13 – DANÇAS BRASILEIRAS – CHIMARRITA

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Ainda no sul do Brasil, fale-nos sobre a Chimarrita.

Papa – Esta dança, também conhecida como “Chamarrita” e “Limpabranco”, com o nome de “Chimarrita” é apresentada em vários estudos como uma das maiores manifestações do folclore gaúcho e sua prática alcança também os estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo assim como no Uruguai.

Apontam diversas fontes que tem origem na Ilha da Madeira e no Arquipélago dos Açores, sendo trazida para o Rio Grande do Sul por colonos açorianos no século XVIII, passou por evoluções naturais, mantidas características originais. Em sua coreografia percebe-se claramente três formatos:

“Rufado”: caracterizado pela pratica de dança simples, sem batidas dos pés no chão e das mãos;

“Valsada”: com particularidades no dançar, também sem batidas dos pés e das mãos;

“Rufando”: alternativa com passos valsados e harmônicos às batidas ritmadas das palmas e do sapateado.

Nas versões tradicionais vamos encontrar essa dança com o seguinte formato nas apresentações: Formação de pares em fileiras opostas que utiliza passos de polca e lembra danças tipicamente portuguesas. Esta versão tem recebido variações com o tempo e o local onde praticada, ganhando outras variações. Em São Paulo encontramos a formação de fileiras de homens e mulheres, frente a frente, batendo palmas e acompanhando o tocador. Todas as alterações não tiraram a beleza dessa dança, os trajes são outros ponto de destaque, o ritmo é também envolvente.

Como ilustração transcrevemos a música “Chimarrita”, de Barbosa Lessa: “Chimarrita vou cantar/Qu’inda hoje não cantei/Deus lhe dê muita boa noite/Qu’inda hoje não lhe dei – Chimarrita morreu ontem/ontem mesmo se enterrou/Quem falar da Chimarrita/Leva o fim que ela levou/Chimarrita que eu canto – Veio de cima-da-serra/A pular de galho em galho/até chegar na minha terra”.