08 – SEXTOU POÉTICO – DE COMER – CAIO MENEZES

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade Maleu Lapa-el – Na tela hoje o jovem poeta Caio Menezes, com o poema “DE COMER”.

Papa – Caio Menezes, da dinastia Filó, com extrema sensibilidade valoriza o todo em relação aos alimentos advindo da produção agrícola. “DE COMER” é um poema antológico, uma aula de sociologia, justiça social e cultura raiz.

 

Quem já foi numa casa de farinha

Sabe bem o valor da tapioca.

Pra matéria chegar assim, fininha,

É preciso plantar a mandioca.

E roçar, e colher, ralar, moer,

Separar, escolher, coar, fazer

O milagre na planta Guarani.

Esses verbos da vida camponesa

É o que nos conjuga a natureza

Nesse jeito de ser muito daqui.

 

Pra comer o cuscuz tradicional

É preciso saber profundamente

Que o cuscuz ao nascer, foi milharal,

E depois de viver veio pra gente.

Há trabalho, cultura e tradição

Muito antes da festa de São João,

São José mandou uma chuvinha

Nossa carne é cuscuz com leite quente,

Pra poder entender da minha gente

É preciso adentrar pela cozinha.

 

É preciso adentrar pelo Brasil

Pra saber que a cultura brasileira

Não depende de bala de fuzil,

Mas precisa demais de nossa feira.

É na feira que o cheiro se apura

E a gente percebe a rapadura

Uns dez metros da banca que ela tá.

Quem já viu caminhão de melancia

Com certeza encontrou a poesia

Mesmo sem ter saído a procurar.

 

É no prato que a gente faz o nome

E o Brasil é o grande professor

Em deixar o povo passar fome,

Mesmo sendo o maior exportador.

A nação se começa é na comida.

O mercado é depois, primeiro a vida,

Rapadura, farinha, mel, cuscuz.

Esse verso foi só pra começar

Eu queria dizer de meu lugar…

Foi assim que aprendi, lendo Jesus.