
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Nesta data falaremos sobre o baiano Anísio Teixeira.
Papa – Anísio Spínola Teixeira, nasceu em 12.07.1900 na cidade de Caetité no centro sul do estado da Bahia, carinhosamente chamada de Corte do Sertão. Teve uma formação humanista, religiosa e científica conforme regras dos colégios jesuíticos. Na Universidade do Rio de Janeiro recebe o título de Bacharel em Direito.
Anísio Teixeira pode ser incluído entre as personalidades que pensavam um século à frente da época em que viveu. Em 1925 inicia uma luta pela reforma da educação convencional e aponta caminhos que até hoje o Brasil não trilhou. Dizia o grande pensador: “Formemos o camponês, um bom camponês, o intelectual, um bom intelectual”. Para isto seria necessário ter uma escola integral que preparasse os alunos para vida, que fosse capaz de desenvolver “qualidades cívicas”, “qualidades de ação” e “qualidades morais e intelectuais”.
Sua forma de pensar a educação custou muito caro para o educador baiano. Foi contestado pelos conservadores da igreja que, com base em encíclica do Papa Pio XI, rotulavam Anísio Teixeira como educador pró soviético. Afirmavam que suas teses em defesa de ensino público, gratuito, obrigatório e laico destituiria a família de seu papel na educação, aniquilaria o princípio de liberdade de ensino e promoveria o caos. Parte deste discurso ainda se ouve nos dias atuais. Seus métodos foram também sufocados pelas autoridades que promoveram o Estado Novo em 1937 e a Revolução de 1964.
Seu artigo “O propósito da escola única”, 1924; os livros “Educação Progressiva – Uma Introdução à Filosofia da Educação”, 1932; “Educação para a Democracia – Uma Introdução à Administração Escolar”, 1936 e “Educação não é Privilégio”, 1957 causaram turbulências nos meios educacionais e políticos por enfrentar os problemas e apontar soluções que promoveriam a libertação via educação. Em nosso país quem pensa dessa forma enfrenta adversários poderosos. Nos conceitos da “Escola Parque”, criada em Salvador em 1950, estão muitas soluções ignoradas pelos gestores do nosso Brasil, muitos detentores de cargos importantes sequer têm conhecimento do modelo.
O que busco aprender na obra de Anísio Teixeira: “Visão de futuro, capacidade de criar alternativas de vanguarda, coerência com princípios que acredita, sentido de missão, não apego a cargos ou poder…”. Não seguir os pensamentos do filho de Caetité tem custado muito caro e atesta a opção pela ignorância e pela dependência. Uma pena.



