32 – MULHERES VENCEDORAS – BEATA MARIA DE ARAÚJO

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje dedicaremos nosso diálogo sobre a Beata Maria de Araújo.

Papa – Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo – Beata Maria de Araújo nasceu em Juazeiro do Norte (CE), em 24.05.1863, conforme indicada placa existente na Capela do Socorro da sua cidade natal. Outros registros apontam divergência quanto ao ano. Foi religiosa cearense declarada como beata pela devoção popular. Protagonista do “Milagre da Hóstia” ocorrido em 1889.

De origem humilde, residiu com a família no sítio Tabuleiro Grande, após a morte dos pais teve vida muito sofrida, para sobreviver trabalhou em olaria fazendo tijolos, fiou algodão, e foi artesã e doceira. Ao ser acolhida pelo Padre Cícero Romão passou a ensinar meninas a produzirem bonecas de pano e outros artigos de artesanato. Dedicou-se com extremo zelo e afinco às atividades da igreja.

A beata cresceu quando se submeteu candidamente ao que determinou a igreja após os fatos relacionados com o milagre. Do livro “Mulheres que tocam o coração de Deus”, de Maria Cecília Domezi retiro o texto a seguir transcrito, por reconhecer sua coerência com os fatos: “…Depois de passar a noite em oração, ao receber das mãos de Padre Cícero a comunhão, na capela Nossa Senhora das Dores, sua boca ficou cheia de sangue. Este fato repetiu-se muitas vezes durante dois anos. Também, misteriosamente, chagas apareceram no corpo da beata e ela chegava a suar sangue”.

Referido livro ao destacar as investigações efetuadas pela igreja na época, registra: “A beata foi obrigada a viver escondida. Foi maltratada, acusada de embusteira, constrangida e silenciada”. Discorre a autora sobre outras restrições impostas pela igreja que a beata tanto amava, inclusive após seu falecimento, conclui: “Maria de Araújo é uma mulher humilde que, por ser negra, pobre e analfabeta, foi praticamente proibida de ser santa da igreja. Porém, em suas respostas aos inquéritos mostrou uma fé inabalável e firmeza heroica como mensageira de Jesus Cristo”. Este nobre e digno comportamento inclui, por merecimento, a Beata Maria de Araújo no rol das MULHERES VENCEDORAS.

Os exageros cometidos pela Igreja na época merecem ser vistos com isenção e os atos injustamente praticados cabem reparos, as sequelas advindas das decisões equivocadas não mudaram, na percepção popular, a importância da Beata Maria de Araújo na bonita história religiosa de Juazeiro do Norte.