
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Na tela hoje o jovem poeta Caio Menezes, com o poema “DE COMER”.
Papa – Caio Menezes, da dinastia Filó, com extrema sensibilidade valoriza o todo em relação aos alimentos advindo da produção agrícola. “DE COMER” é um poema antológico, uma aula de sociologia, justiça social e cultura raiz.
Quem já foi numa casa de farinha
Sabe bem o valor da tapioca.
Pra matéria chegar assim, fininha,
É preciso plantar a mandioca.
E roçar, e colher, ralar, moer,
Separar, escolher, coar, fazer
O milagre na planta Guarani.
Esses verbos da vida camponesa
É o que nos conjuga a natureza
Nesse jeito de ser muito daqui.
Pra comer o cuscuz tradicional
É preciso saber profundamente
Que o cuscuz ao nascer, foi milharal,
E depois de viver veio pra gente.
Há trabalho, cultura e tradição
Muito antes da festa de São João,
São José mandou uma chuvinha
Nossa carne é cuscuz com leite quente,
Pra poder entender da minha gente
É preciso adentrar pela cozinha.
É preciso adentrar pelo Brasil
Pra saber que a cultura brasileira
Não depende de bala de fuzil,
Mas precisa demais de nossa feira.
É na feira que o cheiro se apura
E a gente percebe a rapadura
Uns dez metros da banca que ela tá.
Quem já viu caminhão de melancia
Com certeza encontrou a poesia
Mesmo sem ter saído a procurar.
É no prato que a gente faz o nome
E o Brasil é o grande professor
Em deixar o povo passar fome,
Mesmo sendo o maior exportador.
A nação se começa é na comida.
O mercado é depois, primeiro a vida,
Rapadura, farinha, mel, cuscuz.
Esse verso foi só pra começar
Eu queria dizer de meu lugar…
Foi assim que aprendi, lendo Jesus.





