
Por Roberta Soares/JC
A segurança viária da Região Metropolitana do Recife segue extremamente impactada pela imprudência, inabilidade, ausência de regras e fiscalização do uso de motocicletas, principalmente, para o transporte remunerado de passageiros, como Uber e 99 Moto.
Dados recentes do SAMU Metropolitano Recife confirmam essa realidade e fazem uma conexão direta entre o início do serviço de transporte remunerado de passageiros, em 2022, e a explosão dos registros de sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) com ocupantes de motocicletas.
Entre 2022 e 2025, os atendimentos a vítimas das motocicletas aumentaram quase 60% no Grande Recife, com uma média de 80% a 90% sendo registrados no Recife, que lidera todas as estatísticas de quedas e colisões com condutores e passageiros das motos. E esse crescimento é escalonado ano após ano, entre 2022 e 2025, também verificado no primeiro trimestre de 2026.
Os números do SAMU Metropolitano Recife não deixam dúvidas de que o serviço de motoapps é o principal vetor dessa escalada fatal. Desde o final de 2021 e início de 2022, quando esses serviços começaram a se expandir agressivamente no Nordeste, o perfil dos sinistros mudou, incluindo frequentemente o passageiro, que passou a ser exposto ao lado do condutor na mesma motocicleta.
No ano de 2022, o SAMU registrou um total de 9.553 atendimentos por sinistros de trânsito na RMR, dos quais 7.122 foram exclusivamente com ocupantes de motocicletas. Isso significa que as motos já representavam 74,55% de toda a demanda por sinistros de trânsito logo no primeiro ano de expansão desses serviços.
No ano seguinte, em 2023, o cenário se agravou com uma escalada crescente inegável nos números. O total de atendimentos de trânsito subiu para 12.271, sendo que os sinistros com motos saltaram para 9.586 ocorrências. O impacto das motos na fatia total de registros subiu para 78,11%, demonstrando que o serviço de saúde móvel começava a ser sufocado por uma demanda cada vez mais específica e volumosa.
O ano de 2024 consolidou a motocicleta como o maior desafio da segurança viária na RMR, com números gritantes. Enquanto o total geral de sinistros de trânsito se manteve estável em relação ao ano anterior (12.270), os atendimentos envolvendo especificamente motos dispararam para 10.641.
Nesse período, as motocicletas atingiram a marca alarmante de 86,72% de todos os envios de ambulância por sinistros, evidenciando a predominância absoluta desse modal na geração de traumas.



















