40 – MULHERES VENCEDORAS – BETH MENDES

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje falaremos sobre a atriz e a política Beth Mendes.

Papa – Elizabeth Mendes de Oliveira – Beth Mendes, atriz e política nasceu no dia 11.05.1949 em Santos (SP), filha de militar da aeronáutica iniciou a carreira de atriz na extinta TV Tupi, mas na TV Globo alcançou o auge da carreira ao desempenhar papéis de destaque em mais de quarenta novelas e minisséries. De “Águias de Fogo” em 1967 (Tupi), “Caso Especial” e a novela “O Rebu”, de 1974 (Globo), até “Garota do Momento”, em 2024 na Globo foram interpretados personagens fortes na televisão.

Essa MULHER VENCEDORA, que nos emocionou também no teatro e em filmes diversos teve participação ativa na política. Em 1970 foi presa sob acusação de integrar o grupo de esquerda Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (Var-­Palmares), desenvolvia esta atividade clandestina simultaneamente com atividade escolar, cursava Sociologia na Universidade de São Paulo (USP). Foi torturada e após ser libertada abandonou o curso, posteriormente graduou-se em Artes Cênicas na USP.

A política Beth Mendes ganhou dimensão superior durante a “Campanha das Diretas Já” que nas ruas foi buscar apoio para aprovação da “Emenda Dante de Oliveira” que defendia a eleição direta para presidente. Com a derrota da emenda e a eleição de Tancredo Neves no “Colégio Eleitoral”. A deputada Beth Mendes, para muitos taxada como uma das musas do movimento, manteve sua coerência com a luta em favor da derrubada do regime e votou no candidato da oposição contrariando orientação do Partido dos Trabalhadores (PT), esta atitude custou-lhe o afastamento da agremiação política.

Para legislatura de 1987/1991 foi reeleita deputada federal, desta vez pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Por ter assumido o cargo de secretária Estadual de Cultura de São Paulo, no período de 15.03.1987 até 21.12.1988 a combativa deputada não teve atuação regular durante a elaboração da constituição de 1988. Tenho clareza que a cultura paulista ganhou uma defensora, mas, o Brasil perdeu um voz ativa no processo da Carta Magna. Na condição de parlamentar, cidadã ou agente pública no executivo foi sempre uma incansável defensora do movimentos sociais, dos direitos humanos e/outras batalhas em favor dos excluídos. Exerceu papel de liderança no meio artístico ao defender melhorias nas relações trabalhistas  para seus pares. Beth Mendes é uma mulher que merece aplausos por suportar o terror da ditadura, do radicalismo partidário e seguir firme em defesa da justiça social.