42 – SEXTOU POÉTICO – Poeminha do Contra – Mário Quintana

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el –  Nesta data nos visita o gaúcho Mário Quintana.

Papa – Mario de Miranda Quintana (Mário Quintana), nasceu em Alegrete (RS), em 30 de julho de 1906 e partiu para outra dimensão em 05 de maio de 1994 na cidade de Porto Alegre (RS). Poeta, tradutor e jornalista visto por muitos como uma das referências do modernismo do Brasil em sua segunda fase. Sua obra tem duas grandes características a linguagem simples e a abordagem de cenas e temas do cotidiano. Sua produção poética tem a leveza dos ventos brandos com mensagens contundentes como tempestades. Transcrevemos o seu famoso “O Poeminha do Contra”, “Deixa-me seguir para o Mar” e “O Espelho’.

 

“Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!”

 

Tenta esquecer-me… Ser lembrado é como

evocar-se um fantasma… Deixa-me ser

o que sou, o que sempre fui, um rio que vai fluindo…

Em vão, em minhas margens cantarão as horas,

me recamarei de estrelas como um manto real,

me bordarei de nuvens e de asas,

às vezes virão em mim as crianças banhar-se…

Um espelho não guarda as coisas refletidas!

E o meu destino é seguir… é seguir para o Mar, as imagens perdendo no caminho…

Deixa-me fluir, passar, cantar…

toda a tristeza dos rios é não poderem parar!

 

Por acaso, surpreendo-me no espelho:

Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (…)

Parece meu velho pai – que já morreu! (…)

Nosso olhar duro interroga:

“O que fizeste de mim?” Eu pai? Tu é que me invadiste.

Lentamente, ruga a ruga… Que importa!

Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre

E os teus planos enfim lá se foram por terra,

Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil guerra!

Vi sorrir nesses cansados olhos um orgulho triste…”.