09 – NA SEXTA UMA CESTA DE VERSOS

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Sobre Dedé Monteiro o que você nos diz?

Papa – José Rufino da Costa Neto – Dedé Monteiro, que nasceu na zona rural de Tabira (PE), é um poeta completo em todos os sentidos, sua magnifica obra não tem paralelo. Em seus livros encontramos belas, límpidas e puras imagens. O título de Patrimônio Vivo de Pernambuco é um reconhecimento merecido. Seu caráter e sua humildade são tão grandes quanto grande é seu legado poético.

Transitar pelas “veredas” da arte de Dedé Monteiro é marcar encontro com o que há mais perfeito. Os sonetos abaixo: “As quatro velas” e “Soneto da Revolta”, são para este cronista essências de poesia.

Quatro velas ardiam sobre a mesa, E falavam da vida e tudo o mais. A primeira, tristonha: “Eu sou a PAZ, Mas o mundo não quer me ver acesa…”.

A segunda, em soluços desiguais: “Sou a FÉ! Mas é triste a minha empresa: Nem de Deus se respeita a Realeza… Sou supérflua, meu fogo se desfaz…”.

A terceira sussurra, já sem cor: “Estou triste também, eu sou o AMOR… Mas perdi o fulgor como vocês…”.

Foi a vez da ESPERANÇA – a quarta vela: “Não desiste ninguém, que a vida é bela! E acendeu novamente as outras três!

Que culpa tenho de ser diferente Amar as artes porventura é crime? Tudo é mutável e o irreverente Não se acostuma com qualquer regime.

Contra a vontade rude e indiferente Eu sou amante do sagrado time. Que empresta a alma sofre, cria e sente E sente nojo do poder que oprime.

Aprendam isto: gente não se doma! Pichem meu nome rasguem meu diploma. Aceito tudo com tranquilidade.

Se acharem pouco, cubram-me de lodo, cortem meu riso, me excomunguem todo! Só não me toquem na dignidade.