
Folha de S.Paulo
A apresentação da Acadêmicos de Niterói no primeiro dia de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, no domingo (15), fez a Globo adotar um protocolo com orientações para jornalistas e técnicos que vão atuar na transmissão. A ideia é evitar manifestações a favor do presidente Lula (PT), homenageado no enredo, que possam acarretar problemas jurídicos.
A Globo confirmou que irá transmitir, na íntegra e sem cortes, todos os desfiles de escolas de samba de São Paulo e Rio, além das apurações paulista e carioca na terça (17) e quarta-feira (18), respectivamente.
A coluna apurou que são três orientações básicas dada aos profissionais. A primeira é que, caso haja indícios de propaganda política, o coordenador de transmissão mude a câmera para um plano geral das alas da escola passando pela Marquês de Sapucaí.
O segundo ponto diz respeito à sobriedade dos repórteres que vão participar da transmissão, tanto ao falar do enredo quanto ao entrevistar pessoas. A ordem é focar alegorias e adereços, e evitar falar com populares que queiram exprimir alguma posição política, por exemplo.
A terceira e última diretriz foi dada diretamente aos apresentadores Alex Escobar, Mariana Gross, Milton Cunha e Karine Alves. A empresa pediu que eles estudassem a fundo a vida de Lula, mas evitassem comentários que soassem como empolgação ao falar sobre a história do presidente.
Até a equipe de redes sociais da Globo foi orientada a tratar o desfile da escola de forma mais sóbria. Resumos também ficarão disponíveis nas plataformas digitais da emissora e no Globoplay, sua plataforma de streaming.
Internamente, o desfile é tratado com um misto de sensações. Existe a expectativa de que, pelo seu horário de exibição, na faixa das 22h, a audiência seja a mais alta de uma apresentação de escola de samba nos últimos anos.
No entanto, existe o temor de que haja problemas jurídicos por causa de possíveis acusações de propaganda eleitoral antecipada feitas por partidos adversários ao PT. Nesta quinta-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou um pedido do Partido Novo para que o desfile não ocorresse. A Justiça Eleitoral considerou que isso seria censura prévia.



