
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – O destaque nesta sexta-feira é para o poeta Danizete Siqueira Lima.
Papa – Da sua vasta obra poética extraímos o trabalho “Agradecimento”, escrito em 2023. Nele o poeta da Barra de Solidão expõe de forma clara um sentimento que traduz o seu jeito sertanejo de ser. Segue a linha de grandes poetas ao narrar o pedaço de chão chamado Sertão com competência extrema.
O Sertão é o meu berço
Lugar onde eu pinto e bordo
Por isso quando me acordo
A Deus pai já agradeço
Morar aqui não tem preço
Fujo da poluição,
Zoada de camburão
E acidente em rodovia
AGRADEÇO TODO DIA
PORQUE NASCI NO SERTÃO.
Junto com minha família
Numa morada singela
Sem a “geração Nutella”
Dos ricaços de Brasília
É pouca a minha mobília
Mas nos dá satisfação
Temos água, roupa e pão
Sem precisar correria
AGRADEÇO TODO DIA
PORQUE NASCI NO SERTÃO.
Aqui bebo água da fonte
Melhor do que mineral
Vacas leiteira em curral
As que tenho não há quem conte
Vejo o sol no horizonte
Dissipando a escuridão
Me recolho em oração
Na hora da Ave Maria
AGRADEÇO TODO DIA
PORQUE NASCI NO SERTÃO.
Não invejo o litoral
Nem as mansões luxuosas
Prefiro as tardes chuvosas
Que aguam meu milharal
O meu hobby principal
É festa de apartação
E os festejos de São João
Completam minha alegria
AGRADEÇO TODO DIA
PORQUE NASCI NO SERTÃO
Quem quiser vá pra cidade
Correr atrás de chamego
Mendigar algum emprego
Perto da civilidade
Nunca tive essa vontade
Nem morro de precisão
Pois aqui no meu torrão
O que faltar Deus envia
AGRADEÇO TODO DIA
PORQUE NASCI NO SERTÃO.





