
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Falaremos nesta data sobre Bárbara de Alencar.
Papa – Bárbara Pereira de Alencar, nasceu em 11.02.1860 na Fazenda Caiçara em Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu (PE), comerciante e revolucionária, avó do escritor José de Alencar, é uma MULHER VENCEDORA pelo seu legado. Heroína da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador, primeira mulher presa política do Brasil. Consta nos anais da história que Bárbara escapou com vida de ataque de índios a casa onde residia e que foi por eles incendiada. Na adolescência mudou-se com a família para Crato (CE), onde casou-se com o comerciante português José Gonçalves dos Santos, seus filhos José Martiniano de Alencar e Tristão Gonçalves herdaram sua coragem e são considerados revolucionários.
Sua tenacidade foi fator decisivo para quebrar barreiras intransponíveis para mulheres do seu tempo, ao casar desafiou conceitos da época, enfrentou resistência na família e deu norte ao seu destino. Buscou o empoderamento, comportou-se da forma que entendia ser a adequada e conseguiu o rótulo de “mulher macho”, pelo viés da coragem. Foi uma matriarca à frente do seu tempo, criou os filhos, cuidou do pai doente, administrou fazenda, engenhos e desenvolveu com extrema competência atividades comerciais.
Em 1809 ao ficar viúva Bárbara de Alencar assume de direito encargos que de fato já assumira os quais as convenções sociais da época não aceitavam. Nesta época tem acesso ao pensamento liberal e pela ação em atividades anti monarquia recebe o título de heroína. Em 1817 participa ativamente da Revolução do Crato, movimento umbilicalmente ligado a Revolução Pernambucana de 1817. Esta ação teve alto preço para a revolucionária Bárbara de Alencar e para seus filhos. A crueldade da prisão do regime submisso à coroa portuguesa deixa marcas irremovíveis.
Após a liberdade, por perdão do rei em 1820, a força não era a mesma mas isto não impediu sua luta para reaver bens surrupiados durante o período que esteve presa. Com altivez restabeleceu a posição anterior. Perdas existiram, contudo, o resultado da luta foi vitorioso. Os ideais republicanos não se afastaram de Bárbara de Alencar, a prova é seu apoio para Confederação do Equador. Por iniciativa de deputada federal Ana Arraes integra o “Livro dos Heróis da Pátria”, conforme Lei 13.056, de 22.12.2024. O Centro Administrativo do Estado do Ceará leva seu nome. Sua história merecia ser melhor estudada pelas gerações atuais, desprovidas de lideranças reais.



