
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Será destaque hoje o poeta Diniz Vitorino, do Cariri paraibano.
Papa – Diniz Vitorino Ferreira nasceu em 1940 na poética cidade de Monteiro (PB), filho do também cantador Joaquim Vitorino deixou magnífica obra como repentista e como poeta de bancada nos presenteou com poemas antológicos. Nesta sexta-feira que antecede a Semana da Pátria, época que festejamos uma independência fajuta, e num momento de campanha eleitoral, os sonetos escolhidos dizem muito e nos encaminham para reflexões profundas sobre as injustiças sociais e sobre nosso falido sistema político. “O Quadro Falso”, retirado do livro “Nós, Cantadores Poetas” e “Os Mascarados”, extraído de “Lírios do Canto” merecem leitura cuidadosa.
Esta é a zona da mata, o verde cana
Deixa a terra esmaltada de esperança,
Mas é falsa a pintura e nos engana,
Qual velho com máscara de criança.
Este tom de esmeralda que a engalana
Não é digno da mínima confiança.
O amor é de têmpora desumana,
A miséria usa o manto da bonança.
Estas cruzes, cinzentas e maciças,
São símbolos reais das injustiças
Contra aqueles que exaustos se revoltam.
Exigindo direitos sonegados…
Sem direito nenhum são fuzilados
Vão as férias forçadas, mas não voltam.
Novamente os palanques dos malditos
Estão erguidos com faixas coloridas.
E os dragões disfarçados de cabritos
Já estão soltos em plenas avenidas.
Com acenos de mãos, gestos bonitos,
Formam frases mil vezes repetidas,
Revivendo em discursos mal escritos,
Velhas mortas promessas esquecidas.
Com os punhos cerrados fazem gestos
Juram firmes que são bons e honestos
Salvadores da pátria e dos patrícios.
Quando todos não passam de tiranos
Leopardos sangrentos, desumanos,
Comandantes dos nossos sacrifícios.



