
Carta Capital
Nenhum país do mundo tem mais padarias que o Brasil, e o setor já mira o próximo passo: transformar o simples ato de comprar pão em experiência. É o que aponta um estudo inédito da Euromonitor International, encomendado pela Feira de Panificação, Confeitaria e Food Service (Fipan), que acontece no Expo Center Norte, em São Paulo.
Com 70.235 estabelecimentos, o Brasil lidera o ranking global de padarias independentes, à frente dos Estados Unidos, com 30.379, e do Reino Unido, com 13.745. São 2,4 bilhões de compras em padarias por ano no país, o equivalente a 10% de todas as transações do food service nacional. Em média, cada brasileiro adulto passa pela padaria 14 vezes ao mês.
Diante desse volume, o setor movimenta R$ 178,1 bilhões, o equivalente a 1,5% do PIB nacional, com projeção de chegar a R$ 210,8 bilhões até 2027. É justamente nesse cenário de maturidade que as tendências de consumo ganham espaço no debate do setor.
Eatertainment aparece como aposta
Entre as tendências mapeadas pelo estudo, a que mais chama atenção é o chamado eatertainment, conceito que une gastronomia e entretenimento em ambientes pensados para oferecer experiência ao consumidor, além do simples consumo. A lógica já aparece em diferentes formatos regionais: no Sul, por exemplo, desponta o happy hour dentro da própria padaria, unindo boteco e panificação em um único ambiente.
No Sudeste, região que concentra 46% das padarias do país e tem o maior ticket médio nacional, R$ 56,35 por visita, o brunch ganha espaço nos estabelecimentos mais sofisticados, outro sinal de como o consumo passa a girar em torno da experiência, e não apenas da compra.
Sustentabilidade pesa na decisão de compra
Outra tendência que avança é a sustentabilidade. Cerca de 13,5% dos consumidores brasileiros já se dizem dispostos a pagar mais por produtos com essa característica, e 17,9% pagariam mais especificamente por produtos de origem sustentável. O dado indica que a pauta ambiental já influencia diretamente a decisão de compra no varejo alimentício, e deve seguir orientando lançamentos e embalagens do setor nos próximos anos.
Cafeterias avançam entre as padarias
A aproximação com o universo das cafeterias também aparece como caminho de expansão. O segmento cresce 9% ao ano no Brasil e é apontado pelo estudo como estratégia para conquistar a Geração Z, público que combina pão e café como parte da rotina, unindo tradição e um consumo mais rápido.
Padarias vendem mais salgados que pão
Essas tendências acompanham uma mudança que já aconteceu no que o brasileiro mais compra. Salgados como pão de queijo, coxinha e croissant superam o pão francês como produto mais procurado nas padarias, seguidos pelo café, o que reflete a busca por lanches rápidos e prontos. Buffets, sanduíches e pratos feitos já aparecem em um terço dos estabelecimentos pesquisados, o que confirma a padaria como destino de refeições completas.
No Norte e no Nordeste, as padarias seguem funcionando como minimercados de vizinhança, papel que reforça sua presença no dia a dia das cidades. Já no Centro-Oeste, a conveniência dita o ritmo do consumo, sendo a única região do país onde o sanduíche entra no top três de produtos mais vendidos.
Confeitaria também cresce no país
O apetite por inovação não fica restrito às padarias. O Brasil responde por mais de 60% de todo o consumo de confeitaria da América do Sul, em um mercado que movimenta cerca de US$ 11,9 bilhões, com cada brasileiro consumindo em média 9,7 quilos de doces por ano. Somando panificação, confeitaria, pizzarias, cafeterias e restaurantes, o food service emprega 5,6 milhões de pessoas no país, com 1,3 milhão de admissões registradas somente em 2024.
As tendências mapeadas pelo estudo, do eatertainment à sustentabilidade, estarão em debate direto na Fipan 2026 e no 6º Congresso Fipan, realizado em paralelo à feira, sinal de que o setor de padarias segue buscando formas de crescer além do balcão tradicional.



