15 – SEXTOU POÉTICO – Criança Morta – Sebastião da Silva

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el –  Vamos visitar hoje a obra do paraibano Sebastião da Silva.

Papa – Nesta canção “Criança Morta” o poeta de Pilõezinhos (PB), narra uma fatalidade com carga emocional destacável sob vários ângulos. Umas das canções mais tocadas em todos os tempos nas emissoras de rádio do Nordeste.

 

“Criança Morta”

 

Dos poemas que escrevi

Por meio da inspiração

Este é o mais comovente

Porque tem a narração

De um dos casos mais tristes

Que já se viu no Sertão.

 

Trata-se de uma menina

De uma beleza extrema

De quatro anos de idade

Com quem se deu o problema

E tornou-se a central figura

Das emoções do poema.

 

Edinete era seu nome

Que lembramos com pesares

Filha de Rita Alzira

E Expedito Soares

Casal pobre, mas bem quisto

Por todos os familiares.

 

No município Riacho

dos Cavalos, terra amena

No Sertão paraibano

Aonde os pais da pequena

Moram e ainda hoje

E lamentam a triste cena.

 

Vinte e sete de novembro

Do ano setenta e seis

Pelas três horas da tarde

Ou pouco antes talvez

Os pais de Edinete

A viram viva pela última vez.

 

Pois a criança brincando

No pátio da moradia

Se entretendo com árvores

Ou com animais que a via

E pouco a pouco entrou no mato

Sem saber pra onde ia.

 

Quando a mamãe sentiu falta

Da sua filha querida

Chamou-a diversas vezes

Já bastante comovida

Aí notou que a criança

Já se achava perdida.

 

Alarmou pra vizinhança

E começou a chegar gente

Pra procurar a criança

Todos apressadamente

Anoiteceu e ninguém

Encontrou a inocente.

 

E assim passaram três dias

Procurando sem parar

De 80 a 100 pessoas

Podia se calcular

Todos a sua procura

Mas ninguém pode encontrar.

 

Na manhã do dia trinta

Já todos sem esperança

No lugar Serra dos Bois

Num talhado que se avança

Neste local esquisito

Acharam morta a criança.

 

Morreu de fome e de sede

Em situação singela

Mais ou menos 6 km

Do local pra casa dela

As folhas foram seu leito

E a Lua serviu de vela.

 

Quando espalhou-se a notícia

Que a menina faleceu

Foi muita gente foi ao local

Aonde a morte a venceu

Vão fazer uma igrejinha

No canto que ela morreu.

 

Todos seus irmãos lamentam

Os pais lamentam também

Chorou toda vizinhança

Porque lhe queria bem

E Deus aumentou a conta

Dos muitos anjos que tem

E Deus aumentou a conta

Dos muitos anjos que tem.