Luciano Pacheco ameaça abrir ‘caixa-preta’ de gestões de Siqueirinha e Célia Galindo, em Arcoverde

O clima político em Arcoverde atingiu o ponto de ebulição. Em entrevista à Rádio Independente FM, o presidente da Câmara de Vereadores, Luciano Pacheco, falou sobre o processo de cassação que enfrenta e partiu para o contra-ataque. Pacheco afirmou ser vítima de uma perseguição articulada pela gestão municipal e ameaçou revelar irregularidades de gestões anteriores da Câmara de Vereadores, citando nominalmente os ex-presidentes da Casa, Célia Galindo e Wevertton Barros de Siqueira (Siqueirinha), atual vice-prefeito da cidade.

Luciano Pacheco declarou que sua equipe técnica concluiu um levantamento detalhado sobre as finanças do Legislativo nos últimos oito anos. O foco, segundo ele, são os períodos em que a Câmara foi presidida por Siqueirinha e Célia Galindo.

“Minha equipe conseguiu levantar as quatro últimas gestões da Câmara de Vereadores, que estão todas em um relatório. Quem sabe não é a hora da caixa-preta ser entregue ao povo de Arcoverde? Já está tudo contabilizado, compactado. Eu tenho o maior interesse de trazer para o debate o que aconteceu nas duas últimas gestões, da vereadora [Célia] e do vice-prefeito Siqueirinha”, disparou o parlamentar.

Pacheco vinculou a tentativa de cassar seu mandato a uma estratégia para silenciar suas críticas e impedir seu avanço político rumo às eleições de 2026, onde pretende caminhar ao lado do prefeito do Recife, João Campos. Em um dos momentos mais tensos da entrevista, o presidente da Câmara afirmou que não recuará diante das pressões.

“Só vão me calar, tenho certeza, se me matarem. Se não me matarem, vão conseguir me ouvir”.

Sobre a acusação de que teria exercido a advocacia ilegalmente durante a presidência, Luciano reiterou que a competência de julgamento é da OAB e que as provas apresentadas por seus adversários são “frágeis” e “requentadas”. Ele alegou que os documentos anexados ao processo mostram apenas o repasse de causas para outros advogados, prática conhecida como substabelecimento.

“Deram um tiro no meio do pé. O que juntaram de novo só me favorece, porque é a prova de que eu não estou advogando, estou passando para outro advogado. Eu exijo que tragam uma ata minha, um júri ou uma audiência feita por mim nesse período. Não tem”, afirmou Pacheco.

Luciano Pacheco também denunciou o uso da máquina pública para pressionar o Legislativo, citando a presença de cargos comissionados e aliados do prefeito Zeca Cavalcanti nas sessões da Câmara.

“O prefeito diz que está cuidando das obras, mas o pessoal da comunicação e os cargos de confiança estão na porta da Câmara entregando faixa aos professores para gritar ‘fora Luciano’. Foram para lá com camisa preta porque cada um leu o pensamento do outro? Só acredita nisso quem não nasceu”, ironizou.

O presidente da Casa James Pacheco finalizou reafirmando que manterá a pauta desta segunda-feira, incluindo o prosseguimento do processo contra o vereador Claudelino, conforme determinação judicial.