14 – SEXTOU POÉTICO – Maria das Graças – Jansen Filho

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el –  Hoje nosso foco é direcionado para Jansen Filho, poeta de Monteiro (PB).

Papa – Este poema “Maria das Graças” foi musicado e gravado por muita gente, trata-se de uma das obras primas desse poeta paraibano que poucos conhecem.

 

Lá vem Maria das Graças

Por onde Maria passa

Provoca uma confusão

Para tudo e de repente

Para bonde e lotação

Para ônibus, para trem

No meio da população

Somente escutando a graça

E Maria das Graças passa

Sem fazer graça a ninguém

 

Maria das Graças mora

No fim da rua da aurora

No bairro da liberdade

E habita um tosco mocambo

Sem a menor bela idade

E todo mundo já sabe

Que a noite a Lua sutil

Atira beijos de prata

Sobre o mocambo de lata

Da mulata mais mulata

Das mulatas do Brasil

 

Faz tempo que ninguém ver

Maria não sei porque

O mocambo está fechado

E povo todo interroga

Por onde ela tem andado?

Enquanto a pergunta cresce

A Lua desaparece

E só tristeza floresce

No mocambo abandonado.

 

Mas sabe o que fez Maria?

Juntou o que possuía

E partiu para estação

Entrou no trem apressada

Debruçou-se num vagão

Soltou um suspiro imenso

Sonhou com outra cidade

Depois chorou de verdade

Encarcerando a saudade

Na gaiola do seu lenço.

 

O trem apitou partiu

Maria sentou-se e riu

Olhos tristes corpo bambo

E acenava comovida

Em direção ao mocambo

Entre apitos infernais

O trem corria corria

Pressuroso parecia

Que enciumado dizia

Maria não volta mais

A Maria, não vem mais

Maria não volta mais.

 

O bairro o povo o mocambo

Tudo ficou para trás

A Maria não vem mais

Maria não volta mais

A Maria não vem mais

Maria não volta mais.