12 – SEXTOU POÉTICO – PALHAÇO QUE RI E CHORA – LOURIVAL BATISTA

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el –  Nosso olhar hoje será direcionado para Lourival Batista.

Papa – Jogar a bateia na mina poética do “Rei do Trocadilho” e dela extrair a melhor pepita é missão impossível, o poema abaixo transcrito do livro “Lourival Batista Patriota”, de Ivo Mascena Veras, é uma das belas joias facilmente encontradas.

 

PALHAÇO QUE RI E CHORA

 

Pinta o rosto, arruma palma

Dentre os néscios e sábios

O riso aflora-lhe os lábios

A dor tortura lhe a alma.

Suporta com toda calma

Desgostos a qualquer hora

Quando quer bem vai embora

Vive num eterno drama

Pensa, sonha, sofre e ama

Palhaço que ri e chora.

 

Se ama alguém com desvelo

Deixá-lo é martírio enorme

Se vai deitar-se não dorme

Se dorme tem pesadelo.

Sentindo um bloco de gelo

Lhe esfriando dentro e fora

Desperta, medita e chora.

Sente a fortuna distante

Julga-se um judeu errante

Palhaço que ri e chora.

 

Pelo destino grosseiro

A vida jamais lhe agrada

Se sente a alma picada

Tem que ir ao picadeiro.

Não pode ser altaneiro

Não tem repouso uma hora

Chagas dentro, rosas fora

Guarda espinho, mostra flor

Misto de alegria e dor

Palhaço que ri e chora.

 

Palhaço, tem paciência!

Da planície ao pináculo

O mundo é um espetáculo

Todos nós a assistência.

Por falta de consciência

Gargalhamos qualquer hora

Choramos sem ter demora

Sem ânimo, coragem e fé

Porque todo homem é

Palhaço que ri e chora