27 – LÍDERES QUE ME INSPIRAM – JORGE AMADO

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Sobre o escritor Jorge Amado falemos nesta data.

Papa – Jorge Amado de Faria nasceu em 10.08.1912 numa fazenda no distrito de Ferradas, Itabuna (BA). Passou a primeira infância em Ilhéus e mudou-se para Salvador para continuar os estudos.

Na década de 1930 ao chegar no Rio de Janeiro ingressou na Faculdade de Direito tendo pouco interesse pelo diploma. Foi membro de Juventude Comunista e da Aliança Libertadora Nacional, por estes motivos entrou na mira do regime o foi preso em 1936. Detido novamente no ano seguinte, após a publicação de “Capitães de Areia”, este livro assim como “Cacau” publicado em 1933, foi alvo de apreensão pelo governo ditatorial.

No início da década de 1940, em seu refúgio na Argentina começou a escrever “O Cavalheiro da Esperança”, obra que relata parte da vida de Luiz Carlos Prestes. Retornou ao Brasil e em 1945 foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista. Após ter o mandato cassado em 1948 mudou-se para Europa, residiu na França e na Tchecoslováquia, em Praga escreveu “O Mundo da Paz”. Pelo conjunto da sua obra foi agraciado com o Prêmio Internacional Stalin, em Moscou. É um dos escritores mais premiados da nossa literatura e com obras traduzidas em diversos idiomas.

Sua extraordinária obra contempla esse universo e seus ideais libertários deram asas para o escritor que narrou a injustiça social e nossa tendência para o conservadorismo. Muitos criticam suas criações por puritanismo e idealismo. Nunca tiveram coragem de buscar nas entrelinhas dos seus romances o que de fato estava ali escrito. Cada uma transcreve o realismo rural e urbano sem retoques, do jeito que eles são, isto incomoda.

Considero os seus livros “Seara Vermelha”, “Capitães de Areia”, ”Os Subterrâneos da Liberdade” e “Tocaia Grande” verdadeiros tratados de sociologia e política. Um dos seus livros mais famosos “Gabriela Cravo e Canela” ganhou as telas da televisão e do cinema. Mesmo destino de outros, aqui destaco, “Tieta do Agreste”, “Dona Flor e seus Dois Maridos”, “Tereza Batista Cansada de Guerra”…

O que busco aprender com o grande escritor baiano: “Liberdade, idealismo, capacidade de descrever seu povo e os costumes regionais em medo dos críticos, amor pela sua terra e seus valores…”. Muitos torceram o nariz ao vê-lo na Academia Brasileira de Letras. É mais um dos injustiçados do “Pais do Carnaval”.