24 – SEXTOU POÉTICO – Cantador e Ghandi – Oliveira de Panelas

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el –  Destacaremos nesta data o poeta Oliveira de Panelas.

Papa – Oliveira Francisco de Melo, que assumiu o nome Oliveira de Panelas em homenagem a cidade onde nasceu, é uma das grandes referências do mundo da cantoria de viola. Intérprete genial, dotado de alta sensibilidade, defensor da tese que a cantoria poderia ter mais cooperação do que competição, músico, etc. Do seu livro “Oliveira Panelas”, de 2001 retiro os trabalhos “O cantador” e “Ghandi”, sua obra é do tamanho do mundo.

 

Repentista, poeta, cantador,

Teu cantar livremente se levanta

É teu grito holocausto da garganta

Como quem quer matar a própria dor,

Há um toque de sonho e de amor

E um namoro da musa passageira,

Teu cantar rasga o peito a vida inteira,

No tangente de lira nordestina

Tua voz uma eterna clandestina

Musicando a grandeza brasileira.

 

Indomável titã do improviso

Quando cantas levita tua mente,

Na cadência veloz do teu repente

Solta fogo invisível, teu juízo,

Quando buscas cantando um paraíso

São fugazes demais as alegrias,

Tua verve vestida de poesias

Faz de ti condutor de emoções,

Pescador de fantásticas ilusões

E caçador das mais belas fantasias.

 

Lá na Índia distante nasceu Gandhi

Homem gênio, um apóstolo, um deus herói,

Um amante das obras de Tolstói

Co provou seu valor de alma grande,

Do seu lar fez viagem para Dandi.

Adorava a passiva resistência,

Foi convicto, contrário à violência,

Fez seu povo vencer sem fazer guerra

Boicotou o governo da Inglaterra

Pondo a Índia em total independência.

 

Defensor de plebeus e camponeses

Superou violência com a calma

Toda Índia chamou-o de grande alma

Libertando seu mundo dos ingleses.

Condenado à prisão por várias vezes

Por ser sempre a favor do infeliz

Foi à África e cortou pela raiz

Todo mal que seu povo padecia

Fez justiça à sofrida maioria

E tombou morto salvando seu país.

 

O decálogo de Gandhi é verdade

Nos ensina vencer sem violência

São os homens iguais por excelência

Nas crianças não há desigualdade

É virtude manter a castidade

Sê frugal, jejuando faz o bem

Ajudar o seu próximo que não tem

O supérfluo se faz desnecessário

Do suor sê honesto em seu salário

Não ter medo de nada e de ninguém.