44 – MULHERES VENCEDORAS – MARIA FIRMINA DOS REIS

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Hoje falaremos sobre Maria Firmina dos Reis.

Papa – Maria Firmina dos Reis, professora, escritora, compositora e folclorista nasceu em São Luís (MA) em 11.10.1825, filha e neta de escravas alforriadas poderia entrado na história como mais uma vítima da época escravocrata, mas essa MULHER VENCEDORA seguiu outra trajetória.

Para ocupar o lugar de destaque merecido por força da sua luta e talento, contou inicialmente com apoio de um tio que era professor e detentor de trânsito entre os intelectuais da época. Por méritos próprios aos vinte e dois anos foi aprovada em concurso para Cadeira de Instrução Primária. Com o cargo de professora dedicou-se para escrever, ler, pesquisar e ensinar com zelo. Escrevendo poemas, crônicas e outros gêneros se fez presente em vários jornais maranhenses. Na condição de folclorista trabalhou incansavelmente em favor da preservação da cultura local e carrega no currículo a composição de hino dedicado à causa da abolição.

Após a aposentadoria fundou a primeira escola mista e gratuita do seu estado, esta ação legitima seu compromisso com a democratização da educação, sonho este negado pelo Brasil até os dias de hoje. Participou ativamente de movimentos abolicionistas, destaque para atuação em várias manifestações coletivas que contribuíram para edição de normas legais como a Lei Eusébio de Queiroz, de 1850, a Lei do Ventre Livre, 1871 e Lei Áurea, 1888.

Tem a escritora Maria Firmina como principais obras o romance abolicionista “Úrsula”, 1859, “Gupeva”, 1861. Esta novela indianista é tido pela crítica como obra comparável com títulos ligados ao tema, escritos por José de Alencar, e “ A Escrava”, 1887. Seu estilo permite classificar sua obra literária como literatura crítica, com traços do “Romantismo”. Entre as marcas visíveis em seus livros podemos encontrar: O caráter abolicionista; A exaltação da natureza e do indianismo; A lírica melancólica e escapista; o contraste entre a beleza da pátria e o cárcere da escravidão; a crítica nacional por meio das desilusões; a representação do negro escravizado humanizado; a temática étnico-racial e feminista.

Trata-se de outro caso que o preconceito e os interesses das “elites” não destaca, segue vivo em função das verdades que expõe, verdades estas que incomodam muito as classes dominantes de um país que banaliza quase tudo.