Samba de Coco de Custódia segue habilitado ao Prêmio de Patrimônio Vivo 2026

O grupo Samba de Coco, de Custódia, no Sertão pernambucano, tem duas décadas de vida artística, mas toda uma ancestralidade no Coco de Roda: seus integrantes habitam até hoje a região quilombola de Cachoeira da Onça e zona rural de Quitimbu, núcleo rural do qual saíram também outros grupos fundamentais na Cultura do Coco, como o Coco Raízes de Arcoverde e o Negras e Negros do Leitão, de Afogados da Ingazeira.

Premiar o samba liderado por Mestra Joana é reconhecer a grandeza desse território como nascedouro do Coco (os descendentes dessa região já criaram outras dezenas de grupos informais e oficiais).

É também homenagear as grandes mulheres que guardaram a tradição do Coco, mesmo numa época em que elas não podiam liderar o folguedo , como a Chiquinha Gonçalo, tia de Joana e de outro Patrimônio Vivo, Mestre Inácio Pedro (in memoriam) que descreviam a tia como uma gênia no improviso: ninguém ganhava dela no desafio (modalidade do Coco misturada com Embolada onde um cantador desafia o outro a rimar até que um dos dois não consiga mais criar seja porque o público escolheu o campeão ou seja porque o oponente não tem mais criatividade para uma rima que siga o tema).

O prêmio seria, ainda, um reconhecimento à grandeza do Coco da Cachoeira da Onça para os quilombolas de Sertânia, Iguaracy, Custódia, Afogados da Ingazeira e Carnaíba, que reconhecem em Joana e na família Gonçalo uma liderança no Coco e as canções da família parte fundamental de suas próprias identidades culturais.