Apesar de negociação com Republicanos, governo Lula quer evitar privatização do Porto de Santos

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Apesar de ter uma negociação avançada para que o Republicanos assuma o controle do Ministério de Portos e Aeroportos, integrantes do Palácio do Planalto admitem preocupação, nos bastidores, com a possibilidade de que isso facilite o caminho para a privatização do Porto de Santos.

O motivo é que, no atual desenho de uma iminente reforma ministerial, a pasta deve ficar com o deputado federal Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), cujo partido é o mesmo do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A ideia de privatizar o Porto de Santos é uma das principais promessas de campanha de Tarcísio, mas vem esbarrando, principalmente, na postura do atual ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França (PSB), contrário à medida e rival político do governador de São Paulo.

Com a possível substituição dele por Silvio Costa Filho, entretanto, o caminho ficaria livre para o governador de São Paulo voltar a articular a entrega do Porto à iniciativa privada, já que o possível novo ministro e Tarcísio são do mesmo partido.

Diante do risco, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitem que uma possibilidade é tentar costurar um acordo, antes da nomeação de Silvio Costa Filho, para que ele faça um compromisso de não levar a privatização à frente. O problema é que o deputado deverá se reportar também ao atual presidente do Republicanos, Marcos Pereira, que trabalha para projetar Tarcísio de Freitas como uma liderança nacional da sigla.

Ocupar o Ministério de Portos e Aeroportos é estratégico para o Republicanos. Além da grande capacidade de receber emendas parlamentares, a nomeação de Silvio Costa Filho vai retirar Márcio França do caminho. O atual ministro tem sua base política em Santos, justamente onde fica o maior porto brasileiro. Na prática, a perda do ministério pode representar uma grande derrota para ele e o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Uma outra alternativa seria encaixar Silvio Costa Filho em outro cargo na Esplanada. Neste sentido, o futuro Ministério de Micro e Pequenas Empresas, que Lula confirmou nesta terça-feira que criará, chegou a ser oferecido ao Republicanos, mas foi recusado. O Ministério dos Esportes, hoje comandado pela ex-jogadora de vôlei Ana Moser, também está na mesa de negociação, assim como o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Mas a preferência do Republicanos é mesmo por Portos e Aeroportos.

Desenvolvimento Social

Por outro lado, o governo também negocia com o PP a entrada do deputado André Fufuca (PP-MA) em um ministério. A possibilidade mais forte até o momento é uma divisão do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), de modo que o atual titular da pasta, Wellington Dias (PT), permaneça à frente de programas como o Bolsa Família. Já o partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), levaria uma nova pasta responsável por ações de assistência social.

Entretanto, segundo interlocutores do Planalto, o partido insiste em ocupar o MDS em sua totalidade, sem divisão. Essas fontes afirmam que a proposta ainda está sendo analisada, embora as versões a respeito do tema sejam contraditórias dentro do próprio Palácio. Um ministro de Lula disse acreditar que essa alternativa dificilmente se concretizará. Outra fonte, do segundo escalão, afirma que a entrega do MDS inteiro ao PP é a possibilidade mais forte “no retrato do momento”.

Em seu programa semanal, veiculado na manhã desta terça-feira, Lula admitiu a possibilidade de criar mais uma pasta, o Ministério da Pequena Empresa, que, segundo ele, se dedicaria também a pautas ligadas ao cooperativismo e empreendedores individuais.