Margarete Coelho é o nome mais cotado para substituir Rita Serrano na presidência da Caixa

A ex-deputada Margarete Coelho (PP - PI)  — Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Valor

A saída da presidente da Caixa Econômica Federal, Rita Serrano, para acomodar o centrão está precificada pelos funcionários do banco público. A tendência é de que a indicação de Margarete Coelho (PP-PI) seja acatada pelo presidente Luiz Inácio Lula na Silva e anunciada nos próximos dias.

Internamente, a preocupação crescente é com a possível reestruturação que deverá acontecer nas vice-presidências para contemplar os interesses do PP, União Brasil e Republicanos. Outro ponto de atenção, mas esse dos aliados mais de esquerda do governo, é que “a nova gestão atrapalhe a apuração dos esquemas de compra de votos por Bolsonaro, com microcrédito e consignado do Auxílio Brasil”.

A demora no anúncio tem contribuído na intensificação das críticas com relação à qualificação de Margarete para o cargo. A ex-deputada federal não tem experiência em instituição financeira, um dos requisitos exigidos para a função. Margarete é advogada e acumula no currículo cargo de ex-vice-governadora do Piauí. Atualmente, exerce um cargo na Diretoria de Administração e Finanças do Sebrae. Há dúvidas também se ela se enquadraria nas leis das estatais.

Para tentar contornar a situação, o PP até gostaria de emplacar os nomes de Gilberto Occhi ou Nelson Antônio de Souza, ex-presidentes do banco. Porém, o fator gênero é o que prepondera no momento. “De fato o nome é ela [Margarete], mas só porque eles [PP] não tem outra mulher para indicar”, frisou.

Enquanto o anúncio oficial não é feito, a Caixa está em compasso de espera. Os funcionários tiraram o “pé do acelerador” por temer o impacto da mudança de gestão na execução de novos projetos. “Muito ruim pra gestão esse clima de indefinição”, frisou um técnico do banco.