
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Nosso olhar hoje será direcionado para Lourival Batista.
Papa – Jogar a bateia na mina poética do “Rei do Trocadilho” e dela extrair a melhor pepita é missão impossível, o poema abaixo transcrito do livro “Lourival Batista Patriota”, de Ivo Mascena Veras, é uma das belas joias facilmente encontradas.
PALHAÇO QUE RI E CHORA
Pinta o rosto, arruma palma
Dentre os néscios e sábios
O riso aflora-lhe os lábios
A dor tortura lhe a alma.
Suporta com toda calma
Desgostos a qualquer hora
Quando quer bem vai embora
Vive num eterno drama
Pensa, sonha, sofre e ama
Palhaço que ri e chora.
Se ama alguém com desvelo
Deixá-lo é martírio enorme
Se vai deitar-se não dorme
Se dorme tem pesadelo.
Sentindo um bloco de gelo
Lhe esfriando dentro e fora
Desperta, medita e chora.
Sente a fortuna distante
Julga-se um judeu errante
Palhaço que ri e chora.
Pelo destino grosseiro
A vida jamais lhe agrada
Se sente a alma picada
Tem que ir ao picadeiro.
Não pode ser altaneiro
Não tem repouso uma hora
Chagas dentro, rosas fora
Guarda espinho, mostra flor
Misto de alegria e dor
Palhaço que ri e chora.
Palhaço, tem paciência!
Da planície ao pináculo
O mundo é um espetáculo
Todos nós a assistência.
Por falta de consciência
Gargalhamos qualquer hora
Choramos sem ter demora
Sem ânimo, coragem e fé
Porque todo homem é
Palhaço que ri e chora





