
Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)
Ade Maleu Lapa-el – Nosso olhar hoje é direcionado para Mãe Menininha do Gantois.
Papa – Maria Escolástica da Conceição Nazaré – Mãe Menininha do Gantois, mãe de santo e ativista contra preconceito de cunho religioso nasceu no centro histórico de Salvador (BA), no dia 10.02.1894, para torna-se a mais famosa “ialorixá” da Bahia e uma das mais admiradas mães de santo do Brasil. Descendente de africanos escravizados aos vinte e oito anos foi empossada como mãe de santo do terreiro “Ilê Iá Omi Axé Iamassé”, fundado por sua bisavó, Maria Júlia da Conceição Nazaré, quarenta e cinco anos antes do seu nascimento.
Nos anos 1930 as celebrações livres de “Candomblé ou Umbanda” estavam proibidas por força de uma legislação preconceituosa que condicionava a realização destes rituais a anuência prévia de autoridade policial. Nesta época Mãe Menininha do Gantois iniciou uma cruzada em favor do término das restrições sempre utilizado a frase “Isso é uma tradição ancestral, doutor”, perante o Chefe da Delegacia de Jogos e Costumes, pela sua luta é destacada como uma das principais vozes para tornar as manifestações conhecidas por políticos e intelectuais da época e com isto reduzir o preconceito.
Pela sua liderança e sabedoria essa MULHER VENCEDORA fez com que a religião afro-brasileira ganhasse visibilidade e respeito. Destacam-se entre os seus admiradores Jorge Amado, Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, etc. Por ter presença assídua nas missas e pela sua habilidade convenceu autoridades da igreja católica a permitir o ingresso de mulheres trajando roupas tradicionais do candomblé em cerimônias religiosas.
Nas frases a seguir transcritas e a ela atribuídas podemos verificar sua capacidade de promover a integração entre religiões distintas, isto é o ecumenismo: “Acima de Deus, nada. Abaixo de Deus, as águas” – “Deus é um só e todos podem se unir através dele”. Destas duas ponderações podemos extrair vários ensinamentos. O principal a união fraterna entre as pessoas cada uma respeitando as opções religiosas das outras.
Dentre as inúmeras homenagens que merecidamente recebeu destaco a que lhe foi prestada pela Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel, no desfile de 1976, com o enredo “Mãe Menininha do Gantois”, de Arlindo Rodrigues, defendido por Elza Soares e Ney Vianna. Seu refrão diz: “Oh, minha mãe Menininha/Vem ver, como toda cidade/Canta em seu louvor com a Mocidade”. Foi uma voz firme em favor da liberdade de prática livre das religiões afro-brasileiras, merece respeito, muito respeito.



