
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Falemos hoje sobre o cearense Miguel Arraes.
Papa – Miguel Arraes de Alencar nasceu no dia 15.12.1916 na cidade de Araripe (CE), advogado e economista fez carreira política em Pernambuco onde ganhou fama de protetor dos pobres e defensor de causas sociais.
Em 1986 eu trabalhava na cidade de Barbalha (CE), e votava em Afogados da Ingazeira (PE). Como teria que trabalhar no dia seguinte votei cedo e peguei o primeiro transporte para Arcoverde (PE), com o intuito de chegar cedo na cidade cearense. No trajeto Arcoverde/Barbalha ao passar pelo distrito de Algodões entrou no ônibus um senhor e sentou ao meu lado.
Começamos a conversar e ele disse que estava indo para Custódia (PE), para votar em Arraes. Constatei na conversa a admiração do povo do campo pelo cearense candidato ao governo de Pernambuco. Uma vez que o senhor, didaticamente, fez várias ponderações justificando sua escolha. Aqui destaco duas: “- Meu filho, Arraes foi o único governador que olhou para nós. – Vamos devolver o cargo que foi tomado”.
Uma coisa é certa Arraes, de fato, teve compromisso com as causas relacionados com os mais necessitados. Dedicou seus mandatos para ações relacionadas com a inclusão social, por esta causa e pelos ideais libertários foi boicotado pelo poder central. Esquerdista no tempo dos militares e no governo Sarney era sinônimo de sofrimento.
Miguel Arraes atuou no Partido Social Democrático (PSD), Partido Social Trabalhista (PST), Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e Partido Socialista Brasileiro (PSB), exerceu os cargos eletivos de deputado estadual, prefeito de Recife, deputado federal e governador de Pernambuco por três vezes, tendo sido cassado em 1964 pelo regime militar. Assumiu o cargo de secretário da Fazenda no Governo de Cid Sampaio.
Ente as lições que busco na liderança de “Pai Arraia”, como carinhosamente era tratado pelo povo humilde de Pernambuco: “Compromisso com a redução das desigualdades socais, sua leitura sobre as relações trabalhistas e sobre o nacionalismo desenvolvimentista, criação de programas de inclusão social e respeito a cultura raiz, via Movimento de Cultura Popular (MCP), na Prefeitura de Recife, em 1961”. Como nos faz falta um político com as habilidades e posicionamentos do velho Arraes.



