24 – LÍDERES QUE ME INSPIRAM – PAULO FREIRE

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Vamos hoje falar sobre o educador Paulo Freire.

Papa – Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife em 19.09.1921, escritor, educador e filósofo muito contestado pela ala conservadora do nosso país. Costumo dizer que a distância entre o reconhecimento que Paulo Freire tem fora do Brasil, com o que tem em nosso país, só é menor do que a miopia dos que o satanizam por motivos quase que exclusivamente ligados a ideologia. Poucos sabem o que representa a obra do escritor pernambucano, simplesmente são contra.

É um dos brasileiros que mais recebeu títulos de “Doutor Honoris Causa” pelo mundo. O mundo interior percebe valores em sua obra que o Brasil faz questão de ignorar, os motivos são diversos, nosso intuito não é sequer identificar alguns deles. De forma resumida podemos afirmar que as teses de Paulo Freire, contestando a cruel “educação bancária” onde o aluno passivamente se transforma em um depósito onde o professor vai colocando o que chama de conhecimento. A proposta do nobre educador pernambucano é uma educação baseada no diálogo, com participação ativa do aluno. Isto incomoda muito os que querem a dependência.

Durante o Governo João Goulart, Paulo Freire experimentou suas teses em Angico, Rio Grande do Norte. os alunos do projeto passaram a exigir direitos até então enganados pelos patrões da região. O General que assumiu o comando do país após golpe de estado implantado em 1964 viu neste momento motivos suficientes para interromper o processo e prender seus líderes. Paulo Freire foi preso e em seguida exilado. Fora do Brasil suas teses foram largamente estudadas e aplicadas. De volta ao Brasil, Freire foi nomeado secretário de Educação do Município de São Paulo, pela prefeita Luiza Erundina e entre 1989 e 1991 deu sua contribuição para o governo da ilustre paraibana. Desde a interrupção do projeto em Angico até seu falecimento em 02.05.1997 Paulo Freire escreveu mais de trinta livros, destaque para “Educação como prática da liberdade”, de 1967 e “Pedagogia do oprimido”, de 1968.

O que busco aprender com o educador recifense: “Capacidade de perceber o aluno com agente ativo do processo de aprendizado, luta incansável em favor dos oprimidos, insistência em teses que promovem a inclusão social e a liberdade, coragem para enfrentar seus detratores com as armas do saber, sem violência…”. Entender como país com os problemas na educação como o nosso abdica das teses de Freire é missão impossível.