
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Vamos falar hoje sobre o jovem poeta Vinícius Gregório.
Papa – Este jovem poeta egipciense agrada poetas veteranos, poetas da sua geração e serve de inspiração para poetas mais novos. O poema abaixo foi escolhido por representar uma intervenção em evento realizado em sua São José do Egito e por sintetizar de forma esplêndida um sentimento poético. Faz parte do livro ‘Hereditariedade”, publicado em 2008 quando o poeta estava com vinte e um anos.
“Tô” feliz, minha terra da poesia
Por trazer os meus versos só pra ti!
Foi aqui nessa terra que nasci,
Que aprendi com teu povo dia-a-dia,
A gostar de repente e cantoria,
Ao sentir o teu sol queimando em feixe.
Quem não quer me escutar, favor, me deixe!
Mas quem queira me ouvir, puxe a cadeira
Que eu não “Tô” e nem vim pra brincadeira
Pois eu vim para vender-te do meu peixe.
E o meu peixe é meu verso, é minha vida…
É meu canto de paz e de esperança.
Ele canta a inocência da criança,
Faz a vida ficar mais bem vivida,
Canta a dor da saudade e da partida,
Fica meigo e verseja uma paixão,
Canta a fé, a tristeza e a solidão,
Canta até um galope a beira mar!
Mas quer ver o meu verso se inspirar?
Então peça que cante o meu Sertão.
E o meu peixe, eu já digo de antemão…
Não peixe graúdo, nem pesado,
Mas é peixe rebelde e abusado,
“Né” qualquer “anzolzim” que o pega não.
O meu peixe é nascido no Sertão,
Tem a cara qualquer de qualquer Zé
Tem o cheiro da manga “inda” no pé.
Ele é duro igual casco de Tatu.
Ele vive no rio Pajeú
E aprendeu a nadar em São José.
E o meu peixe nadou, desceu os rios…
Foi parar lá no mar da capital,
Mas meu verso, por lá, sentiu-se mal…
Deu a volta, enfrentou os desafios…
De subir esses rios tão bravios,
De enfrentar a corrente e cansaço,
E se for pra fazer de novo, eu faço,
Só pra vir pra esse canto tão bonito.
Eu voltei, minha São José do Egito.
“A saudade me trouxe pelo braço”!





