
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Hoje nosso poeta em foco é Gregório Filó.
Papa – Gregório Filomeno de Menezes ou simplesmente Gregório Filó é um poeta de mente e mãos cheias de poesias com essência que esticam o elástico de cultura raiz, além disto é um ser humano que tem lado jamais será visto em cima do muro. Nele a autenticidade é mostrada de forma plena, sem maquiagem. Do seu fantástico livro “Versos em Motes Diversos”, retiramos o trabalho abaixo que define o poeta com letras garrafais.
Alagoas, meu estado
Ouro Branco, minha serra
Não nasci naquela terra
Mas foi lá que fui gerado
Ao Pajeú fui levado
Antes do parto se dar
É meu primitivo lar
Por que nele ao mundo vim
FUI FEITO PRA SER ASSIM
NÃO VALE A PENA MUDAR.
Em solo pernambucano
Nasci egipsiense
Da bisavó cearense
Trouxe o estilo cigano.
Do avô paraibano
Puxei o jeito de andar.
Mas o dom pra contestar
Não sei quem legou a mim
FUI FEITO PRA SER ASSIM
NÃO VALE A PENA MUDAR.
Como filho do Sertão
Sem fortuna me criei
Porém dos meus pais herdei
Honradez e gratidão
A boa orientação
Deu-me costume exemplar
E eu não sou de desviar
Desta rota até o fim
FUI FEITO PRA SER ASSIM
NÃO VALE A PENA MUDAR.
Por força de opinião
Não digo que o belo é feio
Que alguém não faça rodeio
Pra me chamar de turrão
Quando eu me pego a razão
Não sou de titubear
Não digo que brejo é mar
Nem que deserto é jardim
FUI FEITO PRA SER ASSIM
NÃO VALE A PENA MUDAR.
Pode até caber censura
Ao meu estilo de vida
Mas não há língua comprida
Que mude minha postura
Sou como madeira dura
Que faz serrote envergar
Que além de não empenar
Não racha nem dá cupim
FUI FEITO PRA SER ASSIM
NÃO VALE A PENA MUDAR.
No interior criado
Junto a mais de dez irmãos
Mantidos por quatro mãos
De um casal pouco abastado
Muito cedo, no roçado
Fu levado a trabalhar
E hoje a quem perguntar
Se fui feliz, digo sim
FUI FEITO PRA SER ASSIM
NÃO VALE A PENA MUDAR.



