
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Chegou a hora de falarmos sobre o polêmico Gabeira.
Papa – Fernando Paulo Nagle Gabeira nasceu em Juiz de Fora (MG), em 17.02.1941, ativista em defesa do meio ambiente, escritor e jornalista. Diferente do que muita gente atesta não foi guerrilheiro apesar da militância na luta armada conta a ditadura de 1964, como militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8).
Uma das sequelas que a miopia ideológica é enxergarmos apenas as qualidades dos que integram o grupo que fazemos parte. É esta a percepção de muitos brasileiros sobre Fernando Gabeira. Muito jovem era reconhecido com um dos principais jornalistas do Jornal do Brasil, em função do estilo marcante dos seus textos.
Por força da atuação conta a ditadura militar foi preso e exilado. No exílio continuou a carreira de jornalista. Com a anistia voltou ao Brasil e destacou-se pela atividade como escritor e pelas lutas travadas em favor do meio ambiente. Com o faro de grande jornalista que é sempre esteve no cenário onde os fatos aconteciam. Assim aconteceu ao testemunhar a queda do Salvador Allende, no Chile, na cobertura do acidente radioativo com o césio 137 na Rua 57 em Goiânia (GO), na investigação do assassinato de Chico Mendes, na interdição da Usina Nuclear em Angra dos Reis (RJ), e no simbólico abraço na Lagoa Rodrigo de Freitas na cidade do Rio de Janeiro. Até hoje, com 83 anos vai ao local onde produz documentários.
Seus comentários em diversos horário na programação da Globo News faz jus a avaliação da revista Veja: “…o guerrilheiro da lucidez, a materialização das utopias impossíveis”. O que escreveu do primeiro livro “O que é isso companheiro”, em 1979, ao último “Democracia tropical: Caderno de um aprendiz”, em 2017 vemos com clareza sua extrema capacidade como escritor.
Durante quatro mandatos consecutivos – 1995/2011, foi destacado deputado federal, todos como filiado do Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Verde (PV). Perdeu eleições para governador do Rio de Janeiro e Presidente de República.
O que busco aprender com o mineiro adotado pelo Rio de Janeiro: “Lucidez, capacidade de defender suas teses sem agredir os oponentes, pluralidade das ideias, dignidade…”. Tenho certeza que Gabeira um dia terá o merecido reconhecimento, quando isto acontecer o Brasil estará tomando o caminho certo.



