
Um novo terremoto de magnitude 4,9, segundo o Centro Sismológico Euro-Mediterrâneo, foi sentido nesta sexta-feira (26), na costa norte da Venezuela, dois dias depois que o país foi atingido por dois tremores devastadores. De acordo com a agência Reuters, testemunhas afirmaram ter sentido o novo terremoto na capital Caracas e em Maracay.
Os dois tremores desta quarta-feira (25), de magnitudes 7,2 e 7,5, deixaram quase mil mortos e mais de 50 mil desaparecidos. Centenas de edifícios desabaram, especialmente em La Guaira, uma cidade costeira vizinha a Caracas, onde a população denuncia a escassa presença do governo nas operações de resgate.
“Aqui estamos revoltados, precisamos de ajuda. Há pessoas vivas e faltam mãos e ferramentas”, disse Marlon Ochoa, sobrevivente do desabamento de um edifício. “Estou procurando minha mãe, minha esposa e meu filho”.
O governo militarizou La Guaira e restringiu o acesso. As primeiras equipes estrangeiras de socorro já começaram a atuar neste país em crise, com um sistema de saúde colapsado e equipes de resgate precárias. Mas as operações de salvamento avançam lentamente, e ainda há corpos visíveis sob os escombros.
A população clama por ajuda à medida que o tempo passa e a possibilidade de encontrar sobreviventes desaparece.
Familiares, vizinhos e voluntários fazem o que podem em meio à destruição, mas precisam de maquinário especializado para cortar vergalhões de aço ou remover grandes blocos.
Colapso total
Equipes internacionais de busca e resgate de pelo menos 17 países foram mobilizadas para ajudar. Socorristas do Chile, El Salvador, México, Colômbia, Suíça e Equador já estão no país.
O cenário é sombrio. A brigada chilena encontrou as ruínas de um conjunto habitacional em La Guaira.
“O colapso é total e há poucas chances de encontrar pessoas com vida”, disse chefe da equipe, Nadiomar Polanco.
Em Caracas, trabalhadores iluminados por um refletor golpeavam, durante a madrugada, os escombros de um edifício desabado com marretas. “Silêncio absoluto”, gritou de repente um deles para tentar ouvir possíveis pessoas presas sob os destroços. “Uma lanterna, uma lanterna”, disse outro.
O governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, comemora alguns resgates, embora sem informar quantos. Seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, divulgou o balanço mais recente de vítimas fatais: 920.
Mas o governo contabiliza apenas algumas centenas de desaparecidos, número muito inferior ao informado pelas Nações Unidas.
O chefe da ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, disse à AFP, em Genebra, que o paradeiro de mais de 50 mil pessoas é desconhecido. “Trata-se de uma operação de resgate extremamente complexa”, afirmou.



