
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Destacaremos nesta data o poeta Oliveira de Panelas.
Papa – Oliveira Francisco de Melo, que assumiu o nome Oliveira de Panelas em homenagem a cidade onde nasceu, é uma das grandes referências do mundo da cantoria de viola. Intérprete genial, dotado de alta sensibilidade, defensor da tese que a cantoria poderia ter mais cooperação do que competição, músico, etc. Do seu livro “Oliveira Panelas”, de 2001 retiro os trabalhos “O cantador” e “Ghandi”, sua obra é do tamanho do mundo.
Repentista, poeta, cantador,
Teu cantar livremente se levanta
É teu grito holocausto da garganta
Como quem quer matar a própria dor,
Há um toque de sonho e de amor
E um namoro da musa passageira,
Teu cantar rasga o peito a vida inteira,
No tangente de lira nordestina
Tua voz uma eterna clandestina
Musicando a grandeza brasileira.
Indomável titã do improviso
Quando cantas levita tua mente,
Na cadência veloz do teu repente
Solta fogo invisível, teu juízo,
Quando buscas cantando um paraíso
São fugazes demais as alegrias,
Tua verve vestida de poesias
Faz de ti condutor de emoções,
Pescador de fantásticas ilusões
E caçador das mais belas fantasias.
Lá na Índia distante nasceu Gandhi
Homem gênio, um apóstolo, um deus herói,
Um amante das obras de Tolstói
Co provou seu valor de alma grande,
Do seu lar fez viagem para Dandi.
Adorava a passiva resistência,
Foi convicto, contrário à violência,
Fez seu povo vencer sem fazer guerra
Boicotou o governo da Inglaterra
Pondo a Índia em total independência.
Defensor de plebeus e camponeses
Superou violência com a calma
Toda Índia chamou-o de grande alma
Libertando seu mundo dos ingleses.
Condenado à prisão por várias vezes
Por ser sempre a favor do infeliz
Foi à África e cortou pela raiz
Todo mal que seu povo padecia
Fez justiça à sofrida maioria
E tombou morto salvando seu país.
O decálogo de Gandhi é verdade
Nos ensina vencer sem violência
São os homens iguais por excelência
Nas crianças não há desigualdade
É virtude manter a castidade
Sê frugal, jejuando faz o bem
Ajudar o seu próximo que não tem
O supérfluo se faz desnecessário
Do suor sê honesto em seu salário
Não ter medo de nada e de ninguém.





