta responsável pela maior fatia do fornecimento, no montante de R$ 645.527,06. Todos os contratos possuem vigência de 12 meses.
Mobilização das famílias e cobrança por regularidade
A disparidade entre o andamento burocrático e a entrega real na ponta gerou revolta entre as famílias. Após denúncias e forte pressão popular das mães atípicas, a gestão municipal realizou reuniões e efetuou entregas emergenciais e fracionadas de alguns insumos.
Apesar das medidas pontuais, as mães seguem mobilizadas junto à Promotoria de Justiça do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para exigir que a Secretaria de Saúde de Serra Talhada estabeleça um cronograma fixo e contínuo de distribuição, evitando que novas paralisações coloquem em risco a saúde e o desenvolvimento das crianças.



