37 – MULHERES VENCEDORAS – CHICA DA SILVA

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – O destaque hoje será Chica da Silva.

Papa – Francisca da Silva de Oliveira – Chica da Silva, escrava, mítica, filantropa nasceu no ano de 1732 em Serro. Viveu no Arraial do Tijuco, posteriormente Diamantina, estado de Minas Gerais, filha da escrava Maria da Costa, oriunda da África Ocidental e do português e capitão de ordenança Antônio Caetano de Sá.

De acordo com versões de Schuma Schumaher e de Érico Vital Brasil Chica da Silva teve um filho chamado Simão do seu primeiro proprietário o médico português Manuel Pires Sardinha. Mesmo com impedimento legal para assumir a paternidade Sardinha concedeu alforria ao menino e nomeou-o herdeiro. Ao completar vinte e dois anos Chica da Silva foi tomada propriedade de João Fernandes de Oliveira, desembargador que chegou ao Arraial do Tijuco no ano anterior para cuidar de negócios relacionados com o garimpo de diamantes em função de contrato celebrado pelo seu pai com a Coroa portuguesa. Com o relacionamento entre os dois o desembargador concedeu-lhe a alforria, tornando-se uma cidadã livre.

Desta relação, em formato de concubinato, o casal teve treze filhos: nove mulheres e quatro homens. A MULHER VENCEDORA Chica da Silva, enfrentando todo tipo de preconceito em relação a sua conduta, manteve a dignidade necessária para ser a grande mulher que foi. Muitos apontamentos destacam que Chica da Silva soube angariar recursos suficientes para construir um patrimônio que legitimou sua capacidade administrativa, fazendo-se ser respeitada. Com habilidade e valores morais aderentes com os costumes da época Chica da Silva defendeu a sua inserção social e a de seus filhos na elite do arraial, sem recorrer ao poder de João Fernandes de Oliveira.

Por força da reconhecida intolerância da nossa sociedade em relação as conquistas de afrodescendentes, espacialmente mulheres, que insiste em desqualificar seus méritos e busca dar destaque para condutas inadequadas – segundo padrões criados por essa preconceituosa elite -, nossa história não dar para Chica da Silva o seu real valor. Para destacar a importância da arte e da cultura na valorização das pessoas, transcrevemos o recorte abaixo, extraído do samba enredo em sua homenagem da Escola de Samba “Acadêmicos de Salgueiro”, ano de 1963: “…E a mulata que era escrava/Sentiu forte transformação/Trocando o gemido da senzala/Pela fidalguia do salão – Com a influência e o poder do seu amor/Que superou a barreira da cor…”. Viva a liberdade, viva Chica da Silva e sua luta em favor da sua gente.