Prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado pagou pra ver a aproximação da governadora Raquel Lyra com Luciano Duque, diz blog

Blog Júnior Campos

A política tem seus caminhos tortuosos e, em Serra Talhada, cada decisão tem um custo. Nas eleições de 2022, a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), declarou apoio a Danilo Cabral (PSB) no primeiro turno. Já o deputado estadual Luciano Duque (SD) caminhou desde o início com Marília Arraes, candidata da legenda. No segundo turno, com a polarização entre Raquel Lyra e Marília, Duque manteve-se fiel a Marília, enquanto Márcia aderiu à candidatura de Raquel, que viria a ser eleita governadora.

Passados os embates de 2022, os reflexos dessa escolha política começaram a ganhar contornos mais evidentes no cenário municipal. Em 2024, Luciano Duque tentou retornar à Prefeitura de Serra Talhada, mas viu sua candidatura barrada dentro do próprio partido. Marília Arraes, presidente estadual do Solidariedade, alinhou-se à prefeita Márcia Conrado e negou legenda a Duque. A alternativa foi lançar o filho, Miguel Duque, como candidato mas o jovem acabou derrotado nas urnas por Márcia.

Mesmo fora da disputa direta, Luciano se manteve em articulação. No exercício do mandato de deputado estadual e liderando uma bancada com quatro parlamentares, construiu pontes com o Governo do Estado. A reaproximação com Raquel Lyra foi estratégica, culminando na nomeação de seu filho Miguel para a presidência do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).

O movimento foi encarado como provocação no grupo da prefeita Márcia Conrado, que passou a adotar uma postura de afastamento em relação à governadora. Em contrapartida, intensificou seu alinhamento com o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, pré-candidato ao Governo de Pernambuco em 2026. A distância entre o Palácio do Campo das Princesas e a Prefeitura de Serra Talhada aumentou ainda mais com manifestações públicas de aliados de Márcia, incluindo sua mãe, Alice Conrado, que em falas recentes criticou duramente a governadora.

Nos bastidores, essas declarações foram tratadas como decisivas para que o Governo do Estado adotasse um novo posicionamento em relação à política da Capital do Xaxado.

A consequência foi clara.

A governadora Raquel Lyra consolidou sua aproximação com Luciano Duque e lhe entregou o controle de espaços estratégicos na cidade, como o Hospital Regional Professor Agamenon Magalhães (Hospam). E foi além: no último fim de semana, esteve em Serra Talhada ao lado de Duque, onde anunciou investimentos expressivos, como a obra da adutora do distrito de Varzinha, uma demanda antiga da população, com recursos da ordem de R$ 19 milhões.

Durante discurso em Sertânia, Raquel Lyra anunciou a instalação de um Complexo de Polícia Científica em Serra Talhada, incluindo o Instituto de Medicina Legal (IML), equipamento histórico reivindicado não apenas pela cidade, mas por toda a região. A fala da governadora rapidamente ocupou o noticiário político de Pernambuco, da Capital ao Sertão. O vice-prefeito de Serra Talhada, Faeca Melo (Avante), comemorou publicamente a notícia. Faeca integra um partido que está hoje alinhado à base de Raquel. Já a prefeita Márcia Conrado preferiu o silêncio.

Márcia, que lá atrás ajudou a eleger Raquel Lyra no segundo turno de 2022, hoje se vê fora da base da governadora. Assumiu um projeto político que não era seu e, ao interferir no xadrez estadual, perdeu terreno local.